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O Substituto – a leitura contra o holocausto intelectual

Cena do filme "O Substituto" sobre o habito da leitura

Nesta cena do filme “O Substituto“, de 2011, o personagem argumenta de forma contundente: sem o hábito da leitura, ficamos vulneráveis à manipulação de massa e opiniões alheias. Acontece que toda essa cultura de massa, principalmente no Brasil, parece ser exatamente como o personagem afirma. Por exemplo: para serem felizes, as mulheres devem ser belas, magras e bem vestidas. Alguns afirmam que a ditadura da estética que assombra a mulher é um refinado sistema de dominação em favor do consumismo. E os homens devem acreditar que as mulheres são produtos de consumo tal como uma cerveja. Tudo isso é de fato um holocausto intelectual.

A leitura impede que nossa mente fique restrita à mera opinião superficial e preguiçosa. A leitura abre caminhos, desenvolve a reflexão, sendo um de seus principais efeitos o surgimento de novas perspectivas. Através da leitura também podemos vivenciar novas experiências, de acordo com nosso comprometimento com o texto. Deixamos de ser vítimas indefesas de um senso comum que insiste diariamente em nos transformar em pessoas estúpidas.

Precisamos ler  — e enfrentar — textos mais longos e complexos. Não apenas receber bombardeios de notícias da TV ou uma leitura superficial pelas redes sociais (que apesar de tudo eu considero importantes). Todas essas informações rápidas são tendenciosas. Não precisamos apenas de leitura, mas também aprender a ler com desconfiança. Sem isso iremos apenas repetir frases feitas, que irão se instalar de forma dogmática em nossa mente até que sejamos apenas robôs instruídos com uma programação simplória.

O professor do filme faz uma sugestão de leitura: 1984 de George Orwell, uma obra prima que nos apresenta um quadro aterrador da alienação, do medo e da ansiedade impostos por um regime totalitário. A partir dessa obra, várias reflexões e comparações podem feitas.

Eu publiquei aqui no netmundi dois textos de minha autoria sobre as obras Revolução dos Bichos de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, que abordam a alienação e os sistemas de dominação. Na Coréia do Norte temos claramente uma Revolução dos Bichos. No Brasil vivemos algo como o Admirável Mundo Novo. Precisamos de uma verdadeira revolução para reverter esse quadro cultural medíocre, que destrói o espírito humano e torna pequena a vida das pessoas. E essa revolução, sem dúvida, passa pela leitura.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org

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