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O verdadeiro valor do trabalho

o verdadeiro valor do trabalho

Quanto piores são as condições do trabalho, tanto mais valor transcendental ele tem (transcendental no sentido de superar todas as limitações). Gurdjieff, praticamente o único esotérico que gosto e que sobrou da minha juventude, afirmou que todo o mérito do homem reside na sua capacidade de “fazer”, e escrevia Trabalho com letra maiúscula. O verdadeiro resultado do trabalho não é a obra em si, mas o desenvolvimento interior e criativo que ele proporciona, que é de libertação da preguiça, da inanição e dos pensamentos ruins que teriam o mesmo efeito em nossa mente que um incêndio em um prédio.

A difícil condição que este homem do vídeo trabalha, e o resultado incrível, mostra que ele tem um grau de liberdade interior que muitas pessoas (com plena capacidade) não têm. Trabalhar, mesmo lavando louça, de forma consciente e com boa vontade dá ao homem uma percepção do presente e, em um nível maior, uma percepção clara dos próprios pensamentos. Quando isso ocorre, olhamos nossos pensamentos de forma objetiva pela primeira vez, como se olha uma assombração que sempre esteve ali. Deixamos de ser levados inconscientemente por eles. Para Gurdjieff, só o desenvolvimento metódico da força de vontade, e o enfrentamento intencional do desconforto, pode nos acordar do estado de sono e sonho que nos encontramos.

A partir desse nível, podemos fazer quase qualquer coisa. É possível chegar a tanto, conforme prometia Gurdjieff? A fala do Sr. Smith é um tapa na cara, pois quando dizem para ele “eu nunca conseguiria fazer isso”, ele responde “e o que você consegue fazer?”. A maioria das pessoas trabalha com “dupla consciência”, ou seja, trabalham com a mente em outro lugar. Estar de fato presente, com sua mente e corpo juntos, é uma tarefa mais difícil do que se imagina. Sobre o Sr. Paul Smith, o repórter fala: “sua determinação parece não ter fim”. Na verdade, foram as sugestões interiores de que aquilo é impossível que tiveram fim, então, não é mais o caso de determinação, mas de libertação.

O Sr. Smith tem um grau de liberdade que muitos não tem, e isso faz dele não apenas um grande exemplo, mas isso afeta também seu estado de espírito e disposição a tal ponto que ele se torna uma pessoa agradável e magnética. Uma funcionária da casa Rose Haven, onde ele mora, expressou isso de forma magnífica: “é muito bom ver sua arte, mas é melhor estar com ele”. Como todas as pessoas transcendentes, ele não gosta de falar de si mesmo ou de seu trabalho, preferindo agradar antes aos outros do que a si mesmo.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

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