HOME

Mad Max: Um furioso espetáculo da tragédia humana

Mad Max e a estrada da fúria

Mad Max: Estrada da fúria é um filme com uma tendência feminista. Mas esse não é o ponto principal e afirmar que é um “filme feminista” é exagero, pois filmes feministas desprezam os homens (que seriam seres secundários diante da superioridade feminina). Nem todos os homens são desprezíveis e quase toda generalização moral é burra.  E no filme as mulheres em fuga contam com o apoio dos homens, que por elas são capazes de gestos nobres e sacrifícios. A novidade  é outra: transformar a tragédia em um espetáculo furioso mesclado com religião e rock.

O machismo

Mad Max e a estrada da fúria

A dominação machista e a alienação religiosa são representadas por Immortan Joe, um vilão feio, nojento, perverso e ególatra. O vilão do filme, como todo machista, vê a mulher como um objeto que serve unicamente para seu prazer  ou, no máximo, gerar filhos saudáveis. Esse personagem é representado da forma mais feia possível, como convém a uma personalidade doentia.

A religião

mad max religion

A “religião” que aparece no filme é um culto à personalidade do líder religioso, e isso não é novidade alguma no Brasil. Venera-se o líder como quem venera a Deus. Deus e o líder convenientemente se confundem, e o tal líder é sempre uma personalidade doentia e maluca. Sempre. Nenhuma novidade até aqui.  Basta ligar a televisão para ver algo parecido. Essa face da tragédia humana já tornou-se um “mal banal” em nosso país.  A decepção com a religião e a conversão a uma causa  justa, que ocorre com um dos “garotos da guerra”, é um ponto positivo do filme. Bem melhor sacrificar-se pela felicidade dos outros do que por uma falsa liberdade metafísica, não é mesmo?

Mad Max é uma Opera Rock

mad-max-guitarrista

Mas o que faz de Mad Max um filme diferente é o tom de “ópera rock” em velocidade insana, tudo graças ao personagem do guitarrista, esse sim, uma novidade que transformou o filme em uma espécie de mega show bizarro. De certa forma, o guitarrista transforma o drama e a tragédia em coisa secundária, e toda a história assume um tom de espetáculo insano.

Temos a impressão de que não estamos acompanhando uma história, mas assistindo um show de rock com efeitos especiais dantescos, explosões, mortes espetaculares e furacões elétricos. Os “garotos da guerra” que perseguem o comboio feminino mais parecem espectadores enlouquecidos de um show de Heavy Metal. Não parecem que estão perseguindo alguém, mas se divertindo.

O filme lança o espectador em uma experiência estética, e não tanto em uma reflexão sobre as críticas religiosas e feministas implícitas no filme. Como ocorre nos dias atuais, não temos tempo para pensar, pois é preciso sempre correr e lutar furiosamente.

O espetáculo da tragédia

Quando acaba o filme, acabou o show. Essa é a impressão geral e quem não gosta de um bom show rock pode não gostar de Mad Max. O mérito do filme é transformar a tragédia humana em um breve espetáculo insano. Imperatriz Furiosa, a personagem vivida por Charlize Theron, teve seu nome bem escolhido, afinal, a fúria é também uma forma de enfrentamento da vida.

Nietzsche foi claro nesse aspecto: “Nunca faças perguntas. Nada de lamúrias! Agarra, agarra sempre”. Viver, na perspectiva do filme, é estar em alta velocidade em uma estrada da fúria. E, convenhamos, a vida moderna é mais ou menos isso.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

Você pode apoiar este projeto clicando na propaganda abaixo. Muito obrigado!