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O nascimento da alma

o nascimento da alma

A beleza deste vídeo está no momento em que os garotos decidem: “isso eu não faço“. Hannah Arendt nos disse que a “alma” só nasce no individuo quando ele toma decisões dessa natureza. São decisões solitárias contra ordens e tradições onde nos negamos a fazer algo que parece muito errado, apesar do apelo do grupo. Seria o segundo nascimento do homem. Alias, é exatamente o que afirma um dos garotos: “é porque sou um homem“.

Enquanto agimos de acordo com nossa cultura e tradição, agimos de forma adestrada, ainda que isso seja importante, em um primeiro momento, para a organização dos povos.  Mas quando agimos contra ordens e tradições por julgá-las injustas, então nasce a personalidade. Esta personalidade é o que chamamos aqui de “alma”, enquanto afirmação da da indenidade e singularidade de cada ser humano.

Arendt assistiu ao julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann e espantou-se com a falta de consciência daquele homem. Eichmann dizia que era inocente, pois não havia feito nada de errado, afinal, estava cumprindo ordens (ordens de participar da morte de milhares de judeus). Arendt surpreendeu a todos declarando que Eichmann não era um monstro, na verdade não era ninguém, pois sequer tinha uma “alma” (que para ela seria o equivalente a ser consciente, ter uma personalidade). O terrível naquele homem era sua absoluta normalidade e fidelidade às ordens. Nascia o conceito de Mal Banal.

Reparem que a maioria dos meninos buscam respostas para negar a ordem, contudo, o importante era que a ordem já estava negada a priori.  Essa negação vem de dentro, pois algo parece errado com a ordem dada. Ouvir nossas intuições é um dos mais seguros caminhos para o desenvolvimento da personalidade e da consciência.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

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