FILOSOFIA

O amor platônico na obra Fedro, de Platão

Platão

Trecho da obra Fedro, de Platão, onde Sócrates explica o que é o amor platônico.

A alma que nunca evoluiu e nunca contemplou a verdade não pode tomar a forma humana. A causa disso é a seguinte: a inteligência do homem deve se exercer de acordo com aquilo que chamamos ideia; isto é, eleva-se da multiplicidade de sensações desse mundo para o raciocínio.

Ora, essa faculdade nada mais é que a lembrança das Verdades Eternas que ela contemplou quando acompanhou a alma divina.  Por isso, convém que somente a alma do filósofo tenha asas: nele, mais do que nos outros, a memória permanece fixada nessas verdades, o que o torna semelhante a um deus.

É apenas pelo bom uso dessas lembranças que o homem se torna perfeito, podendo receber em alto grau a consagração dos mistérios. Um homem desses se desliga dos interesses humanos e dirige seu espírito para os objetos divinos; a multidão o considera louco, sem perceber que nele habita a divindade.

O filósofo é tomado do seguinte delírio: quando alguém neste mundo vê a beleza e recorda-se da beleza verdadeira, recebe asas e deseja voar; não podendo, porém, volta seu olhar para o céu esquecendo os negócios terrenos e dando desse modo a entender que está delirante. De todos os delírios, esse é o melhor e da mais pura origem, saudável para quem o possui e dele participa. Quem delira assim, ama o que é belo e chama-se amante.

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