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Filosofia e achismo

filosofia e achismo

Existe uma ideia do senso comum de que filosofia é achismo. Pode-se ouvir por aí coisas do tipo “isso aqui não é filosofia, aqui ninguém acha nada“,  como se estivesse falando de “coisa séria”. Na verdade, a filosofia pensa uma forma muito específica, de forma silogística, buscando conectar ideias de forma lógica. Quem “acha” as coisas é o senso comum. Acha por achar sem conexão de ideias e geralmente baseado em um paradigma politico, religioso ou até mesmo científico. Quem “acha” que filosofia é achismo já está no âmbito do senso comum, achando coisas. E achando errado, claro, pois geralmente o “achismo” não sabe bem porque acha tal coisa.

O filósofo não tem essa liberdade do achismo. Se determinadas ideias se conectam e vão contra o senso comum, seu compromisso é com a verdade, e não com as conclusões prontas de um grupo. Por isso diz-se que fazer filosofia é viver no exílio, pois pensar bem quase sempre é um ato subversivo. 

Um indivíduo que pensa a partir do senso comum pensa apenas o que é permitido, e sua conclusão já está posta antes mesmo dele concluir por ela, dando-lhe a ilusão de razão. Assim funcionam os paradigmas. Um integrante de uma religião ou partido político acha e conclui apenas aquilo que seu grupo já determinou. Tal é a “lógica” do senso comum. A filosofia conclui logicamente baseada na conexão de fatos e ideias. Por isso Wittgenstein disse que Deus pode criar tudo, salvo o que contrariasse as leis da lógica. Por isso o filósofo desconfia até do que “Deus” disse, coisa que o povo não ousa questionar.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

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