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Falácia do argumento divinizado

Falácia do Argumento Divinizado

Deus disse, logo é inquestionável!”. Esse é um típico exemplo de argumento divinizado, uma versão religiosa da falácia do apelo à autoridade. Ainda hoje milhares de pessoas aceitam esse tipo de argumento, pois envolve fatores que prejudicam o bom uso da razão.

Líderes religiosos desonestos (de qualquer religião) utilizam a mesma estrutura formal para dar autoridade ao seu argumento: “a Escritura Sagrada declara x, logo é certo afirmar y!”, em que y é a opinião pessoal do orador (que esconde outros interesses). O argumento é reforçado com exemplos de doenças, acidentes, curas, boa sorte, azar, etc.

Mais do que simples falácia, o argumento divinizado é também um tipo de lavagem cerebral causada pela exposição contínua de discursos que, apesar de logicamente incoerentes, têm impacto efetivo no comportamento das pessoas, pois afeta as funções racionais.

Assim, ainda que um indivíduo do grupo religioso questione esses argumentos, pode temer que algo ruim ocorra por pensar assim (pois torna-se medo inconsciente). Caso enfrente alguma adversidade, pode acreditar que o problema foi causado pela dúvida. Porém, problemas ocorrem a todo momento. Líderes desonestos sabem disso e esperam que os fiéis acreditem que os problemas são causados por motivos espirituais.

No Brasil, muitos líderes (políticos ou religiosos) utilizam o argumento divinizado recorrendo a passagens da Bíblia para conceder autoridade divina ao seu argumento, que muitas vezes escondem, como foi dito, interesses pessoais.

Textos religiosos são registros de sabedoria, nasceram do desafio e da adversidade. Quando considerados dentro de seu momento histórico, podem conter valiosos conselhos. Porém, quando a falácia do argumento divinizado é identificada, podemos questionar a honestidade do argumentador ou sua falta de habilidade em interpretar esses textos.

Autor: Alfredo Carneiro

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