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O filme “A Bruxa” é terror de verdade

a bruxa

O diferente é demonizado. Tudo aquilo que nos é estranho, normalmente, é visto com desconfiança e medo. É execrado, escarnecido, desprezado. A indústria cinematográfica de tal forma se preocupa com o lucro que passou a financiar apenas filmes que repetem as mesmas fórmulas e clichês, pois o público quer ver aquilo que já conhece. Porém, o filme a Bruxa apresenta ao público o estranhamento e a surpresa. É terror sem susto nem grito. É denso, pesado, lento e angustiante. Horror em forma de arte que pouco liga para um público raso e automatizado. Para esses, a Bruxa é coisa do demônio, pois é diferente e enganador.

Folclore da Nova Inglaterra

A Bruxa

A Bruxa é um filme baseado no folclore e nos contos populares da Nova Inglaterra do século XVII, influenciados pela tradição religiosa dos imigrantes ingleses que chegaram aos EUA nesse período, o puritanismo.  Como não poderia ser diferente, existe nessa tradição elementos pagãos que são associados ao demônio. O filme explora justamente essa demonização das tradições pagãs, recorrente em qualquer tradição cristã. Tal como se deve esperar coisas fantásticas de um filme baseado no folclore brasileiro, da mesma forma se deve esperar coisas fantásticas de um filme baseado no folclore da Nova Inglaterra. Coisas como…bruxas? E a bruxa desse filme é tradicional e da pior espécie.

“A Bruxa” é uma experiência diferente

a bruxa

Foi incrível assistir, na sala de cinema, a reação negativa do público. É como se tivessem sido enganados, porém, ficam sem respirar em vários momentos. Um silêncio absurdo chega a tomar conta da sala. Mas não é isso mesmo que o diabo faz? Ele te engana! O público está fechado para experiências estéticas diferentes. Além da experiência na sala de cinema, quando falei do filme para uma doce senhora católica, ela me disse: “Não brinque com coisa séria meu filho”. De fato, esse filme cumpre seu papel de “filme de horror associado ao demônio”.

De tal forma as pessoas esperam sempre o mesmo que levam seus filhos para assistir esse filme. É como se o próprio filme fosse uma armadilha para levar crianças para uma bruxa, contando com essa superficialidade coletiva. Como uma casa de doces na floresta para joãozinhos e marias. Entretanto, a garotada não encontra uma bruxinha malévola, mas uma bruxa “de verdade”. Saem em silêncio do cinema tentando entender o que aconteceu e prontos para o pesadelo. Repetindo, é um filme de arte e de horror. Riquíssimo em referências ocultistas, pagãs e cristãs. Pesado, negro, desolador. Estou com vontade de assistir de novo, me vestir de preto e ficar na porta do cinema para receber os pais e suas crianças e dizer com ar soturno: “sejam muito bem vindos”. No mais, é talvez um dos melhores filmes de horror que já assisti.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

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