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Interestelar: a solidão é transcendental

Interestelar

São tantas as perspectivas filosóficas que podem ser exploradas no filme Interestelar que é preciso escolher. Então escolhi a ideia da solidão absurda do espaço, enfrentada pelos astronautas do filme. A solidão imensa é a mãe de todas as grandes verdades, ou pelo menos das verdades escondidas e transcendentais. Em nossa própria casa — no conforto de nossas crenças — só encontramos respostas artificiais e confortáveis. ATENÇÃO, CONTÉM SPOILER

Para ir além, é preciso se despir de algumas coisas, afastar-se infinitamente. Só então surgem as grandes respostas. Não quero aqui afirmar que as grandes revelações irão derrubar as coisas que acreditamos, mas que, talvez, podem confirmá-las de forma mais intensa.

A solidão antecede as grandes ideias

Albert Einstein

A teoria da relatividade, usada em todo o filme Interestelar, nasceu da solidão de Einstein. O próprio Einstein falava muito da solidão, e passava muito tempo só. Abriu mão de muitas coisas extremamente valorizadas pela humanidade, e conseguiu perceber algo quase impossível para um ser humano. Confira aqui no netmundi algumas frases de Einstein.

Outro grande gênio da humanidade, Wittgenstein, era solitário e chegou a se isolar em uma cabana. Foi um dos grandes representantes da filosofia analítica e “descobriu” os jogos de linguagem, conceito constrangedor que as pessoas dogmáticas evitam. Confira aqui algumas frases de Wittgenstein.

Em Interestelar, Tars pode representar o diálogo interior

interestelar

O vazio, a angústia e a solidão acabam proporcionando grandes revelações, apesar do sofrimento que causam. A verdade oculta na trama de Interestelar se apresentou no momento em que Cooper sentiu-se totalmente só, abandonado, distante e desesperado. Contudo, a verdade se revela com a ajuda do robô Tars, que surgiu como a voz interior que dialogamos quando estamos sós. Tars apenas ajudou, mas a percepção da verdade veio de Cooper, que graças ao hipercubo estava assistindo o passado a partir de um infinito distanciamento.

Repare que, em determinado momento, Cooper passa a se comunicar com Tars de uma forma muito específica, como se refletisse com a ajuda da voz robótica que surge em seu capacete. Posteriormente Tars passa a ser um “amigo” de Cooper, com quem ele conversa como se fosse com outra pessoa.  Esta ideia pode ser comparada ao daemon de Sócrates, a voz interior que advertia o filósofo grego. Leia aqui um texto de minha autoria sobre o daemon.

astronauta interestelar

Porém, diferente dos astronautas do filme, não são todos os que estão dispostos a se afastar tanto de seus conceitos ou crenças; de enfrentar a solidão imensa. A verdade também surge no filme como algo ligado ao sacrifício, pois no conforto só achamos mentiras confortáveis. Novos conceitos, confirmações e planetas podem estar esperando aqueles que decidem enfrentar o afastamento e a solidão.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

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