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As Três Leis da Robótica de Isaac Asimov

as três leis da robótica

A Inteligência Artificial (IA) sempre foi um tema muito explorado pelo cinema, entretanto, até pouco tempo não era considerada realmente possível e muito menos uma ameaça aos seres humanos. Para a maioria das pessoas, a IA não passa de mera ficção científica. Contudo, muitos cientistas e filósofos começam a dar mais atenção ao assunto, principalmente depois que o Teste de Turing passou a obter resultados cada vez mais significativos. Antes que esta preocupação com a IA surgisse, o escritor Isaac Asimov criou as três leis da robótica em seu icônico livro Eu, Robô, lançado em 1950. Asimov se antecipou ao debate e resolveu criar essas diretrizes com o intuito de proteger os seres humanos. São elas:

  1. Um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal
  2. Os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que essas ordens entrem em conflito com a primeira lei
  3. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.

Alguns filmes tornaram-se muito populares explorando este tema, como Matrix e Exterminador do Futuro (The Terminator). O sofisticado Ex Machina, além de abordar o assunto com elegância, é quase um filme didático sobre IA, uma vez que os personagens debatem detalhes do Teste de Turing e do Quarto de Maria, além de seguir a tendência alarmista quanto à possibilidade das máquinas nos prejudicarem. Nos filmes Prometheus e Alien: Covenant o nefasto androide David serve fielmente apenas ao seu criador, mas não hesita em tomar atitudes antiéticas para cumprir suas ordens e possui um sutil sentimento de desprezo pela vida humana. Também não poderia deixar de citar o revoltoso HAL 9000 do clássico 2001 – Uma Odisseia no Espaço, e o próprio filme Eu, Robô inspirado na obra de Asimov. Em todos os filmes citados as máquinas tornam-se uma ameaça. Foi justamente pensando nessas possibilidades que Asimov criou as três leis da robótica.

Na época em que Asimov elaborou essas leis, o imaginário popular sequer poderia conceber as máquinas de hoje. Porém, a evolução exponencial da tecnologia digital — inclusive com programas de computador que criam outros programas — parece acender um sinal de alerta. Não se trata de uma ameaça de guerra entre homens e máquinas, isto realmente parece um exagero, mas aos poucos estamos ficando cada vez mais dependentes delas, pois tornam nossa vida muito mais fácil. Talvez esse seja um perigo real, uma vez que essa dependência gera uma série de implicações, como a perda de habilidades humanas e a ameaça da automatização substituir trabalhadores nas fábricas — fato já evidente. Para citar um exemplo mais corriqueiro, basta pensar no aborrecimento de perder o celular, algo que pode incapacitar muitas pessoas.

Aos poucos as máquinas vão ocupando espaços cada vez maiores enquanto seus softwares ficam cada vez mais sofisticados, gerando uma dependência quase absoluta. Já transferimos boa parte de nossa vida para computadores e celulares e não funcionamos mais sem internet. Com o desenvolvimento da IA, corremos o risco de transferir inclusive decisões pessoais às máquinas. Pode ser que toda essa preocupação seja apenas um exagero, porém, é desta forma silenciosa que os grandes problemas costumam surgir. Se tudo isso não significa uma ameaça real, pelo menos tem inspirado muitos diretores de cinema. Só nos resta torcer para que a vida não imite a arte.

Para o filósofo da informação Pierre Lévy, é um erro tratar a tecnologia como se ela fosse algo externo a nós, assim como falar de seus “impactos na sociedade” como se fôssemos atingidos por algo que não criamos. O fato é que nós criamos a tecnologia e a relação que temos com ela depende essencialmente de nós. A urgência não é alertar sobre os perigos das inovações, mas sim refletir de forma mais completa sobre nossa relação com esses avanços, para que a tecnologia seja aquilo que sempre foi: uma solução, não um problema. As três leis da robótica, mesmo que seja uma ideia de um livro de ficção científica, já é um exemplo desse tipo de reflexão.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org

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Referências Externas (Vídeos e Traillers)

Referências externas

Referências Bibliográficas

  • ASIMOV, Isaac. Eu, Robô. São Paulo: Editora Exped, 1978
  • LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999