HOME

A felicidade segundo Steve Cutts

Felicidade Steve Cutts

Este é mais um trabalho de Steve Cutts, um criativo ilustrador e animador inglês. Seguindo seu estilo radical de criticar o comportamento humano, o ilustrador nos convida a pensar sobre a busca da felicidade, ou melhor, daquilo que nos “vendem” como felicidade. Conforme alertava o filósofo Zygmunt Bauman, nossa capacidade de “ser”, atualmente, está atrelada à nossa capacidade de consumir. Para que isto ocorra em larga escala, é necessário uma poderosa atividade midiática que conecta a felicidade ao consumismo, conforme se apresenta nesse vídeo intitulado “Happiness”.

Observar como essa atividade ocorre não é fácil. Ficamos tão anestesiados pelo bombardeio de propagandas e ideias ligadas ao consumismo que não percebemos seus efeitos nocivos. Acabamos acreditando que a felicidade será atingida através da compra de produtos e serviços. E quando conseguimos, de fato nos sentimos felizes e passamos a buscar sempre mais, assim como ocorre com dependentes químicos.

O estresse, aos poucos, vai tomando conta de nós, afinal, encontrar a felicidade que surge nos outdoors, propagandas e panfletos é impossível. São milhares de produtos, propostas, padrões estéticos e serviços que devem ser perseguidos. E quando um deles é alcançado, surge outro nível — seja de qualidade ou de quantidade.

Até mesmo o desgaste que essa busca causa irá encontrar no consumismo sua solução, como é o caso dos antidepressivos, conforme sugere Steve Cutts em Happiness. Este é o momento em que a poderosa indústria farmacêutica lucra com essa “busca pela felicidade”. 

Este espetacular esquema midiático foi batizado pelos filósofos alemães Adorno e Horkmeier de Indústria Cultural. Esse esquema está fundamentalmente ligado à arte, que passa a ter uma função fundamental dentro do capitalismo. Não se trata aqui de invalidar o capitalismo, e sim de denunciar sua face mais perversa e parasitária. Toda a produção artística, não apenas nas obras de arte, filmes e música quanto nas propagandas e produtos, está voltada para incentivar o consumismo através de um estímulo constante que vai nos deteriorando aos poucos.

Tudo isso nada tem a ver com a felicidade, mas sim com um afastamento dela. Até mesmo Aristóteles, já em seu tempo, compreendia que a felicidade não estaria ligada a riquezas. O filósofo Epicuro, por sua vez, acreditava que a felicidade estava ligada à vida simples e aos prazeres frugais, afinal, uma busca desenfreada por prazeres não traria felicidade, mas apenas sofrimento e desgaste físico e emocional, exatamente como ocorre neste trabalho de Steve Cutts.

Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org

Navegue pelo netmundi.org


  1. Blog do Editor
  2. Posts sobre Filosofia
  3. Pensamentos de vários filósofos

Sugestões de leitura


  1. Frases de Epicuro
  2. Frases de Aristóteles
  3. O que é Filosofia?
  4. Zygmunt Bauman e a cultura do endividamento
  5. Zygmunt Bauman: somos aquilo que podemos comprar
  6. A Industria Cultural de Theodor Adorno e Max Horkheimer
  7. Diógenes de Sinope – os filósofos como cães
  8. Protágoras – “O homem é a medida de todas as coisas”