O que é Relativismo Cultural?

Relativismo Cultural - introdução e conceitos

Relativismo cultural é um conceito da antropologia moderna que aponta para a evidente diversidade dos povos, buscando evidenciar os diferentes valores de cada cultura, religião ou mesmo grupos sociais. Esse conceito se opõe ao etnocentrismo, que declara a superioridade de determinada cultura. Em outras palavras: o relativismo cultural visa demonstrar a importância de cada cultura, evitando a hierarquização e comparação dos povos, tal como ocorreu no passado e ainda ocorre atualmente. É considerado postura indispensável a qualquer pesquisador que pretenda estudar culturas diferentes da sua.

É importante enfatizar que o relativismo cultural é diferente do relativismo filosófico, iniciado pelos antigos filósofos sofistas, combatidos por Platão, que afirmavam que a “verdade” era relativa e dependia tão somente do poder do discurso. O relativismo cultural não está interessado em verdades absolutas, sendo muito mais, como foi dito, uma postura fundamental para compreender pensamentos e culturas diferentes da nossa.

Avaliar outras culturas com base em nossa própria cultura é erro comum mesmo entre filósofos. O próprio Aristóteles, um dos mais importantes filósofos da antiguidade, declarou que ser escravizado pelos gregos seria benéfico aos povos bárbaros, pois assim teriam contato com a civilização superior da Grécia, afirmando ainda que “somente os aristocratas gregos são nobres em todos os lugares, enquanto que os bárbaros são nobres apenas em suas terras”. Sugeriu também que os bárbaros eram mais adequados aos trabalhos braçais, enquanto que os gregos eram mais propensos à atividade intelectual.

Este raciocínio etnocêntrico se repetiu ao longo da história, se adequando à cultura e religião dos povos conquistadores de cada época, justificando a exploração dos povos dominados pelos povos dominantes. Por isso, o relativismo cultural combate o etnocentrismo, normalmente associado à dominação cultural, religiosa e econômica; busca também conhecer e evidenciar os valores de cada cultura, evitando a destruição de tradições milenares.

Um dos exemplos clássicos de destruição amparada pelo etnocentrismo é a conquista dos povos pré-colombianos pelos espanhóis, que sob o argumento de acabar com “costumes pagãos” e lhes apresentar “a única verdade”, seja religiosa ou civilizacional, escravizaram e dizimaram populações inteiras. Contudo, a verdadeira intenção era explorar as enormes riquezas minerais da região, como o ouro e a prata. Em nome da “superioridade cultural” muitos conhecimentos de astronomia, matemática, arquitetura e urbanismo das civilizações inca, asteca e maia foram perdidos. Fato semelhante ocorreu durante a colonização do Brasil com os povos nativos e africanos.

Apesar do relativismo cultural valorizar as características de cada povo, seus defensores enfrentam desafios éticos internos, como justificar costumes locais violentos. A solução para esse dilema, entretanto, não estaria na dominação, afinal, a história mostrou que dominações, na grande maioria das vezes, são formas de exploração e extermínio. Todavia, ainda que cada cultura tenha seu valor e deva ser preservada, deveríamos nos perguntar se não existiriam ideais humanos universais, como a negação da violência desnecessária contra qualquer ser humano.