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Taoismo – “Na não-ação, nada fica sem ser feito.”

Taoismo - na não-ação, nada fica sem ser feito

Entre as várias sabedorias que prega o Taoismo, uma delas é a não-ação (ou Wu wei), que significa, grosso modo, que quanto mais permitimos que o mundo siga seu fluxo natural, tanto melhor para todos, pois a natureza possui uma sabedoria intrínseca.

A não-ação não corresponde a uma imobilidade ou preguiça, mas sim a uma postura mental (melhor termo que encontrei, ainda que inadequado) que permite ao Tao manifestar sua sabedoria, em vez de ficarmos sofrendo ou ansiosos esperando sempre o pior e tomando atitudes insensatas que bloqueiam o fluxo que equilibra todas as coisas.

Conforme prega o taoismo, se ficamos sempre angustiados com os problemas da vida e, por outro lado, se ficamos eufóricos quando algo de bom acontece, isto seria como ser uma folha que o vento leva de um lado para o outro de acordo com as calmarias e as tempestades. A não-ação, por sua vez, permite a calma que observa tudo com paz e confiança.

Tao por vezes é traduzido como “caminho”, como o sábio que busca uma trilha que leva à sabedoria. A frase abaixo também poderia ser traduzida como “O Tao é uma constante não-ação”. De acordo com o próprio Lao-Tzu, um dos grandes mestres antigos do taoismo, o verdadeiro Tao não pode ser dito, pois é mistério, e o caminho que leva a ele é a constante não-ação.

“O caminho é uma constante não-ação, que nada deixa por realizar.”

– Lao-Tzu, autor do Tao-te King

Abaixo segue um pequeno conto taoista que reflete tanto o indivíduo que pratica a não-ação quanto aqueles que, como as folhas, o tempo leva de um lado para o outro, variando o humor de acordo com com os ventos, os problemas e alegrias da vida.

Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org

Um conto sobre a não-ação e o taoismo


Taoismo - fazenda chinesa

Um velho fazendeiro trabalhava em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.

“Que má sorte!” eles disseram solidariamente.
“Talvez,” o fazendeiro calmamente replicou.

Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.

“Que maravilhoso!” os vizinhos exclamaram.
“Talvez,” replicou o velho homem.

No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má sorte, uma vez que seu filho era seu único ajudante naquele difícil trabalho dos campos.

“Que pena,” disseram.
“Talvez,” respondeu o fazendeiro.

No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo  que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.

O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente: “Talvez.”

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