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Pseudoprofundidade: o teatro da mentira

Pseudoprofundidade - o teatro da mentira

Pseudoprofundidade é uma forma de falar coisas óbvias como se fosse algo profundo e revelador. Apesar de não se tratar de uma falácia — mas sim de uma habilidade teatral — a pseudoprofundidade costuma caminhar lado a lado com as falácias, pois é uma forma de camuflar argumentos incoerentes com falso revestimento de “sabedoria profunda ou divina”.

Muitos líderes religiosos, políticos e gurus (espirituais e corporativos) são especialistas nesta estratégia. Normalmente é utilizada para abordar os grandes temas da vida, como as questões existenciais, o amor e a morte.

Pseudoprofundidade nas religiões


pseudoprofundidade

Imagine o orador em silêncio. De repente, ele começa a falar pausadamente algo óbvio, como: “Para morrer, basta estar vivo”, “É importante conhecer a si mesmo”, “Deus é misterioso” e coisas afins.

A forma como a frase é dita, a teatralidade dos gestos e o fundo musical compõem a pseudoprofundidade. A impressão, para o crédulo, é de grande verdade. Gritar e chorar também são recursos que denotam inspiração.

Ao assistir programas religiosos, podemos perceber facilmente —  além da pseudoprofundidade —  as falácias da falsa autoridadedo argumento divinizado, do apelo à ignorância e da rampa escorregadia. Claro, é uma estratégia é utilizada apenas pelos desonestos.

Pseudoprofundidade nas empresas


pseudoprofundidade palestrante

No mundo corporativo, criar jargões e neologismos é uma forma de parecer inteligente. Assim, um clichê pode ser dito com outras palavras, passando a impressão de domínio do conhecimento.

A habilidade interpessoal estimula a sinergia da equipe e gera resultados sólidos, ou seja, uma equipe que se comunica bem consegue bons resultados. Excesso de termos em inglês também é um recurso muito utilizado.

Preferencialmente, o orador deve ter “experiências de sucesso”, boa vestimenta, slides e segurança na voz. Por isso, a pseudoprofundidade é aliada da falácia da falsa autoridade.

No meio empresarial, em muitos casos, os palestrantes estão falando as mesmas coisas com outras palavras.

Pseudoprofundidade na política


Na Alemanha Nazista e na União Soviética de Stalin a propaganda política grandiosa transmitia uma impressão paternal e revolucionária em prol do futuro de uma grande nação, mas no fundo escondia a personalidade doentia e genocida de seus líderes.

A pseudoprofundidade na política foi explorada no livro 1984, de George Orwell. Cartazes com a frase O grande irmão zela por você transmitiam a ideia de proteção, contudo, a população era dominada pelo medo. Essa discrepância exibia o discurso político falacioso.

Na Alemanha Nazista e na União Soviética de Stalin a propaganda política transmitia impressão paternal e revolucionária em prol do futuro da nação, mas escondia a personalidade doentia de seus líderes.

É comum durante eleições a utilização de alertas sombrios, demonstrando com dados históricos e teorias econômicas o “desastre que está por vir”. Nesse caso, como a maioria dos eleitores é influenciável, vence o candidato que transmite melhor impressão, mesmo que falsa.

Para os bons observadores, a pseudoprofundidade é motivo de piada, porém, ainda é uma ferramenta poderosa de manipulação.

Autor: Alfredo Carneiro


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