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O argumento divinizado

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Deus disse, logo, é inquestionável! Este é um típico exemplo de argumento divinizado. É uma versão mística da falácia do apelo à autoridade. Por mais ridículo que pareça, ainda hoje milhares de pessoas aceitam esse tipo de coisa, não importa qual religião estamos tratando. Quando se trata desta falácia, a maioria das religiões utiliza esta mesma estrutura formal para dar autoridade absoluta ao argumento.

A autoridade do discurso é dada por Deus através de um texto sagrado, revestindo de luz divina a interpretação, intenção, ou opinião de um líder religioso. “Alá disse:”, como nesse vídeo, ou então, “A Bíblia diz que x, logo y”, ou “A Torah afirma x, logo, y”. A estrutura formal é a mesma. No Brasil muitos líderes religiosos utilizam esse recurso para divinizar seus discursos, utilizando a Bíblia para conceder autoridade divina ao argumento. Na maioria das vezes para conseguir trocados ou difundir ódio em nome do amor de Deus. Admito, entretanto, que existem líderes que divinizam o argumento em favor da caridade. Se Deus existe, deve ser isso que ele deseja. E nesse caso, talvez este seja de fato um argumento divino.

Esse vídeo é um discurso fundamentalista contra judeus, cristãos e politeístas. Bem mais grave que a mera pilantragem brasileira, pois incita o genocídio. Apenas os adeptos da religião islâmica seriam salvos. O argumentador deseja a morte de milhares de pessoas, pois foi “ordenado por Deus”. Contudo, o recurso da divinização é o mesmo utilizado por qualquer outro líder religioso. O que altera é apenas a semântica.

Mudam os textos e os deuses mas não muda a falácia. É absurdo que nos dias atuais ainda exista espaço para uma ética da Era do Ferro. Isso mostra que, a despeito de nossa evolução tecnológica, na ética nosso pensamento ainda é infantil. Os textos religiosos de todos os povos são importantes registros de sabedoria, são conhecimentos que nasceram do desafio e da adversidade. Mas devem ser considerados dentro de seu momento histórico. Porém, quando surge o argumento divinizado em favor da violência, do ódio e da intolerância, devemos considerar que ou Deus ou o argumentador está errado. Quem você escolhe?

Autor: Alfredo Carneiro

Editor do netmundi.org
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