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Cultura e Cibercultura

cultura e cibercultura

A cultura é o conjunto de costumes, crenças e leis que se manifestam em um determinado povo.  Isso significa que toda cultura tem um contexto muito bem definido. Todos os povos têm uma identidade cultural que é construída ao longo de sua história, e a cultura de um determinado povo afeta a percepção de mundo dos seus indivíduosA cibercultura, por sua vez, é indiferente aos contextos e identidades culturais. Ela não representa a cultura de um determinado povo e liga pessoas de todas as culturas de forma indiscriminada. Isso torna a universalidade sua principal característica e provoca estranhamento, mudança de costumes e a criação de novos pontos de vista.

Além da universalidade, a cibercultura é pautada pela velocidade instantânea, pela falta de controle dos conteúdos publicados e pela liberdade quase absoluta. Tudo isso faz da cibercultura um ambiente caótico que desafia tanto a hegemonia da mídia tradicional quanto nossa própria visão de mundo que foi construída através cultura.

Mergulhamos em um oceano de informações para as quais nunca estamos preparados, e  isso parece ser apenas o início da cibercultura. A forma como vamos lidar com isso ainda está longe de ser respondida, porém, alguns de seus problemas já conhecemos bem, como a perda da privacidade, a superexposição, a exclusão digital e até mesmo a alienação.

A Inteligência Coletiva: Quando Cultura e Cibercultura juntam forças

cultura e cibercultura

Apesar disso tudo, alguns filósofos (como Pierre Levy) acreditam que a cibercultura é o embrião da inteligência coletiva, que é uma poderosa forma colaborativa de solução de problemas potencializada pela tecnologia da comunicação. A inteligência coletiva é a soma das inteligências individuais de várias culturas, contextos e países que trabalham de forma conjunta e compartilham soluções e ideias de forma pública. É a junção de várias visões de mundo em prol de uma solução coletiva. Atualmente existem vários exemplos de colaboração e projetos altruístas que só foram possíveis graças à internet.

No final das contas, a cibercultura reflete nossa própria natureza humana, pois ela pode tanto ser perversa e caótica quanto altruísta e generosa. Boa parte disso ocorre porque a tecnologia avança mais rápido que nossa evolução moral. Esta é inclusive uma das teses do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau(1712-1778): quanto mais avançamos nos conhecimentos técnicos e científicos, mais imoral vai se tornando a humanidade.  Até agora a história deu razão a Rousseau. Mas a história ainda não acabou, ainda podemos lutar para desmentir este filósofo. Que a cibercultura nos ajude nessa tarefa.

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Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org