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Fedro, de Platão – Sobre o amor platônico

trecho da obra fedro de platão

Na obra Fedro, de Platão, Sócrates explica a Fedro sobre a visão da beleza das verdades eternas. Nestes três parágrafos está o momento exato do nascimento do termo “amor platônico”. O senso comum acabou utilizando este termo para falar de amores não correspondidos, porém, o amor platônico se refere à lembrança da beleza, que apenas a alma do filósofo consegue recordar.

Trecho da obra Fedro

A alma que nunca evoluiu e nunca contemplou a verdade não pode tomar a forma humana. A causa disso é a seguinte: a inteligência do homem deve se exercer de acordo com aquilo que chamamos ideia; isto é, eleva-se da multiplicidade de sensações desse mundo para o raciocínio. Ora, essa faculdade nada mais é que a lembrança das Verdades Eternas que ela contemplou quando acompanhou a alma divina.  

Por isso, convém que somente a alma do filósofo tenha asas: nele, mais do que nos outros, a memória permanece fixada nessas verdades, o que o torna semelhante a um deus. É apenas pelo bom uso dessas lembranças que o homem se torna perfeito, podendo receber em alto grau a consagração dos mistérios. Um homem desses se desliga dos interesses humanos e dirige seu espírito para os objetos divinos; a multidão o considera louco, sem perceber que nele habita a divindade.

O filósofo é tomado do seguinte delírio: quando alguém neste mundo vê a beleza e recorda-se da beleza verdadeira, recebe asas e deseja voar; não podendo, porém, volta seu olhar para o céu esquecendo os negócios terrenos e dando desse modo a entender que está delirante. De todos os delírios, esse é o melhor e da mais pura origem, saudável para quem o possui e dele participa. Quem delira assim, ama o que é belo e chama-se amante.

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