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O Menino e o Mundo é poesia e reflexão

O Menino e o Mundo

O filme O Menino e o Mundo, de Alê de Abreu,  é um mergulho poético na cultura popular da América Latina. Como todo bom filme, ele diz bem mais do que pretende dizer.  É uma contemplação ingênua do mundo embalada pela energia colorida da música popular. Essa contemplação ocorre através do menino pobre que vivencia um mundo brutalizado pela superficialidade do consumo e pela destruição capitalista. A história do filme parece falar não apenas dentro de um contexto brasileiro, mas também a partir de todas as culturas populares latinoamericanas. ATENÇÃO: CONTÉM SPOILER.

O Menino e o Mundo é uma crítica ao consumismo

O Menino e o Mundo

Não, este não é um texto com tendência socialista que pretende usar o filme para acusar a “exploração capitalista” e propor soluções esdrúxulas marxistas. Acontece que O Menino e o Mundo é de fato uma crítica severa ao capitalismo, e o valor desse filme reside nesta crítica. Evidenciar esses problemas é importante não para “substituir” o capitalismo, mas para apresentar seus abusos e nos convidar à reflexão. De fato é preciso fazer algo para melhorar o mundo, mas algo novo, e não velhas fórmulas ineficientes ainda mais destruidoras que o capitalismo.

“O capitalismo é o pior sistema que temos…”

O menino e o mundo

O capitalismo é o pior sistema que temos exceto todos os outros“, disse Winston Churchill. Existem filósofos que realizam críticas ao capitalismo sem sugerir uma solução socialista que a história já provou que não funciona, e que no final das contas não passam de Revolução dos Bichos. Zigmunt Bauman é um desses filósofos, depois leia aqui o post Zygmunt Bauman: somos aquilo que podemos comprar de minha autoria.

O filme é uma proposta de reflexão

O avanço do capitalismo, da forma como está sendo feito, irá nos levar (ou já nos levou) ao Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.  O Menino e o Mundo entra nesse debate de forma delicada e impactante. Ele apenas apresenta o mundo ao menino (e a nós mesmos), que devemos buscar respostas coletivamente. O filme é uma proposta de reflexão.

As identidades culturais afirmam a vida

O Menino e o Mundo

Na lógica mercantilista apresentada no filme as famílias são desfeitas, os campos são esvaziados, os pais se afastam dos filhos, a vida fica sem sentido a não ser quando se canta a própria identidade, quando se canta a própria cultura. Mas essas afirmações de vida e identidade são perigosas e precisam ser controladas “pelo sistema”, pois acabam evidenciando a realidade do mundo. Então, a música colorida é combatida pelo negro som das máquinas de guerra e dos escudos dos soldados. Tudo isso em nome do produto, da venda e do mercado.

O filme é triste, mas o mundo também é

O Menino e o Mundo

O filme é uma triste poesia que evidencia a irracionalidade do progresso. Da felicidade infantil no campo, cheio de cultura e afeto, vai-se até o pesadelo da pobreza urbana, um ambiente cinza atravessado pela propaganda, pelo cansaço e pela melancolia. No filme, Apenas os modelos nos comerciais têm um rosto. O povo surge com uma expressão de traços simples e massificada.

De forma infantil, a narrativa mostra o caminho da fabricação de um produto desde o trabalho no campo até a confecção em outro país e seu retorno, já manufaturado, para ser vendido às mesmas pessoas que trabalharam na matéria prima.  Até o futebol (e isso não é novidade) surge como ferramenta de alienação que enche a favela de alegria, levando diversão ao pobre e aliviando a vida quase insuportável.

O Menino e o Mundo é melancólico e contemplativo. Apresenta a visão de uma criança pobre cuja vida é afetada pelo progresso e pelo avanço da tecnologia. Não pretende solucionar o graves problemas que apresenta, no entanto, nos pergunta se é mesmo essa a sociedade que queremos.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

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