{"id":5941,"date":"2017-09-06T21:44:07","date_gmt":"2017-09-06T21:44:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/?p=5941"},"modified":"2018-05-21T13:02:15","modified_gmt":"2018-05-21T13:02:15","slug":"o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/","title":{"rendered":"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe<\/strong>. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto, que aos poucos mergulha na mais completa insanidade e incoer\u00eancia. De certa forma, o autor tamb\u00e9m trilhou um caminho semelhante. Os v\u00edcios de Poe lhe fizeram perder a vaga na Universidade de Virg\u00ednia e depois em West Point, bem como causou sua demiss\u00e3o em algumas editoras. Contudo, foi justamente esse estilo de vida bo\u00eamio, n\u00f4made e inconstante \u00a0\u2014\u00a0aliado ao seu assombroso talento \u2014 a sua principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Certo dia, previsivelmente, ap\u00f3s uma bebedeira, foi encontrado inconsciente numa rua e levado ao hospital, onde veio a falecer em 1849.<\/p>\n<p>O Gato Preto nos permite imaginar n\u00e3o apenas os lugares frequentados por Poe como tamb\u00e9m presumir que o estilo de vida cada vez mais decadente do personagem, bem como seu mergulho na loucura, talvez tenha sido inspirado no seu autor. Esse conto \u00e9 tamb\u00e9m um perfeito exemplo do estilo soturno e fantasmag\u00f3rico desse fant\u00e1stico escritor americano. S\u00e3o cen\u00e1rios de nevoeiros repletos de elementos de morte e fatalidade aliados a um mergulho no lado mais obscuro, inquieto e neur\u00f3tico da mente humana.<\/p>\n<p>Essa viv\u00eancia pessoal que Edgar Allan Poe transmitiu para suas obras fez dele um dos principais <em>&#8220;escritores malditos&#8221;<\/em> da Literatura Universal. \u00a0Leia logo baixo o conto O Gato Preto com v\u00e1rias ilustra\u00e7\u00f5es inspiradas nesta perturbadora narrativa.<\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/quem-sou\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alfredo Carneiro<\/a><\/em><br \/>\nEditor do <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">netmundi.org<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-4756\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/separador-de-texto-620x58.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"58\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/separador-de-texto-620x58.jpg 620w, https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/separador-de-texto-300x27.jpg 300w, https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/separador-de-texto.jpg 636w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">O Gato Preto<\/h2>\n<p><em>N\u00e3o espero nem pe\u00e7o que acreditem nesta hist\u00f3ria sumamente extraordin\u00e1ria e, no entanto, bastante dom\u00e9stica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus pr\u00f3prios sentidos se negam a aceitar. N\u00e3o obstante, n\u00e3o estou louco e, com toda a certeza, n\u00e3o sonho. Mas amanh\u00e3 posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu esp\u00edrito. Meu prop\u00f3sito imediato \u00e9 apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem coment\u00e1rios, uma s\u00e9rie de simples acontecimentos dom\u00e9sticos. Devido a suas conseq\u00fc\u00eancias, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destru\u00edram. No entanto, n\u00e3o tentarei esclarec\u00ea-los. Em mim, quase n\u00e3o produziram outra coisa sen\u00e3o horror &#8211; mas, em muitas pessoas, talvez lhes pare\u00e7am menos terr\u00edveis que grotescos. Talvez, mais tarde, haja alguma intelig\u00eancia que reduza o meu fantasma a algo comum &#8211; uma intelig\u00eancia mais serena, mais l\u00f3gica e muito menos excit\u00e1vel do que a minha, que perceba, nas circunst\u00e2ncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucess\u00e3o comum de causas e efeitos muito naturais. <span style=\"color: #ffffff;\">O Gato Preto<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Desde a inf\u00e2ncia, tornaram-se patentes a docilidade e o sentido humano de meu car\u00e1ter. A ternura de meu cora\u00e7\u00e3o era t\u00e3o evidente, que me tornava alvo dos gracejos de meus companheiros. Gostava, especialmente, de animais, e meus pais me permitiam possuir grande variedade deles. Passava com eles quase todo o meu tempo, e jamais me sentia t\u00e3o feliz como quando lhes dava de comer ou os acariciava. Com os anos, aumentou esta peculiaridade de meu car\u00e1ter e, quando me tornei adulto, fiz dela uma das minhas principais fontes de prazer. Aos que j\u00e1 sentiram afeto por um c\u00e3o fiel e sagaz, n\u00e3o preciso dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou a intensidade da satisfa\u00e7\u00e3o que se pode ter com isso. H\u00e1 algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrif\u00edcios, de um animal, que toca diretamente o cora\u00e7\u00e3o daqueles que tiveram ocasi\u00f5es freq\u00fcentes de comprovar a amizade mesquinha e a fr\u00e1gil fidelidade de um simples homem.<\/em><\/p>\n<p><em>Casei cedo, e tive a sorte de encontrar em minha mulher disposi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 minha. Notando o meu amor pelos animais dom\u00e9sticos, n\u00e3o perdia a oportunidade de arranjar as esp\u00e9cies mais agrad\u00e1veis de bichos. T\u00ednhamos p\u00e1ssaros, peixes dourados, um c\u00e3o, coelhos, um macaquinho e um gato.<\/em><\/p>\n<p><em>Este \u00faltimo era um animal extraordinariamente grande e belo, todo negro e de espantosa sagacidade. Ao referir-se \u00e0 sua intelig\u00eancia, minha mulher, que, no \u00edntimo de seu cora\u00e7\u00e3o, era um tanto supersticiosa, fazia freq\u00fcentes alus\u00f5es \u00e0 antiga cren\u00e7a popular de que todos os gatos pretos s\u00e3o feiticeiras disfar\u00e7adas. N\u00e3o que ela se referisse seriamente a isso: menciono o fato apenas porque aconteceu lembrar-me disso neste momento.<\/em><\/p>\n<p><em>Pluto &#8211; assim se chamava o gato &#8211; era o meu preferido, com o qual eu mais me distra\u00eda. S\u00f3 eu o alimentava, e ele me seguia sempre pela casa. Tinha dificuldade, mesmo, em impedir que me acompanhasse pela rua.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5950 size-full aligncenter\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/pluto.png\" alt=\"Pluto - O grato preto de Edgar Alln Poe\" width=\"600\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/pluto.png 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/pluto-300x144.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p><em>Nossa amizade durou, desse modo, v\u00e1rios anos, durante os quais n\u00e3o s\u00f3 o meu car\u00e1ter como o meu temperamento -enrubes\u00e7o ao confess\u00e1-lo &#8211; sofreram, devido ao dem\u00f4nio da intemperan\u00e7a, uma modifica\u00e7\u00e3o radical para pior. Tornava-me, dia a dia, mais taciturno, mais irritadi\u00e7o, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Sofria ao empregar linguagem desabrida ao dirigir-me \u00e0 minha mulher. No fim, cheguei mesmo a trat\u00e1-la com viol\u00eancia. Meus animais, certamente, sentiam a mudan\u00e7a operada em meu car\u00e1ter. N\u00e3o apenas n\u00e3o lhes dava aten\u00e7\u00e3o alguma, como, ainda, os maltratava. Quanto a Pluto, por\u00e9m, ainda despertava em mim considera\u00e7\u00e3o suficiente que me impedia de maltrat\u00e1-lo, ao passo que n\u00e3o sentia escr\u00fapulo algum em maltratar os coelhos, o macaco e mesmo o c\u00e3o, quando, por acaso ou afeto, cruzavam em meu caminho. Meu mal, por\u00e9m, ia tomando conta de mim &#8211; que outro mal pode se comparar ao \u00e1lcool? &#8211; e, no fim, at\u00e9 Pluto, que come\u00e7ava agora a envelhecer e, por conseguinte, se tornara um tanto rabugento, at\u00e9 mesmo Pluto come\u00e7ou a sentir os efeitos de meu mau humor.\u00a0<span style=\"color: #ffffff;\">O Gato Preto<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Certa noite, ao voltar a casa, muito embriagado, de uma de minhas andan\u00e7as pela cidade, tive a impress\u00e3o de que o gato evitava a minha presen\u00e7a. Apanhei-o, e ele, assustado ante a minha viol\u00eancia, me feriu a m\u00e3o, levemente, com os dentes. Uma f\u00faria demon\u00edaca apoderou-se, instantaneamente, de mim. J\u00e1 n\u00e3o sabia mais o que estava fazendo. Dir-se-ia que, s\u00fabito, minha alma abandonara o corpo, e uma perversidade mais do que diab\u00f3lica, causada pela genebra, fez vibrar todas as fibras de meu ser. Tirei do bolso um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, friamente, arranquei de sua \u00f3rbita um dos olhos! Enrubes\u00e7o, estreme\u00e7o, abraso-me de vergonha, ao referir-me, aqui, a essa abomin\u00e1vel atrocidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando, com a chegada da manh\u00e3, voltei \u00e0 raz\u00e3o &#8211; dissipados j\u00e1 os vapores de minha orgia noturna -, experimentei, pelo crime que praticara, um sentimento que era um misto de horror e remorso; mas n\u00e3o passou de um sentimento superficial e equ\u00edvoco, pois minha alma permaneceu impass\u00edvel. Mergulhei novamente em excessos, afogando logo no vinho a lembran\u00e7a do que acontecera.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5952 size-content aligncenter\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto2-600x264.png\" alt=\"O Gato Preto\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/p>\n<p><em>Entrementes, o gato se restabeleceu, lentamente. A \u00f3rbita do olho perdido apresentava, \u00e9 certo, um aspecto horrendo, mas n\u00e3o parecia mais sofrer qualquer dor. Passeava pela casa como de costume, mas, como bem se poderia esperar, fugia, tomado de extremo terror, \u00e0 minha aproxima\u00e7\u00e3o. Restava-me ainda o bastante de meu antigo cora\u00e7\u00e3o para que, a princ\u00edpio, sofresse com aquela evidente avers\u00e3o por parte de um animal que, antes, me amara tanto. Mas esse sentimento logo se transformou em irrita\u00e7\u00e3o. E, ent\u00e3o, como para perder-me final e irremissivelmente, surgiu o esp\u00edrito da perversidade. Desse esp\u00edrito, a filosofia n\u00e3o toma conhecimento. N\u00e3o obstante, t\u00e3o certo como existe minha alma, creio que a perversidade \u00e9 um dos impulsos primitivos do cora\u00e7\u00e3o humano &#8211; uma das faculdades, ou sentimentos prim\u00e1rios, que dirigem o car\u00e1ter do homem. <\/em><\/p>\n<p><em>Quem n\u00e3o se viu, centenas de vezes, a cometer a\u00e7\u00f5es vis ou est\u00fapidas, pela \u00fanica raz\u00e3o de que sabia que n\u00e3o devia comet\u00ea-las? Acaso n\u00e3o sentimos uma inclina\u00e7\u00e3o constante, mesmo quando estamos no melhor de nosso ju\u00edzo, para violar aquilo que \u00e9 Lei, simplesmente porque a compreendemos como tal? Esse esp\u00edrito de perversidade, digo eu, foi a causa de minha queda final. O vivo e insond\u00e1vel desejo da alma de atormentar-se a si mesma, de violentar sua pr\u00f3pria natureza, de fazer o mal pelo pr\u00f3prio mal, foi o que me levou a continuar e, afinal, a levar a cabo o supl\u00edcio que infligira ao inofensivo animal.\u00a0<span style=\"color: #ffffff;\">O Gato Preto<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Uma manh\u00e3, a sangue frio, meti-lhe um n\u00f3 corredio em torno do pesco\u00e7o e enforquei-o no galho de uma \u00e1rvore. Fi-lo com os olhos cheios de l\u00e1grimas, com o cora\u00e7\u00e3o transbordante do mais amargo remorso. Enforquei-o porque sabia que ele me amara, e porque reconhecia que n\u00e3o me dera motivo algum para que me voltasse contra ele. Enforquei-o porque sabia que estava cometendo um pecado &#8211; um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal, afastando-a, se \u00e9 que isso era poss\u00edvel, da miseric\u00f3rdia infinita de um Deus infinitamente misericordioso e infinitamente terr\u00edvel.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-5954\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto-enforcamento-1-600x264.png\" alt=\"O enforcamento de Pluto\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/p>\n<p><em>Na noite do dia em que foi cometida essa a\u00e7\u00e3o t\u00e3o cruel, fui despertado pelo grito de &#8220;fogo!&#8221;. As cortinas de minha cama estavam em chamas. Toda a casa ardia. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu conseguimos escapar do inc\u00eandio. A destrui\u00e7\u00e3o foi completa. Todos os meus bens terrenos foram tragados pelo fogo, e, desde ent\u00e3o, me entreguei ao desespero.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o pretendo estabelecer rela\u00e7\u00e3o alguma entre causa e efeito &#8211; entre o desastre e a atrocidade por mim cometida. Mas estou descrevendo uma seq\u00fc\u00eancia de fatos, e n\u00e3o desejo omitir nenhum dos elos dessa cadeia de acontecimentos. No dia seguinte ao do inc\u00eandio, visitei as ru\u00ednas. As paredes, com exce\u00e7\u00e3o de uma apenas, tinham desmoronado. Essa \u00fanica exce\u00e7\u00e3o era constitu\u00edda por um fino tabique interior, situado no meio da casa, junto ao qual se achava a cabeceira de minha cama. O reboco havia, a\u00ed, em grande parte, resistido \u00e0 a\u00e7\u00e3o do fogo &#8211; coisa que atribu\u00ed ao fato de ter sido ele constru\u00eddo recentemente. Densa multid\u00e3o se reunira em torno dessa parede, e muita pessoas examinavam, com particular aten\u00e7\u00e3o e minuciosidade, uma parte dela. As palavras &#8220;estranho!&#8221;, &#8220;singular!&#8221;, bem como outras express\u00f5es semelhantes, despertaram-me a curiosidade. Aproximei-me e vi, como se gravada em baixo-relevo sobre a superf\u00edcie branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem era de uma exatid\u00e3o verdadeiramente maravilhosa. Havia uma corda em torno do pesco\u00e7o do animal.<\/em><\/p>\n<p><em>Logo que vi tal apari\u00e7\u00e3o &#8211; pois n\u00e3o poderia considerar aquilo como sendo outra coisa -, o assombro e terror que se me apoderaram foram extremos. Mas, finalmente, a reflex\u00e3o veio em meu aux\u00edlio. O gato, lembrei-me, fora enforcado num jardim existente junto \u00e0 casa. Aos gritos de alarma, o jardim fora imediatamente invadido pela multid\u00e3o. Algu\u00e9m deve ter retirado o animal da \u00e1rvore, lan\u00e7ando-o, atrav\u00e9s de uma janela aberta, para dentro do meu quarto. Isso foi feito, provavelmente, com a inten\u00e7\u00e3o de despertar-me. A queda das outras paredes havia comprimido a v\u00edtima de minha crueldade no gesso recentemente colocado sobre a parede que permanecera de p\u00e9. A cal do muro, com as chamas e o amon\u00edaco desprendido da carca\u00e7a produzira a imagem tal qual eu agora a via.\u00a0<span style=\"color: #ffffff;\">O Gato Preto<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Embora isso satisfizesse prontamente minha raz\u00e3o, n\u00e3o conseguia fazer o mesmo, de maneira completa, com minha consci\u00eancia, pois o surpreendente fato que acabo de descrever n\u00e3o deixou de causar-me, apesar de tudo, profunda impress\u00e3o. Durante meses, n\u00e3o pude livrar-me do fantasma do gato e, nesse espa\u00e7o de tempo, nasceu em meu esp\u00edrito uma esp\u00e9cie de sentimento que parecia remorso, embora n\u00e3o o fosse. Cheguei, mesmo, a lamentar a perda do animal e a procurar, nos s\u00f3rdidos lugares que ent\u00e3o freq\u00fcentava, outro bichano da mesma esp\u00e9cie e de apar\u00eancia semelhante que pudesse substitu\u00ed-lo.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_5955\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5955\" class=\"wp-image-5955 size-content\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/the-black-cat-bela-lugosi-600x264.png\" alt=\"The Black Cat com Bela Lugosi\" width=\"600\" height=\"264\" \/><p id=\"caption-attachment-5955\" class=\"wp-caption-text\"><strong><em>Cena do filme The Black Cat, de 1934, com Bela Lugosi.<\/em><\/strong><\/p><\/div>\n<p><em>Uma noite, em que me achava sentado, meio aturdido, num antro mais do que infame, tive a aten\u00e7\u00e3o despertada, subitamente, por um objeto negro que jazia no alto de um dos enormes barris, de genebra ou rum, que constitu\u00edam quase que o \u00fanico mobili\u00e1rio do recinto. Fazia j\u00e1 alguns minutos que olhava fixamente o alto do barril, e o que ent\u00e3o me surpreendeu foi n\u00e3o ter visto antes o que havia sobre o mesmo. Aproximei-me e toquei-o com a m\u00e3o. Era um gato preto, enorme &#8211; t\u00e3o grande quanto Pluto &#8211; e que, sob todos os aspectos, salvo um, se assemelhava a ele. Pluto n\u00e3o tinha um \u00fanico p\u00ealo branco em todo o corpo &#8211; e o bichano que ali estava possu\u00eda uma mancha larga e branca, embora de forma indefinida, a cobrir-lhe quase toda a regi\u00e3o do peito.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao acariciar-lhe o dorso, ergueu-se imediatamente, ronronando com for\u00e7a e esfregando-se em minha m\u00e3o, como se a minha aten\u00e7\u00e3o lhe causasse prazer. Era, pois, o animal que eu procurava. Apressei-me em propor ao dono a sua aquisi\u00e7\u00e3o, mas este n\u00e3o manifestou interesse algum pelo felino. N\u00e3o o conhecia; jamais o vira antes.<\/em><\/p>\n<p><em>Continuei a acarici\u00e1-lo e, quando me dispunha a voltar para casa, o animal demonstrou disposi\u00e7\u00e3o de acompanhar-me. Permiti que o fizesse &#8211; detendo-me, de vez em quando, no caminho, para acarici\u00e1-lo. Ao chegar, sentiu-se imediatamente \u00e0 vontade, como se pertencesse a casa, tornando-se logo, um dos bichanos preferidos de minha mulher.\u00a0<span style=\"color: #ffffff;\">O Gato Preto<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>De minha parte, passei a sentir logo avers\u00e3o por ele. Acontecia, pois, justamente o contr\u00e1rio do que eu esperava. Mas a verdade \u00e9 que &#8211; n\u00e3o sei como nem por qu\u00ea &#8211; seu evidente amor por mim me desgostava e aborrecia. Lentamente, tais sentimentos de desgosto e fastio se converteram no mais amargo \u00f3dio. Evitava o animal. Uma sensa\u00e7\u00e3o de vergonha, bem como a lembran\u00e7a da crueldade que praticara, impediam-me de maltrat\u00e1-lo fisicamente. Durante algumas semanas, n\u00e3o lhe bati nem pratiquei contra ele qualquer viol\u00eancia; mas, aos poucos &#8211; muito gradativamente -, passei a sentir por ele inenarr\u00e1vel horror, fugindo, em sil\u00eancio, de sua odiosa presen\u00e7a, como fugisse de uma peste.<\/em><\/p>\n<p><em>Sem d\u00favida, o que aumentou o meu horror pelo animal foi a descoberta, na manh\u00e3 do dia seguinte ao que o levei para casa, que, como Pluto, tamb\u00e9m havia sido privado de um do olhos. Tal circunst\u00e2ncia, por\u00e9m, apenas contribuiu para que minha mulher sentisse por ele maior carinho, pois, como j\u00e1 disse, era dotada, em alto grau, dessa ternura de sentimentos que constitu\u00edra, em outros tempos, um de meus tra\u00e7os principais, bem como fonte de muitos de meus prazeres mais simples e puros.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_5956\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto3.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5956\" class=\"wp-image-5956 size-content\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto3-620x264.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"264\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5956\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Gato Preto, Ilustra\u00e7\u00e3o de 1894-1895 de Aubrey Beardsley. Clique na imagem para ver o tamanho completo.<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p><em>No entanto, a prefer\u00eancia que o animal demonstrava pela minha pessoa parecia aumentar em raz\u00e3o direta da avers\u00e3o que sentia por ele. Seguia-me os passos com uma pertin\u00e1cia que dificilmente poderia fazer com que o leitor compreendesse. Sempre que me sentava, enrodilhava-se embaixo de minha cadeira, ou me saltava ao colo, cobrindo-me com suas odiosas car\u00edcias. Se me levantava para andar, metia-se-me entre as pernas e quase me derrubava, ou ent\u00e3o, cravando suas longas e afiadas garras em minha roupa, subia por ela at\u00e9 o meu peito. Nessas ocasi\u00f5es, embora tivesse \u00edmpetos de mat\u00e1-lo de um golpe, abstinha-me de faz\u00ea-lo devido, em parte, \u00e0 lembran\u00e7a de meu crime anterior, mas, sobretudo &#8211; apresso-me a confess\u00e1-lo -, pelo pavor extremo que o animal me despertava.<\/em><\/p>\n<p><em>Esse pavor n\u00e3o era exatamente um pavor de mal f\u00edsico e, contudo, n\u00e3o saberia defini-lo de outra maneira. Quase me envergonha confessar &#8211; sim, mesmo nesta cela de criminoso -, quase me envergonha confessar que o terror e o p\u00e2nico que o animal me inspirava eram aumentados por uma das mais puras fantasias que se possa imaginar. Minha mulher, mais de uma vez, me chamara a aten\u00e7\u00e3o para o aspecto da mancha branca a que j\u00e1 me referi,e que constitu\u00eda a \u00fanica diferen\u00e7a vis\u00edvel entre aquele estranho animal e o outro, que eu enforcara. O leitor, decerto, se lembrar\u00e1 de que aquele sinal, embora grande, tinha, a princ\u00edpio, uma forma bastante indefinida. Mas, lentamente, de maneira quase impercept\u00edvel &#8211; que a minha imagina\u00e7\u00e3o, durante muito tempo, lutou por rejeitar como fantasiosa -, adquirira, por fim, uma nitidez rigorosa de contornos. Era, agora, a imagem de um objeto cuja men\u00e7\u00e3o me faz tremer&#8230; e, sobretudo por isso, eu o encarava como a um monstro de horror e repugn\u00e2ncia, da qual eu, se tivesse coragem, me teria livrado. Era agora, confesso, a imagem de uma coisa odiosa, abomin\u00e1vel: a imagem da forca! Oh, l\u00fagubre e terr\u00edvel m\u00e1quina de horror e de crime, de agonia e de morte!<\/em><\/p>\n<p><em>Na verdade, naquele momento eu era um miser\u00e1vel &#8211; um ser que ia al\u00e9m da pr\u00f3pria mis\u00e9ria da humanidade. Era uma besta-fera, cujo irm\u00e3o fora por mim desdenhosamente destru\u00eddo&#8230; uma besta-fera que se engendrara em mim, insuport\u00e1vel infort\u00fanio! Ai de mim! Nem de dia, nem de noite, conheceria jamais a b\u00ean\u00e7\u00e3o do descanso! Durante o dia, o animal n\u00e3o me deixava a s\u00f3s um \u00fanico momento; e, \u00e0 noite, despertava de hora em hora, tomado do indescrit\u00edvel terror de sentir o h\u00e1lito quente da coisa sobre o meu rosto, e o seu enorme peso &#8211; encarna\u00e7\u00e3o de um pesadelo que n\u00e3o podia afastar de mim &#8211; pousado eternamente sobre o meu cora\u00e7\u00e3o!<\/em><\/p>\n<p><em>Sob a press\u00e3o de tais tormentos, sucumbiu o pouco que restava em mim de bom. Pensamentos maus converteram-se em meus \u00fanicos companheiros &#8211; os mais sombrios e os mais perversos dos pensamentos. Minha rabugice habitual se transformou em \u00f3dio por todas as coisas e por toda a humanidade &#8211; e, enquanto eu, agora, me entregava cegamente a s\u00fabitos, freq\u00fcentes e irreprim\u00edveis acesso de c\u00f3lera, minha mulher &#8211; pobre dela! &#8211; n\u00e3o se queixava nunca, convertendo-se na mais paciente e sofredora das v\u00edtimas.<\/em><\/p>\n<p><em>Um dia, acompanhou-me, para ajudar-me numa das tarefas dom\u00e9sticas, at\u00e9 o por\u00e3o do velho edif\u00edcio em que nossa pobreza nos obrigava a morar. O gato seguiu-nos e, quase fazendo-me rolar escada abaixo, me exasperou a ponto de perder o ju\u00edzo. Apanhando uma machadinha e esquecendo o terror pueril que at\u00e9 ent\u00e3o contivera minha m\u00e3o, dirigi ao animal um golpe que teria sido mortal, se atingisse o alvo. Mas minha mulher segurou-me o bra\u00e7o, detendo o golpe. Tomado, ent\u00e3o, de f\u00faria demon\u00edaca, livrei o bra\u00e7o do obst\u00e1culo que o detinha e cravei-lhe a machadinha no c\u00e9rebro. Minha mulher caiu morta instantaneamente, sem lan\u00e7ar um gemido.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-5959\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a-morte-da-esposa-600x264.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/p>\n<p><em>Realizado o terr\u00edvel assass\u00ednio, procurei, movido por s\u00fabita resolu\u00e7\u00e3o, esconder o corpo. Sabia que n\u00e3o poderia retir\u00e1-lo da casa, nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser visto pelos vizinhos. Ocorreram-me v\u00e1rios planos. Pensei, por um instante, em cortar o corpo em pequenos peda\u00e7os e destru\u00ed-los por meio do fogo. Resolvi, depois, cavar uma fossa no ch\u00e3o da adega. Em seguida, pensei em atir\u00e1-lo ao po\u00e7o do quintal. Mudei de id\u00e9ia e decidi mant\u00ea-lo num caixote, como se fosse uma mercadoria, na forma habitual, fazendo com que um carregador o retirasse da casa. Finalmente, tive uma id\u00e9ia que me pareceu muito mais pr\u00e1tica: resolvi empared\u00e1-lo na adega, como faziam os monges da Idade M\u00e9dia com as suas v\u00edtimas.<\/em><\/p>\n<p><em>Aquela adega se prestava muito bem para tal prop\u00f3sito. As paredes n\u00e3o haviam sido constru\u00eddas com muito cuidado e, pouco antes, haviam sido cobertas, em toda a sua extens\u00e3o, com um reboco que a umidade impedira de endurecer. Ademais, havia uma sali\u00eancia numa das paredes, produzida por alguma chamin\u00e9 ou lareira, que fora tapada para que se assemelhasse ao resto da adega. N\u00e3o duvidei de que poderia facilmente retirar os tijolos naquele lugar, introduzir o corpo e recoloc\u00e1-los do mesmo modo, sem que nenhum olhar pudesse descobrir nada que despertasse suspeita.<\/em><\/p>\n<p><em>E n\u00e3o me enganei em meus c\u00e1lculos. Por meio de uma alavanca, desloquei facilmente os tijolos e, tendo depositado ocorpo, com cuidado, de encontro \u00e0 parede interior, segurei-o nesta posi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 poder recolocar, sem grande esfor\u00e7o, os tijolos em seu lugar, tal como estavam anteriormente. Arranjei cimento, cal e areia e, com toda a precau\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, preparei uma argamassa que n\u00e3o se poderia distinguir da anterior, cobrindo com ela, escrupulosamente, a nova parede. Ao terminar, senti-me satisfeito, pois tudo correra bem. A parede n\u00e3o apresentava o menor sinal de ter sido rebocada. Limpei o ch\u00e3o com o maior cuidado e, lan\u00e7ando o olhar em torno, disse, de mim para comigo: &#8220;Pelo menos aqui, o meu trabalho n\u00e3o foi em v\u00e3o&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>O passo seguinte foi procurar o animal que havia sido a causa de t\u00e3o grande desgra\u00e7a, pois resolvera, finalmente, mat\u00e1-lo. Se, naquele momento, tivesse podido encontr\u00e1-lo, n\u00e3o haveria d\u00favida quanto \u00e0 sua sorte: mas parece que o esperto animal se alarmara ante aviol\u00eancia de minha c\u00f3lera, e procurava n\u00e3o aparecer diante de mim enquanto me encontrasse naquele estado de esp\u00edrito. Imposs\u00edvel descrever ou imaginar o profundo e aben\u00e7oado al\u00edvio que me causava a aus\u00eancia de t\u00e3o detest\u00e1vel felino. N\u00e3o apareceu tamb\u00e9m durante a noite &#8211; e, assim, pela primeira vez, desde sua entrada em casa, consegui dormir tranq\u00fcilo e profundamente. Sim, dormi mesmo com o peso daquele assass\u00ednio sobre a minha alma.<\/em><\/p>\n<p><em>Transcorreram o segundo e o terceiro dia- e o meu algoz n\u00e3o apareceu. Pude respirar, novamente, como homem livre. O monstro, aterrorizado fugira para sempre de casa. N\u00e3o tornaria a v\u00ea-lo! Minha felicidade era infinita! A culpa de minha tenebrosa a\u00e7\u00e3o pouco me inquietava. Foram feitas algumas investiga\u00e7\u00f5es, mas respondi prontamente a todas as perguntas. Procedeu-se, tamb\u00e9m, a uma vistoria em minha casa, mas, naturalmente, nada podia ser descoberto. Eu considerava j\u00e1 como coisa certa a minha felicidade futura.<\/em><\/p>\n<p><em>No quarto dia ap\u00f3s o assassinato, uma caravana policial chegou, inesperadamente, a casa, e realizou, de novo, rigorosa investiga\u00e7\u00e3o. Seguro, no entanto, de que ningu\u00e9m descobriria jamais o lugar em que eu ocultara o cad\u00e1ver, n\u00e3o experimentei a menor perturba\u00e7\u00e3o. Os policiais pediram-me que os acompanhasse em sua busca. N\u00e3o deixaram de esquadrinhar um canto sequer da casa. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram novamente ao por\u00e3o. N\u00e3o me alterei o m\u00ednimo que fosse. Meu cora\u00e7\u00e3o batia calmamente, como o de um inocente. Andei por todo o por\u00e3o, de ponta a ponta. Com os bra\u00e7os cruzados sobre o peito, caminhava, calmamente, de um lado para outro. A pol\u00edcia estava inteiramente satisfeita e preparava-se para sair. O j\u00fabilo que me inundava o cora\u00e7\u00e3o era forte demais para que pudesse cont\u00ea-lo. Ardia de desejo de dizer uma palavra, uma \u00fanica palavra, \u00e0 guisa de triunfo, e tamb\u00e9m para tornar duplamente evidente a minha inoc\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Senhores &#8211; disse, por fim, quando os policiais j\u00e1 subiam a escada -, \u00e9 para mim motivo de grande satisfa\u00e7\u00e3o haver desfeito qualquer suspeita. Desejo a todos os senhores \u00f3tima sa\u00fade e um pouco mais de cortesia. Diga-se de passagem, senhores, que esta \u00e9 uma casa muito bem constru\u00edda&#8230; (quase n\u00e3o sabia o que dizia, em meu insopit\u00e1vel desejo de falar com naturalidade) Poderia, mesmo, dizer que \u00e9 uma casa excelentemente constru\u00edda. Estas paredes &#8211; os senhores j\u00e1 se v\u00e3o? -, estas paredes s\u00e3o de grande solidez.<\/em><\/p>\n<p><em>Nessa altura, movido por pura e fren\u00e9tica fanfarronada, bati com for\u00e7a, com a bengala que tinha na m\u00e3o, justamente na parte da parede atr\u00e1s da qual se achava o corpo da esposa de meu cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Que Deus me guarde e livre das garras de Satan\u00e1s! Mal o eco das batidas mergulhou no sil\u00eancio, uma voz me respondeu do fundo da tumba, primeiro com um choro entrecortado e abafado, como os solu\u00e7os de uma crian\u00e7a; depois, de repente, com um grito prolongado, estridente, cont\u00ednuo, completamente anormal e inumano. Um uivo, um grito agudo, metade de horror, metade de triunfo, como somente poderia ter surgido do inferno, da garganta dos condenados, em sua agonia, e dos dem\u00f4nios exultantes com a sua condena\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-5960\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto4-600x264.png\" alt=\"O Gato Preto\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/p>\n<p><em>Quanto aos meus pensamentos, \u00e9 loucura falar. Sentindo-me desfalecer, cambaleei at\u00e9 a parede oposta. Durante um instante, o grupo de policiais deteve-se na escada, imobilizado pelo terror. Decorrido um momento, doze bra\u00e7os vigorosos atacaram a parede, que caiu por terra. O cad\u00e1ver, j\u00e1 em adiantado estado de decomposi\u00e7\u00e3o, e coberto de sangue coagulado, apareceu, ereto, aos olhos dos presentes. Sobre sua cabe\u00e7a, com a boca vermelha dilatada e o \u00fanico olho chamejante, achava-se pousado o animal odioso, cuja ast\u00facia me levou ao assass\u00ednio e cuja voz reveladora me entregava ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro da tumba!<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Edgar AllanPoe: Hist\u00f3rias Extraordin\u00e1rias<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Breno Silveira. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1981<\/p>\n<p><strong><em>Leia Tamb\u00e9m no netmundi:<\/em><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2017\/o-corvo-de-edgar-allan-poe-milton-amado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Corvo, de Edgar Allan Poe (tradu\u00e7\u00e3o de Milton Amado)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2017\/o-sonho-dos-ratos-de-rubem-alves\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Sonho dos Ratos, de Rubem Alves<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2017\/ozymandias-poema-sobre-tempo-e-poder\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ozymandias: um poema sobre o poder e o tempo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto, que aos poucos mergulha na mais completa insanidade e incoer\u00eancia. De certa forma, o autor tamb\u00e9m trilhou um caminho semelhante. Os v\u00edcios de Poe lhe fizeram perder a vaga na Universidade de Virg\u00ednia e depois em West Point, bem como causou sua demiss\u00e3o em algumas editoras. Contudo, foi justamente esse estilo de vida bo\u00eamio, n\u00f4made e inconstante \u00a0\u2014\u00a0aliado ao seu assombroso talento \u2014 a sua principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Certo dia, previsivelmente, ap\u00f3s uma bebedeira, foi encontrado inconsciente numa rua e levado ao hospital, onde veio a falecer em 1849. O Gato Preto nos permite imaginar n\u00e3o apenas os lugares frequentados por Poe como tamb\u00e9m presumir que o estilo de vida cada vez mais decadente do personagem, bem como seu mergulho na loucura, talvez tenha sido inspirado no seu autor. Esse conto \u00e9 tamb\u00e9m um perfeito exemplo do estilo soturno e fantasmag\u00f3rico desse fant\u00e1stico escritor americano. S\u00e3o cen\u00e1rios de nevoeiros repletos de elementos de morte e fatalidade aliados a um mergulho no lado mais obscuro, inquieto e neur\u00f3tico da mente humana. Essa viv\u00eancia [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[330],"tags":[573,567,572,24,571,574],"class_list":["post-5941","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog-do-editor","tag-conto","tag-edgar-allan-poe","tag-gato-preto","tag-literatura","tag-o-gato-preto","tag-terror"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico - netmundi.org<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico - netmundi.org\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"netmundi.org\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-09-06T21:44:07+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2018-05-21T13:02:15+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"600\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"290\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Netmundi.org - Filosofia na Rede\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@alfredo_mrc\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@alfredo_mrc\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Netmundi.org - Filosofia na Rede\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"22 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Netmundi.org - Filosofia na Rede\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2\"},\"headline\":\"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico\",\"datePublished\":\"2017-09-06T21:44:07+00:00\",\"dateModified\":\"2018-05-21T13:02:15+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/\"},\"wordCount\":4427,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/09\\\/o-gato-preto.png\",\"keywords\":[\"Conto\",\"Edgar Allan Poe\",\"Gato Preto\",\"literatura\",\"O Gato Preto\",\"Terror\"],\"articleSection\":[\"Blog do Editor\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/\",\"name\":\"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico - netmundi.org\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/09\\\/o-gato-preto.png\",\"datePublished\":\"2017-09-06T21:44:07+00:00\",\"dateModified\":\"2018-05-21T13:02:15+00:00\",\"description\":\"O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/09\\\/o-gato-preto.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/09\\\/o-gato-preto.png\",\"width\":600,\"height\":290,\"caption\":\"O Gato Preto\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/\",\"name\":\"netmundi.org\",\"description\":\"ARTE, CULTURA E FILOSOFIA\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2\",\"name\":\"Netmundi.org - Filosofia na Rede\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g\",\"caption\":\"Netmundi.org - Filosofia na Rede\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/www.netmundi.org\\\/home\\\/author\\\/admin\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico - netmundi.org","description":"O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico - netmundi.org","og_description":"O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto","og_url":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/","og_site_name":"netmundi.org","article_published_time":"2017-09-06T21:44:07+00:00","article_modified_time":"2018-05-21T13:02:15+00:00","og_image":[{"width":600,"height":290,"url":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto.png","type":"image\/png"}],"author":"Netmundi.org - Filosofia na Rede","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@alfredo_mrc","twitter_site":"@alfredo_mrc","twitter_misc":{"Escrito por":"Netmundi.org - Filosofia na Rede","Est. tempo de leitura":"22 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/"},"author":{"name":"Netmundi.org - Filosofia na Rede","@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/#\/schema\/person\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2"},"headline":"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico","datePublished":"2017-09-06T21:44:07+00:00","dateModified":"2018-05-21T13:02:15+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/"},"wordCount":4427,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/#\/schema\/person\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2"},"image":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto.png","keywords":["Conto","Edgar Allan Poe","Gato Preto","literatura","O Gato Preto","Terror"],"articleSection":["Blog do Editor"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/","url":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/","name":"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico - netmundi.org","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto.png","datePublished":"2017-09-06T21:44:07+00:00","dateModified":"2018-05-21T13:02:15+00:00","description":"O Gato Preto talvez seja o conto mais autobiogr\u00e1fico de Edgar Allan Poe. Claro, me refiro aqui apenas \u00e0 vida bo\u00eamia e desregrada do personagem do conto","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto.png","contentUrl":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/o-gato-preto.png","width":600,"height":290,"caption":"O Gato Preto"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O Gato Preto, de Edgar Allan Poe: um conto autobiogr\u00e1fico"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/#website","url":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/","name":"netmundi.org","description":"ARTE, CULTURA E FILOSOFIA","publisher":{"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/#\/schema\/person\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/#\/schema\/person\/12ddd80f62a6f0e98d99e56c5a71eed2","name":"Netmundi.org - Filosofia na Rede","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g","caption":"Netmundi.org - Filosofia na Rede"},"logo":{"@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4b425da16797e1bacc1ee50a40075366497cc3dd3e5c4319ef30ca6895d04061?s=96&r=g"},"url":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/author\/admin\/"}]}},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5941"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5941\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5964,"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5941\/revisions\/5964"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}