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O Jogo do Privilégio – Neel Kolhatkar

O Jogo do Privilégio

O Jogo do Privilégio é um curta-metragem do diretor Neel Kolhatkar, o mesmo do polêmico e engraçado Educação Moderna. Desta vez, Kolhatkar apresenta o debate contemporâneo sobre ideologia de gênero, liberdade sexual, feminismo, machismo, racismo, conservadorismo e ativismo político como se fossem apenas regras de um grande jogo político e social.

De certa forma, muitos dos ativistas se comportam como se fizessem parte de um determinado “time”, assumindo de forma irrestrita e irrefletida todas as “ideias do pacote”, passando a impressão que de fato estão jogando um determinado jogo e assumindo todas as regras sem nenhuma seleção pessoal. Neste aspecto, o debate político e filosófico (principalmente no Brasil) mais parece com futebol do que com qualquer coisa séria.

Outra perspectiva do vídeo (nada animadora) é que não existe “um lado certo”, mas apenas relações de poder. Tudo seria apenas um jogo de poder onde certos grupos buscam cada vez mais privilégios.

O problema da proposta do jogo é que o objetivo final seria apenas ganhar dinheiro. Claro, ganhar dinheiro é ótimo (faz parte do jogo), mas, como dizia Aristóteles, “uma vida dedicada a ganhar dinheiro é uma vida de escravidão”.

No final das contas as pessoas também procuram sentido, buscando realizar sua existência de várias formas (não apenas financeira, mas também política, religiosa ou filosófica). Entretanto, se alguém dita as regras deste enorme jogo, devem ser grupos poderosos.

Se isso for verdade, então os mais apaixonados ativistas mal sabem para quem de fato estão trabalhando com tanta paixão. Ou quem eles estão enriquecendo. O Jogo do Privilégio

Claro que é bastante injusto que nesse jogo alguns comecem com tantos privilégios enquanto outros tenham de lutar tanto para conseguir algum espaço ou direito. Se tudo isso é um jogo, é óbvio que é um jogo cruel.

Porém existe um momento em que o Dealer do jogo afirma: “enquanto vocês estavam discutindo, ele chegou no topo”. É justamente o caso daqueles ativistas que lutam com todas suas forças deixando de lado os outros aspectos de suas vidas e até perdendo amigos.

Algumas vezes seus ativismos parecem muito mais a manifestação de distúrbios psicológicos, como fica claro em uma personagem do curta-metragem. Estes, normalmente, ficam para trás, pois sequer se dão conta das regras do jogo.

Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org

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