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Falácia do apelo à ignorância

Falácia do apelo à ignorância
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A falácia do apelo à ignorância (argumentum ad ignorantum) ocorre quando, para afirmar que algo é verdadeiro, dizemos que é verdadeiro pois não foi provado que é falso, e vice-versa. Por exemplo: uma pessoa que acredita em duendes pode afirmar que eles existem porque não foi provado que não existem. O nome dessa falácia vem da alegação do argumentador de que ignoramos supostos fatos envolvidos para, em seguida, concluir a crença de sua preferência.

Apelo à ignorância: Exemplos

  • Deus existe, pois ninguém conseguiu provar que não existe.
  • Deus não existe, pois ninguém conseguiu provar que existe.
  • Existe vida fora da Terra, pois ninguém conseguiu provar que não existe.
  • Não existe vida fora da Terra, pois ninguém conseguiu provar que existe.

Em todos esses exemplos, o argumentador alega ignorância, falta de conhecimento ou provas, concluindo assim o que quiser, contudo, o apelo à ignorância é uma falsa premissa; não sustenta uma argumentação lógica. Todos esses argumentos são malabarismos linguísticos utilizados para criar falsos dilemas.

Nesses casos, vale o conselho dado pelo filósofo britânico Bertrand Russell:

“O conselho intelectual que eu gostaria de deixar é este: quando você está estudando um assunto ou considerando alguma filosofia, pergunte a si mesmo quais são os fatos e qual é a verdade que esses fatos revelam. Nunca se deixe divergir pelo que você gostaria de acreditar ou pelo que você acha que traria benefícios às crenças sociais se fosse acreditado. Olhe apenas e somente para quais são os fatos.”

Assim, basear crenças em fatos concretos é a forma mais segura para a argumentação válida. É diferente de tentar validar crenças pessoais alegando, por exemplo, nosso suposto desconhecimento sobre um assunto, como ocorre na falácia do apelo à ignorância.

AutorAlfredo Carneiro – Graduado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília.

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