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Falácia do apelo à ignorância

falácia do aple à ignorancia

A falácia do apelo à ignorância (argumentum ad ignorantum) ocorre quando, para afirmar que algo é verdadeiro, dizemos que é verdadeiro pois não foi provado que é falso, e vice-versa. Uma pessoa que acredita em duendes pode afirmar que eles existem porque não foi provado que eles não existem, ou alguém que acredita em fantasmas porque não foi comprovado que eles não existem.

Os exemplos são inúmeros. Se você usar a criatividade, poderá criar alguns rapidamente, por exemplo: ninguém conseguiu provar a existência de Deus, então ele não existe. Ninguém conseguiu provar que Deus não existe, logo ele existe. Existe vida extraterrestre, pois ninguém conseguiu comprovar que não existe. Vida extraterrestre não existe, pois ninguém conseguiu provar que existe. Todos esses são argumentos falaciosos de apelo à ignorância.

Exceções do apelo à ignorância

Contudo, existem situações onde  o apelo à ignorância é válido. Uma delas está expressa em um termo jurídico chamado princípio da presunção da inocência. Ocorre quando a pessoa que propõe a acusação não consegue provar sua verdade. Se não consigo provar que aquele sujeito cometeu um crime, então ele é inocente. E ponto final. Somente posso prender alguém com justificativas concretas. Nesse caso, estamos falando de coisas que precisam ser comprovadas empiricamente, com fatos e evidências.

Nos casos dos duendes, Deus, anjos, alienígenas fantasmas e outros, caímos em um círculo falacioso,  por exemplo,  “não posso provar que existe mas você não pode provar que não existe“. Parece estranho, mas existem muitas pessoas utilizando este argumento nas religiões quando, na minha mera opinião, isso não é necessário.

Apelo à ignorância nas religiões

As religiões atendem à necessidades muito íntimas e específicas, como o desejo de sentido. Trazer a fé para o debate lógico é algo infrutífero pois o ser humano sempre terá desejo de sentido. Se não for pelas religiões poderá ser por outras coisas. Antes entrar em um debate religioso acusando alguém de uso do ad ignorantum, pergunte-se antes se o seu oponente (ou você mesmo) pode viver sem Deus, e então você terá um dilema ético. Além do mais, dificilmente um religioso irá abandonar aquilo que dá sentido a sua vida só por causa disso. Se for o caso de combater mentiras e desonestidades de líderes religiosos, não é tanto um debate religioso, mas político e moral. O argumentum ad ignorantum é utilizado mais em questões metafísicas.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter: @alfredo_mrc

Referências Internas

  1. Categoria Falácias do netmundi

Referências Externas

  1. Guia das falácias de Stephen Downes (PDF)
  2. Wikipédia: Falácias
  3. Enciclopédia das Falácias