Velas de Vento

Velas de Vento - conto

Texto de Borboleta Monarca *

O eco de um vazio etéreo permeia sua mente; uma voz minúscula que parece diluída no silêncio da alma, que dá luz ao pensamento, que repousa no leito do nosso travesseiro. Uma voz que é guia — mas também margem para um acesso inatural ao “Outro lado”.

Ventos murmuram no parapeito da janela, vibram as cortinas com o balanço atrapalhado de lufadas; o pano chacoalha, permite a luz infiltrar no quarto. O Vento fresco do dia iluminado vem com ternura, removendo a poeira do leito, soprando os papéis empilhados sem peso e empurrando as portas abertas. Um barulho alto ecoa, a porta fechou.

Teus joelhos batem no chão de azulejo com o peito ardido, quase perto de perder o fôlego, náufrago na tempestade que existe “aqui”. A mente te ilude com um canto de terror — um momento de pânico que faz sua garganta fechar, os olhos tremerem e distorcerem a sua vista. Tua pele pareceu mais quente — sentes o suor escorrendo na bochecha, nos pelos arrepiados dos braços e das pernas, nos teus cabelos, nas sobrancelhas. Sente-se envolto de sujeira, quase “inabitável”.

Mas o Mundo…

Os pássaros de fora usam as asas para navegar no vento; ao teu olho nu, os vê como usuários de uma arte mágica, como feitos de uma natureza apática ao seu corpo. Os céus te recusam? Por que não podes habitar o Reino do Ar? Por que seus pés precisam estar presos ao chão? Por que voar não condiz com seu natural? O “Pesadelo” te faz ranger os dentes, dia-após-dia. O Pânico ecoa com mais poder nas paredes internas da tua mente, e sem ao menos perceber, vê-se na jaula criada por si.

O Vento bate nas cortinas do quarto, atravessa uma fissura na sua janela semiaberta, chacoalhando o tecido. O pano batido empurra um copo de vidro próximo a beirada da mesa de orvalho, decretando sua queda e explosão ao atingir o piso firme. O barulho de vidro partindo em seus mil fragmentos desfila com prioridade nos teus ouvidos: te chama em tua integridade completa. Seus olhos saltam, o coração erra a batida; algo lhe fez despertar do devaneio, da alusão. Seus olhos viram a cor do mundo, desde os cinzas da poeira flutuando no Vento até as cores do arco-íris refletindo nos cacos de vidro espalhados no chão. Capas de cadernos coloridos, balcões enchidos de livros, papéis de antigos projetos trabalhados e agora hasteados na mesa com o desleixo de uma promessa esquecida… suas cores brilham seu verdadeiro “Eu”. Nosso verdadeiro “Eu”.

Na sua casa, quem é o Vento que passa na Janela? O que é “Vento”? E quem sou?

Autor(a): Borboleta Monarca

Instagram: @aurora.thais.landim
Twitch: monarchbutterflyvtb

Olá, querido povo! Saudações.
Esta é a primeira vez que apareço por aqui,
estou feliz pelo lugar especial neste site.
Indo direto ao ponto, vim me apresentar.
Meu nome é Aurora! Imagino que se está lendo até aqui
a história lhe cativou, ou lhe fez interessado(a) em continuar.
Fico feliz em ambos os casos! Se for outra coisa, tô feliz igual.
Sou uma aspirante a escritora, uma entusiasta apaixonada pela literatura
e disposta a trazer meu humilde conteúdo para este site!
Costumo escrever histórias narrativas (contos, noveletas, livros…) em torno de
uma literatura fantástica entre universos e dimensões!
Se explorar universos e conhecer mundos novos lhe agradar,
te convido se juntar a mim nesta jornada

Sobre Alfredo Carneiro (223 Artigos)
Professor de filosofia graduado pela Universidade Católica de Brasília e pós-graduado em Filosofia e Existência pela mesma instituição. Criou o netmundi.org em 2010 para ajudar a difundir a Filosofia no Brasil.