{"id":3008,"date":"2019-03-14T21:31:22","date_gmt":"2019-03-14T21:31:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/?p=3008"},"modified":"2025-06-27T21:58:11","modified_gmt":"2025-06-27T21:58:11","slug":"antropologia-da-religiao-introducao-e-principais-autores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/antropologia-da-religiao-introducao-e-principais-autores\/","title":{"rendered":"Antropologia da Religi\u00e3o: introdu\u00e7\u00e3o e principais autores"},"content":{"rendered":"\n<p>A Antropologia da Religi\u00e3o, em suas fases iniciais, dedicou-se ao estudo da mitologia dos &#8220;povos primitivos&#8221;. <strong>Este inicio se deu atrav\u00e9s do ponto de vista do &#8220;homem civilizado&#8221;, que entendia a si mesmo como integrante de uma cultura mais evolu\u00edda<\/strong> \u2014 estando os demais povos em estado de infantilidade cultural e espiritual. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pr\u00f3pria designa\u00e7\u00e3o &#8220;primitivo&#8221; j\u00e1 indicava esta vis\u00e3o depreciativa<\/strong>. Entretanto, com o passar do tempo,  todos os povos e religi\u00f5es passaram a ser analisados e comparados pelos antrop\u00f3logos.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra &#8220;mito&#8221;, ent\u00e3o, pelo menos para os antrop\u00f3logos modernos, perdeu o sentido de &#8220;cren\u00e7as dos povos antigos&#8221; e assumiu a ideia de que todas as religi\u00f5es, em certa medida, possuem elementos mitol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Existe at\u00e9 uma anedota sobre mitologia quando comparada com a cren\u00e7a pessoal: <\/strong><em><strong>&#8220;mitologia \u00e9 a religi\u00e3o dos outros&#8221;<\/strong>.<\/em> Com o tempo, a Antropologia da Religi\u00e3o passou a evitar esse tipo de interpreta\u00e7\u00e3o, pois distorcia a realidade dos povos estudados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apesar disso, o fen\u00f4meno religioso n\u00e3o deve ser entendido como algo superficial ou mera supersti\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muito menos como cren\u00e7as de um povo menos desenvolvido, afinal, <strong>trata-se de um fen\u00f4meno universal que acompanhou todos os povos e ajudou a organizar comunidades desde o surgimento do homem no planeta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A civiliza\u00e7\u00e3o, como a entendemos hoje, ainda \u00e9 bastante recente se compararmos com os povos ancestrais que sobreviveram por milhares de anos com o apoio dos mitos e dos v\u00e1rios ritos de nascimento, colheitas, inicia\u00e7\u00e3o, morte e muitos outros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a isso, o estudo das religi\u00f5es atrai antrop\u00f3logos, fil\u00f3sofos e cientistas que buscam compreender o comportamento humano e as sociedades como um todo. <\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento espont\u00e2neo das religi\u00f5es em absolutamente todos os povos indica, para muitos desses pesquisadores, uma necessidade de dar sentido ao mundo, \u00e0 comunidade, \u00e0 realidade aterradora e \u00e0 pr\u00f3pria morte.<\/p>\n\n\n\n<p>E mesmo hoje n\u00e3o existe na\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tenha nas religi\u00f5es (ou nos mitos) um dos pilares culturais de sua forma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, de forma alguma as religi\u00f5es s\u00e3o um objeto de estudo superficial.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre isso, a autora Maria L\u00facia Aranha diz: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O mito \u00e9 uma intui\u00e7\u00e3o compreensiva da realidade, uma forma espont\u00e2nea de o homem situar-se no mundo. As ra\u00edzes do mito n\u00e3o se acham nas explica\u00e7\u00f5es racionais, mas na realidade vivida, portanto, pr\u00e9-reflexiva, das emo\u00e7\u00f5es e da afetividade. (\u2026) A fun\u00e7\u00e3o do mito n\u00e3o \u00e9, primordialmente, explicar a realidade, mas acomodar e tranquilizar o homem em um mundo assustador. (ARANHA &amp; MARTINS, 2002)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um dos mais conhecidos estudiosos dos mitos e das religi\u00f5es, o fil\u00f3sofo romeno <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mircea_Eliade\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Mircea Eliade (abre numa nova aba)\">Mircea Eliade<\/a>, afirma que uma das principais fun\u00e7\u00f5es dos mitos \u00e9 estabelecer modelos para as atividades mais importantes de qualquer comunidade, como os nascimentos e casamentos, inclusive dando um sentido existencial \u00e0 morte. Vejamos o que diz Eliade sobre isso: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A forma sobrenatural de descrever a realidade \u00e9 coerente com a maneira m\u00e1gica pela qual o homem age sobre o mundo, como, por exemplo, com os in\u00fameros ritos de passagem do nascimento, do casamento, da morte, da inf\u00e2ncia para a idade adulta. (\u2026) Quando acaba de nascer, a crian\u00e7a s\u00f3 disp\u00f5e de uma exist\u00eancia f\u00edsica; n\u00e3o \u00e9 ainda reconhecida pela fam\u00edlia nem recebida pela comunidade. S\u00e3o os ritos que se efetuam imediatamente ap\u00f3s o parto que conferem ao rec\u00e9m-nascido o estatuto de \u2018vivo\u2019 propriamente dito; \u00e9 somente gra\u00e7as a estes ritos que ele fica integrado na comunidade dos vivos. (\u2026) No que diz respeito \u00e0 morte, os ritos s\u00e3o tanto mais complexos quanto se trata n\u00e3o somente de um \u2018fen\u00f4meno natural\u2019 , mas tamb\u00e9m de uma mudan\u00e7a social: o morto deve enfrentar certas provas post-mortem e ser reconhecido pela comunidade dos mortos e aceito entre eles (ELIADE, 1999).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Origem da Antropologia da Religi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"196\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/tribal-draw.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3019\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/tribal-draw.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/tribal-draw-300x98.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mural de animais tot\u00eamicos da cultura abor\u00edgene. Os povos nativos da Austr\u00e1lia foram a principal fonte de pesquisa do antrop\u00f3logo franc\u00eas \u00c9mile Durkheim, considerado o pioneiro da Antropologia da Religi\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A Antropologia da Religi\u00e3o \u00e9 uma ramifica\u00e7\u00e3o da Antropologia<\/strong>, que \u00e9 o estudo que busca o conhecimento do ser humano em sua totalidade (do grego anthropos=homem e logos=estudo). <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que significa dizer que a Antropologia procura entender a rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos e culturas, suas hist\u00f3rias, linguagens, valores, cren\u00e7as ou costumes<\/strong>; incluindo a origem, a evolu\u00e7\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros fil\u00f3sofos j\u00e1 faziam perguntas a respeito do impacto das rela\u00e7\u00f5es sociais sobre o comportamento humano. Neste per\u00edodo \u00e9 que se come\u00e7a a falar que tudo o que existe possui uma &#8220;medida humana&#8221;, <strong>quer dizer, o ser humano \u00e9 o centro da discuss\u00e3o acerca do mundo<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Os antigos escritores gregos relataram passagens a respeito das culturas com as quais mantinham contato pela vizinhan\u00e7a ou pela guerra, <strong>que eram diferentes das suas tradi\u00e7\u00f5es<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Podemos dizer que nesses textos, encontramos os primeiros vest\u00edgios daquilo que hoje chamamos de Antropologia<\/strong>, porque eram relatados costumes e tradi\u00e7\u00f5es que pertenciam a um determinado povo.<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange a nossa hist\u00f3ria brasileira, podemos tomar como exemplos a <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"carta de Pero Vaz de Caminha (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Carta_de_Pero_Vaz_de_Caminha\" target=\"_blank\">carta de Pero Vaz de Caminha<\/a> e os retratos de <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2019\/jean-baptiste-debret-40-imagens-para-ver-e-baixar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Jean-Baptiste Debret (abre numa nova aba)\">Jean-Baptiste Debret<\/a> como valiosos registros antropol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o antrop\u00f3logo <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Fran\u00e7ois Laplantine (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Fran%C3%A7ois_Laplantine\" target=\"_blank\">Fran\u00e7ois Laplantine<\/a> afirma que \u201co homem nunca parou de interrogar-se sobre si mesmo. Em todas as sociedades existiram homens que observavam homens (\u2026) <strong>Mas o projeto de fundar uma ci\u00eancia do homem \u2013 uma Antropologia \u2013 (\u2026) \u00e9 recente<\/strong>\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Todos os campos do conhecimento se interessam pelo homem, por isso foram surgindo, ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, uma s\u00e9rie de subdivis\u00f5es que se propuseram a esta investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na Antropologia, isso gerou v\u00e1rias ramifica\u00e7\u00f5es, dentre as quais se situa a Antropologia da Religi\u00e3o. Algumas delas s\u00e3o<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Antropologia_filos%C3%B3fica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Antropologia Filos\u00f3fica (abre numa nova aba)\">Antropologia Filos\u00f3fica<\/a><\/strong> &#8211; \u00e9 a disciplina da Filosofia que tem a tarefa de responder \u00e0 seguinte pergunta: \u201cO que \u00e9 o homem?\u201d Seu enfoque se faz pelo seu objeto formal, ou seja, o estudo da ess\u00eancia do homem. <\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Antropologia_teol%C3%B3gica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Antropologia Teol\u00f3gica (abre numa nova aba)\">Antropologia Teol\u00f3gica<\/a><\/strong> &#8211; No cristianismo, \u00e9 a parte da teologia que trata dos v\u00e1rios aspectos do ato criador de Deus em Jesus Cristo. Para o cristianismo, o homem \u00e9 o centro da cria\u00e7\u00e3o e foi salvo em Jesus, por isso deve responder com o seu comportamento crist\u00e3o ao amor e aos benef\u00edcios de Deus na esperan\u00e7a da plenitude futura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Antropologia_f%C3%ADsica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Antropologia F\u00edsica (abre numa nova aba)\">Antropologia F\u00edsica<\/a><\/strong> &#8211; enfatiza as abordagens descritivas e tipol\u00f3gicas dos povos, baseadas na morfologia, como a coleta de medidas antropom\u00e9tricas da face, cr\u00e2nio, tronco e membros das popula\u00e7\u00f5es pesquisadas. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antropologia Ecol\u00f3gica<\/strong> &#8211; nova disciplina que d\u00e1 enfoques ecol\u00f3gicos \u00e0 Antropologia, abrindo-se para o terreno dos valores \u00e9ticos, dos conhecimentos pr\u00e1ticos e dos saberes tradicionais. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antropologia M\u00e9dica<\/strong> &#8211; \u00e9 parte da Antropologia que considera que a sa\u00fade e o que se relaciona a ela (conhecimento do risco, id\u00e9ias sobre preven\u00e7\u00e3o, no\u00e7\u00f5es sobre causalidade, id\u00e9ias sobre tratamentos apropriados etc.) s\u00e3o fen\u00f4menos culturalmente constru\u00eddos e culturalmente interpretados. <\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Antropologia_da_alimenta%C3%A7%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Antropologia da alimenta\u00e7\u00e3o (abre numa nova aba)\">Antropologia da alimenta\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong> &#8211; analisa a produ\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica referente \u00e0s pr\u00e1ticas, h\u00e1bitos e concep\u00e7\u00f5es de consumo alimentar de segmentos de trabalhadores rurais e urbanos. <\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Antropologia_cultural\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Antropologia Cultural ou Social (abre numa nova aba)\">Antropologia Cultural ou Social<\/a><\/strong> &#8211; \u00e9 a \u00e1rea da Antropologia que estuda a cultura e a sociedade. Estuda-se aqui o comportamento do homem, sobretudo, aqueles que dizem respeito \u00e0s atitudes padronizadas e rotineiras. A cultura \u00e9 vista aqui, n\u00e3o como uma erudi\u00e7\u00e3o ou sofistica\u00e7\u00e3o, mas como a forma de vida de um grupo de pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antropologia da Religi\u00e3o<\/strong> &#8211; \u00e9 considerada por alguns como uma parte dos estudos realizados pela Antropologia Cultural ou Social, que pretende<strong> fazer uma an\u00e1lise sobre o mundo simb\u00f3lico da religi\u00e3o<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9mile Durkheim e Marcel Mauss: da magia \u00e0 religi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"228\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/totemisto-australia-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3025\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/totemisto-australia-1.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/totemisto-australia-1-300x114.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arte abor\u00edgene contempor\u00e2nea representando a ave <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Australian_magpie\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Australian Magpie (abre numa nova aba)\">Australian Magpie<\/a> como um animal de poder (ou animal tot\u00eamico) , conforme a tradi\u00e7\u00e3o dos povos nativos da Austr\u00e1lia.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"\u00c9mile Durkheim (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/%C3%89mile_Durkheim\" target=\"_blank\">\u00c9mile Durkheim<\/a> (1858-1917), antrop\u00f3logo franc\u00eas, procurou imprimir uma abordagem racional \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o primitiva, vendo na religi\u00e3o uma diviniza\u00e7\u00e3o da sociedade e das suas estruturas. <\/p>\n\n\n\n<p>Muitos pesquisadores apontam como origem da Antropologia da Religi\u00e3o a obra  <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/As_Formas_Elementares_da_Vida_Religiosa\" target=\"_blank\">As formas elementares da vida religiosa<\/a>, de \u00c9mile Durkheim,  na qual o autor <strong>busca os prim\u00f3rdios da religi\u00e3o no Totemismo das tribos abor\u00edgenes australianas, partindo do pressuposto de que esta seria a forma mais primitiva de religiosidade<\/strong>, que teria evolu\u00eddo, ao longo dos s\u00e9culos, para a forma conhecida pela sociedade europ\u00e9ia de sua \u00e9poca. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para ele, os s\u00edmbolos da religi\u00e3o levantam-se como &#8220;representa\u00e7\u00f5es coletivas&#8221; da esfera social, e os rituais funcionam para unir o indiv\u00edduo com a sociedade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No final do s\u00e9culo XIX, juntamente com <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Marcel Mauss (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Marcel_Mauss\" target=\"_blank\">Marcel Mauss<\/a> (1872-1950), Durkheim se debru\u00e7a sobre as representa\u00e7\u00f5es primitivas, um estudo que culminar\u00e1 na obra <em><strong>Algumas formas primitivas de classifica\u00e7\u00e3o (1901)<\/strong><\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>Inaugurava-se assim a denominada &#8220;linhagem francesa&#8221; da Antropologia. Em 1912, publica a obra <em><strong>As formas elementares da vida religiosa: o sistema tot\u00eamico na Austr\u00e1lia (1912)<\/strong><\/em>, na qual, ainda preso ao debate evolucionista, discute a tem\u00e1tica da religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu sobrinho, Marcel Mauss (1872-1950), publica com <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Henri Hubert (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Henri_Hubert\" target=\"_blank\">Henri Hubert<\/a> (1872-1927) a obra <strong><em>Esbo\u00e7o de uma teoria geral da magia (1903)<\/em><\/strong>. Vinte anos depois, seu livro, <em><strong>Ensaio sobre a d\u00e1diva<\/strong><\/em> ir\u00e1 conceder maior fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3ricas \u00e0s ideias de seu tio.<\/p>\n\n\n\n<p>Baseando em autores anteriores, Durkheim reprop\u00f5e nas <em><strong>Formas Elementares da Vida Religiosa<\/strong><\/em>, o Totemismo.<em><strong> \u201cA\u00ed se identifica a origem das ideias religiosas destinadas a tomar, mais tarde (como efetivamente tomaram), um imenso desenvolvimento, ideias de Esp\u00edrito e de Deus\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Totem\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Totemismo australiano (abre numa nova aba)\">Totemismo australiano<\/a>, estudado por ele, admite que cada corpo humano abriga um ser interior, um Esp\u00edrito. Toda morte faz com que a alma de um antepassado reapare\u00e7a num corpo novo. <\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a morte, o indiv\u00edduo entra na regi\u00e3o das almas, voltando, depois, a encarnar-se. <strong>As pesquisas v\u00eam demonstrando que o Totemismo (fen\u00f4meno que ocorreu em todos os povos antigos) desempenhou expressivo papel na hist\u00f3ria espiritual da humanidade<\/strong>, segundo alguns antrop\u00f3logos modernos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O pensamento m\u00e1gico e o surgimento das religi\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"221\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/arte-rupestre-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3031\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/arte-rupestre-1.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/arte-rupestre-1-300x111.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pinturas rupestres encontradas em <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_Rock_Canyon_National_Conservation_Area\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Red Rock Canion (abre numa nova aba)\">Red Rock Canion<\/a>, no estado de Nevada, nos EUA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Nos autores citados acima, a import\u00e2ncia do &#8220;pensamento m\u00e1gico&#8221; \u00e9 fundamental.<\/strong> Considera-se &#8220;pensamento m\u00e1gico&#8221; a ideia expressa, desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria, de que <strong>existe uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre gestos simb\u00f3licos e ocorr\u00eancias futuras<\/strong>. Desta forma de pensar teriam nascido as religi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo: hoje especula-se que as <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Arte_rupestre\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"pinturas rupestres (abre numa nova aba)\">pinturas rupestres<\/a> encontradas nas cavernas n\u00e3o s\u00e3o apenas um registro da comunidade, <strong>mas uma representa\u00e7\u00e3o (ou inten\u00e7\u00e3o) do que era desejado para o futuro <\/strong>\u2014 como sucesso na ca\u00e7a e fartura, conforme surge frequentemente nas gravuras.  <\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, v\u00e1rios outros rituais de muitas sociedades antigas tinham a<strong> inten\u00e7\u00e3o de estabelecer uma conex\u00e3o com os deuses como modo de favorecer a colheita, ajudar na guerra e na ca\u00e7a, prever desastres naturais e criar uma rela\u00e7\u00e3o o entre o mundo dos vivos e dos mortos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa forma de pensar, conforme acredita a Antropologia da Religi\u00e3o, \u00e9 muito comum mesmo no dia de hoje. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode ser constatado em muitas religi\u00f5es quando \u00e9 realizada uma oferta,  ora\u00e7\u00e3o ou gesto ritual  buscando algum benef\u00edcio futuro. Ou mesmo quando se acredita que um \u00eaxito foi resultado das atividades religiosas. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O sagrado e o profano em Durkheim<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"283\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/antropologia-da-religi\u00e3o-1.jpg\" alt=\"Antropologia da Religi\u00e3o : Introdu\u00e7\u00e3o e autores\" class=\"wp-image-3013\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/antropologia-da-religi\u00e3o-1.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/antropologia-da-religi\u00e3o-1-300x142.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem de um xam\u00e3 norte-americano, considerado pela tribo como intermediador entre o mundo f\u00edsico e o espiritual. A no\u00e7\u00e3o de uma realidade tang\u00edvel e outra intang\u00edvel \u00e9 universal em todas as culturas. A figura do xam\u00e3 remete tamb\u00e9m \u00e0 civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Era grande a curiosidade dos europeus sobre os povos ditos \u201cprimitivos\u201d, e havia muitos relatos de mission\u00e1rios crist\u00e3os na \u00c1frica, \u00c1sia, Am\u00e9rica e Oceania.  <\/p>\n\n\n\n<p>Comparando as diversas religi\u00f5es conhecidas em sua \u00e9poca e examinando as teorias correntes sobre a origem da religi\u00e3o, <strong>Durkheim conclui que o \u00fanico elemento essencial, presente em todas as religi\u00f5es conhecidas, \u00e9 a radical distin\u00e7\u00e3o entre e o sagrado e o profano<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Durkheim, ent\u00e3o, afirma a exist\u00eancia de uma dualidade essencial: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;O sagrado e o profano foram sempre e por toda parte concebidos pelo esp\u00edrito humano como g\u00eaneros separados, como dois mundos entre os quais n\u00e3o h\u00e1 nada em comum\u201d.  (DURKHEIM &#8211; 1989) <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo o autor, todas as cren\u00e7as religiosas t\u00eam em comum a classifica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos em dois tipos opostos, ou seja: ou s\u00e3o sagrados, ou s\u00e3o profanos. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA divis\u00e3o do mundo em dois dom\u00ednios, compreendendo um  sagrado e outro profano, tal \u00e9 o tra\u00e7o distintivo do pensamento religioso\u201d. (DURKHEIM &#8211; 1989)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong><em>Esta no\u00e7\u00e3o de &#8220;sagrado e profano&#8221; ser\u00e1 posteriormente desenvolvida por Rudof Otto e Mircea Eliade, como veremos logo mais. <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ensaio sobre a D\u00e1diva: o sentido da oferta<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"215\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/maos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3033\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/maos.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/maos-300x108.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para Marcel Mauss, doar e receber implicam m\u00faltiplos significados, tanto culturais quanto espirituais, sendo tamb\u00e9m (assim como as religi\u00f5es) um fen\u00f4meno universal em todas as tradi\u00e7\u00f5es, tanto ancestrais quanto modernas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>O Ensaio sobre a d\u00e1diva<\/em>, obra fundamental de Marcel Mauss (1872-1950), \u00e9 um marco no desenvolvimento da Antropologia da Religi\u00e3o<\/strong>. Mauss avan\u00e7ou, em rela\u00e7\u00e3o a Durkheim, para a cria\u00e7\u00e3o da Antropologia como ci\u00eancia, abrindo-se para todas as sociedades n\u00e3o-ocidentais e assumindo cada vez mais a compara\u00e7\u00e3o entre as culturas do mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>Mauss interessava-se pelas manifesta\u00e7\u00f5es dos fen\u00f4menos humanos em quaisquer tempo e espa\u00e7o do planeta e sua obra abordou uma variedade de temas, tendo recebido a mais favor\u00e1vel aceita\u00e7\u00e3o entre os antrop\u00f3logos contempor\u00e2neos de todas as inclina\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas. <\/p>\n\n\n\n<p>O seu livro Ensaio sobre a d\u00e1diva reflete de modo evidente esses temas, iniciando estudos sobre a l\u00edngua norueguesa antiga e, posteriormente, abordando formas de organiza\u00e7\u00e3o social, grupos e regi\u00f5es diversas \u2013 celtas, \u00cdndia, China, Oceania, \u00edndios do noroeste americano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauss prop\u00f5e a d\u00e1diva como uma alian\u00e7a, e tamb\u00e9m como fio condutor de sua obra,<\/strong> e afirma que a ela produz os seguintes tipos de alian\u00e7as:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Matrimoniais<\/strong>, como as pol\u00edticas que podem ser observadas nas trocas entre chefes ou diferentes camadas sociais; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Religiosas<\/strong>, repetidas nos sacrif\u00edcios e entendidas como um modo de relacionamento com os deuses; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Econ\u00f4micas<\/strong>, jur\u00eddicas e diplom\u00e1ticas, incluindo-se aqui as rela\u00e7\u00f5es pessoais de hospitalidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A alian\u00e7a \u00e9 um fato social total, mais ampla ainda, que inclui presentes, visitas, festas, comunh\u00f5es, esmolas e heran\u00e7as<\/strong>. Os impostos e tributos tamb\u00e9m podem ser considerados como uma forma de d\u00e1diva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauss est\u00e1 convencido de que toda a nossa vida social \u00e9 constitu\u00edda por um constante dar-e-receber<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea pode perceber isso quando vai a um anivers\u00e1rio, ou quando voc\u00ea d\u00e1 uma festa. <strong>Tudo est\u00e1 baseado na troca<\/strong>, na retribui\u00e7\u00e3o, no ser agrad\u00e1vel e agradecido. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao dar, dou sempre algo de mim mesmo. Ao aceitar, o recebedor aceita algo do doador. Ele deixa, ainda que momentaneamente, de ser um Outro; a d\u00e1diva aproxima-os, torna-os semelhantes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isto ocorre porque \u201cdar e receber\u201d implica n\u00e3o s\u00f3 uma troca material, mas tamb\u00e9m uma troca espiritual, uma comunica\u00e7\u00e3o entre almas. A troca pressup\u00f5e esse sentido mais profundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta troca, em muitas tradi\u00e7\u00f5es antigas, tamb\u00e9m diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com deuses, esp\u00edritos da natureza, esp\u00edrito dos mortos e guias espirituais.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Mauss tenta mostrar como, universalmente, dar e retribuir s\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es, e est\u00e3o organizadas de modo particular em cada caso. <\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia de entendermos como as trocas s\u00e3o concebidas e praticadas nos diferentes tempos e lugares, como elas podem tomar formas variadas, da retribui\u00e7\u00e3o pessoal \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o de impostos e tributos. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauss dedicou especial aten\u00e7\u00e3o ao fato de que algumas trocas s\u00e3o prerrogativas de chefias: receber impostos e tributos, por exemplo<\/strong>. Essas prerrogativas podem ser socialmente constru\u00eddas de modo diferente, como privil\u00e9gios, obriga\u00e7\u00f5es etc. <\/p>\n\n\n\n<p>A isso Mauss associava o fato de que, freq\u00fcentemente, da chefia emanavam valores que se estendem \u00e0 sociedade como um todo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Evans-Pritchard: dos gabinetes \u00e0 pesquisa de campo<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"229\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/primeira-missa-brasil.jpg\" alt=\"A Antropologia da Religi\u00e3o afirma que as informa\u00e7\u00f5es dadas por mission\u00e1rios est\u00e1 distorcida pela pr\u00f3pria cren\u00e7a do estrangeiro.\" class=\"wp-image-3036\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/primeira-missa-brasil.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/primeira-missa-brasil-300x115.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Primeira missa do Brasil (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Primeira_missa_no_Brasil\" target=\"_blank\">Primeira missa do Brasil<\/a> celebrada em 1500 por <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Henrique_de_Coimbra\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Henrique de Coimbra (abre numa nova aba)\">Henrique de Coimbra<\/a>, bispo portugu\u00eas,  no litoral da Bahia. Quadro de <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Victos Meirelles (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Victor_Meirelles\" target=\"_blank\">Victos Meirelles<\/a> (1860).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A maioria dos antrop\u00f3logos citados tinha um grave problema em sua an\u00e1lise: <strong>contavam com as informa\u00e7\u00f5es trazidas por mission\u00e1rios e viajantes<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Em um mundo onde a dificuldade de transporte era cr\u00edtica,<strong> o trabalho de mission\u00e1rios e viajantes era a principal base de pesquisa desses antrop\u00f3logos<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, posteriormente, esses primeiros antrop\u00f3logos eram chamados &#8220;Antrop\u00f3logos de Gabinete&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema desta perspectiva era que, no caso das informa\u00e7\u00f5es trazidas por mission\u00e1rios, eram em sua maioria depreciativas e distorcidas. <\/p>\n\n\n\n<p>A Europa \u2014 na sua antiga rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica, \u00c1sia e desde o descobrimento das Am\u00e9ricas \u2014 historicamente entendia outros povos como inferiores em seus costumes, cultura e religi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As &#8220;religi\u00f5es dos povos primitivos&#8221; eram assim classificadas simplesmente por diferirem da religi\u00e3o do visitante europeu &#8220;civilizado&#8221;, <strong>que no seu entender era a \u00fanica coerente e verdadeiramente divina, sendo as demais erradas, id\u00f3latras, ignorantes, pecaminosas, etc.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, os mission\u00e1rios estavam ali por um motivo bem espec\u00edfico de convers\u00e3o religiosa, ou seja, <strong>estavam ali principalmente para tentar &#8220;salvar&#8221; e secundariamente para compreender a cultura do povo visitado<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Isto acabava contaminando os dados recebidos, que em sua grande maioria eliminavam, generalizavam e distorciam a realidade vivida. N\u00e3o eram, portanto, dados confi\u00e1veis para uma pesquisa antropol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Edward Evans-Pritchard (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/E._E._Evans-Pritchard\" target=\"_blank\">Edward Evans-Pritchard<\/a> foi uma figura significativa no desenvolvimento da Antropologia na Gr\u00e3-Bretanha e teve um papel importante na estrutura das teorias sobre a religi\u00e3o no s\u00e9culo XX, <strong>principalmente por acreditar que na necessidade do pr\u00f3prio antrop\u00f3logo estar entre os povos estudados<\/strong>.  <\/p>\n\n\n\n<p>A maioria de suas obras foi escrita entre as tribos dos <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Azandes  (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zandes\" target=\"_blank\">Azandes <\/a>e dos <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nuer_people\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Nuer (abre numa nova aba)\">Nuer<\/a>, no Sud\u00e3o. Neste caso, o pr\u00f3prio Pritchard esteve entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Evans-Pritchard discutiu o problema antropol\u00f3gico fazendo a si mesmo estas perguntas: <strong>como entrar em contato com o mundo mental de um estrangeiro e numa cultura estranha? Como fazer esse mundo compreens\u00edvel a um estrangeiro, comparando as duas culturas? Como acomodar as experi\u00eancias alheias em uma outra cultura diferente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eram estas as suas preocupa\u00e7\u00f5es ao realizar um trabalho de campo, levando-o a dedicar-se inteiramente neste processo de intera\u00e7\u00e3o com os seus informantes e tamb\u00e9m com os membros da sociedade estudada.<\/p>\n\n\n\n<p>Como considera\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o comparativa, ele publicou o livro <strong><em>As teorias da religi\u00e3o primitiva<\/em><\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>No livro, ele resumiu as v\u00e1rias teorias que teriam sido constru\u00eddas pelos antrop\u00f3logos at\u00e9 ent\u00e3o, por\u00e9m, <strong>baseou sua posi\u00e7\u00e3o nas dificuldades que uma civiliza\u00e7\u00e3o tem em incorporar na mente e na cultura da outra<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antropologia Funcionalista: vivendo e aprendendo entre os &#8220;povos primitivos&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"231\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/familia-indifena.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3072\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/familia-indifena.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/familia-indifena-300x116.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <br>Arte de Jean-Baptiste Debret (1820), retratando fam\u00edlia ind\u00edgena brasileira. Para os antrop\u00f3logos funcionalistas, todas as sociedades s\u00e3o como um organismo vivo onde institui\u00e7\u00f5es mant\u00eam o sistema funcionando. Casamentos (enquanto alian\u00e7as), fam\u00edlias e religi\u00f5es seriam algumas dessas institui\u00e7\u00f5es. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A sa\u00edda dos antrop\u00f3logos dos gabinetes evidenciou um fato \u00f3bvio: ningu\u00e9m conhece melhor dos povos &#8220;primitivos&#8221; do que aqueles que viveram entre eles<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>O termo &#8220;primitivo&#8221; ainda \u00e9 uma palavra constante entre os antrop\u00f3logos desse per\u00edodo (a saber, do in\u00edcio do s\u00e9culo XX). <\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, os antrop\u00f3logos funcionalistas d\u00e3o outro passo significativo: al\u00e9m de viverem entre os povos estudados, <strong>procuram n\u00e3o fazer ju\u00edzo de valor (que muitas vezes s\u00e3o julgamentos distorcidos) acerca dos ritos e costumes pesquisados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com isso constatou-se que os povos primitivos possuem rituais, supersti\u00e7\u00f5es e h\u00e1bitos que n\u00e3o diferem muito dos povos ditos civilizados. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que existe \u00e9 uma grande diferen\u00e7a tecnol\u00f3gica, por\u00e9m, no que diz respeito aos costumes religiosos, as semelhan\u00e7as s\u00e3o muitas (como j\u00e1 foi sugerido no Ensaio sobre a D\u00e1vida, de Gauss). <\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Tal como as sociedades primitivas, as sociedades civilizadas tamb\u00e9m se organizam ao redor de cren\u00e7as religiosas, rituais e supersti\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/em> <\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses do mundo civilizado acreditam, claro, que seus costumes religiosos s\u00e3o mais racionais e esclarecidos. <strong>A Antropologia da Religi\u00e3o, contudo, acabou revelando que suas bases s\u00e3o semelhantes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Antropologia Funcionalista isto ocorre porque as sociedades (todas elas) funcionam como um organismo vivo, tal como nosso pr\u00f3prio corpo. <\/p>\n\n\n\n<p>A fun\u00e7\u00e3o de cada \u00f3rg\u00e3o de nosso corpo \u00e9 manter o sistema todo funcionando, assim como cada institui\u00e7\u00e3o da comunidade (como escolas, fam\u00edlia, governo, comunidades, etc) mantem o povo de um pa\u00eds organizado. E as inst\u00e2ncias religiosas s\u00e3o tamb\u00e9m institui\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>As sociedades primitivas ou isoladas t\u00eam esta mesma estrutura, s\u00f3 que de forma mais evidente. Nas grandes cidades urbanizadas essa rela\u00e7\u00e3o entre as cren\u00e7as religiosas e demais institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais dilu\u00eddas, mas n\u00e3o menos fundamentais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Bronislaw Kasper Malinowski (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bronis%C5%82aw_Malinowski\" target=\"_blank\">Bronislaw Kasper Malinowski<\/a> e <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Alfred Reginald Radcliffe-Brown (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alfred_Radcliffe-Brown\" target=\"_blank\">Alfred Reginald Radcliffe-Brown<\/a> s\u00e3o os representantes mais conhecidos do funcionalismo. Suas obras foram uma rea\u00e7\u00e3o positiva \u00e0s teorias evolucionistas, sobretudo ao conceito abrangente de \u201csobreviv\u00eancia de uma cultura\u201d atrav\u00e9s dos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro <em><strong>Argonautas do Pac\u00edfico Ocidental<\/strong><\/em>, Malinowski faz uma an\u00e1lise original e aprofundada do sistema de trocas chamado de \u201c<a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"kula (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Kula\" target=\"_blank\">kula<\/a>\u201d, que era muito peculiar aos <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"povos trobriandeses (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ilhas_Trobriand\" target=\"_blank\">povos trobriandeses<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Malinowski percebeu nos seus gestos ritual\u00edsticos n\u00e3o apenas uma troca de natureza comercial, mas algo tamb\u00e9m ligado \u00e0 religiosidade que traz satisfa\u00e7\u00e3o para suas necessidades emocionais \u2014 como tamb\u00e9m ocorre nas civiliza\u00e7\u00f5es europeias em suas religi\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Radcliffe-Brown, por sua vez, analisou os casamentos exog\u00e2micos nas sociedades abor\u00edgines da Austr\u00e1lia, Melan\u00e9sia e Am\u00e9rica. <\/p>\n\n\n\n<p>Esses casamentos s\u00e3o um costume da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 repartida em duas divis\u00f5es sociais, sendo que um homem de um grupo deve casar com uma mulher de outro grupo para fortalecer rela\u00e7\u00f5es sociais. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estas tr\u00eas sociedades estudadas n\u00e3o tiveram quase nenhum contato ao longo da hist\u00f3ria, por isso \u00e9 surpreendente que compartilhem do mesmo costume de casamentos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Claude L\u00e9vi-Strauss: linguagem primitiva <em>versus <\/em>a linguagem moderna<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"214\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/religiosidade-indigena-brasileira.jpg\" alt=\"L\u00e9vi-Strauss fez importantes contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 Antropologia da Religi\u00e3o ao demonstrar a forma de pensar dos povos nativos.\" class=\"wp-image-3041\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/religiosidade-indigena-brasileira.jpg 700w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/religiosidade-indigena-brasileira-300x92.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1934, ap\u00f3s alguns anos sendo professor em escolas secund\u00e1rias na Fran\u00e7a, <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Claude L\u00e9vi-Strauss (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Claude_L%C3%A9vi-Strauss\" target=\"_blank\">Claude L\u00e9vi-Strauss<\/a> veio ao Brasil para dar aulas na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), onde ficou at\u00e9 1938. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele fazia parte de uma miss\u00e3o cultural, que inclu\u00eda tamb\u00e9m professores, e que fora convidada por <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Get%C3%BAlio_Vargas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Get\u00falio Vargas (abre numa nova aba)\">Get\u00falio Vargas<\/a>. Ainda hoje a influ\u00eancia dessa comitiva \u00e9 marcante na USP. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00e9vi-Strauss conduziu aqui suas primeiras pesquisas de campo, realizando pesquisas no Mato Grosso do Sul e na Floresta Amaz\u00f4nica entre os \u00edndios Guaycuru, Bororo, Nambikwara e Tupi-Kawahib<\/strong>. Em 1955, publicou <em><strong>Tristes Tr\u00f3picos<\/strong><\/em>, livro auto-biogr\u00e1fico que relatava suas experi\u00eancias no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Como expoente da Antropologia Estrutural, Levi-Strauss afirmou que<strong> todas as culturas do mundo se caracterizavam como um sistema de signos (ou s\u00edmbolos)<\/strong>, que s\u00e3o partilhados e estruturados por princ\u00edpios que <strong><em>est\u00e3o presentes no pr\u00f3prio funcionamento da mente humana<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Levi-Strauss foi al\u00e9m de Durkheim na tentativa de explicar a maneira como as estruturas da sociedade est\u00e3o presentes nos mitos e nos s\u00edmbolos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Partindo das id\u00e9ias estruturais da lingu\u00edstica contempor\u00e2nea, ele prop\u00f4s a exist\u00eancia de uma diferen\u00e7a entre o pensar dos povos primitivos e o pensar dos povos modernos, n\u00e3o baseada em an\u00e1lise ou l\u00f3gica, <strong>mas nas diferen\u00e7as contrastantes que surgem na realidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na obra <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"O pensamento selvagem (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pensamento_selvagem\" target=\"_blank\"><strong><em>O pensamento selvagem<\/em><\/strong><\/a>, L\u00e9vi-Strauss demonstra que o pensamento m\u00edtico se ap\u00f3ia em s\u00edmbolos, enquanto que o pensamento cient\u00edfico est\u00e1 baseado em conceitos. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 portanto, duas maneiras distintas de pensar: uma, que \u00e9 a nossa, por meio de conceitos, e a outra, a do &#8220;pensamento selvagem&#8221;, mais pr\u00f3xima do concreto e da percep\u00e7\u00e3o sens\u00edvel.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Podemos dizer que o pensamento selvagem \u201cpensa com coisas\u201d e n\u00e3o por meio de conceitos. \u00c9 assim que as coisas encontradas na natureza, no caso do pensamento m\u00edtico, podem ser utilizados num outro contexto para definir seres ou realidades sociais. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>A partir daqui surge uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es de Levi-Strauss: os &#8220;povos primitivos&#8221; n\u00e3o s\u00e3o menos evolu\u00eddos ou atrasados. Apenas pensam de forma distinta das na\u00e7\u00f5es ocidentais. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mito, por exemplo, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o intelectual que opera com partes de uma linguagem b\u00e1sica que nasce do meio-ambiente: leopardo, p\u00e1ssaro-mosca, gafanhoto, lagarto, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas os mitos, mas tamb\u00e9m toda a linguagem dos povos primitivos segue uma l\u00f3gica interna que funcionou perfeitamente (em muitos casos por milhares de anos) para estruturar suas sociedades sem a necessidade da ajuda dos europeus, que, durante as coloniza\u00e7\u00f5es, utilizarem esse &#8220;argumento do atraso&#8221; e da &#8220;verdadeira religi\u00e3o&#8221; para dominar e explorar povos nativos. Esta mentalidade, como heran\u00e7a colonial, existe at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, as contribui\u00e7\u00f5es de L\u00e9vi-Strauss foram importantes para desconstruir ideias racistas, <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"xenof\u00f3bicas  (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Xenofobia\" target=\"_blank\">xenof\u00f3bicas <\/a>e <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"euroc\u00eantricas (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Eurocentrismo\" target=\"_blank\">euroc\u00eantricas<\/a> sobre os povos nativos. Al\u00e9m fornecer uma nova perspectiva para a Antropologia da Religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mircea Eliade e Rudolf Otto: o Sagrado e o Profano como experi\u00eancias existenciais<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"267\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sagrado-profano-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3045\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sagrado-profano-1.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sagrado-profano-1-300x134.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Mircea Eliade (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mircea_Eliade\" target=\"_blank\">Mircea Eliade,<\/a> um not\u00e1vel estudioso romeno das religi\u00f5es, faz uma divis\u00e3o da vida simb\u00f3lica em dois grandes campos opostos entre si:<strong> o Sagrado e o Profano<\/strong>. \u00c9 considerado um dos mais importantes pesquisadores da Antropologia da Religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eliade afirma ainda que <em>\u201co sagrado e o profano constituem duas modalidades de ser no mundo, ou seja, duas situa\u00e7\u00f5es existenciais diferentes assumidas pelo homem ao longo da sua hist\u00f3ria\u201d<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas sociedades tribais est\u00e3o estabelecidos de modo mais r\u00edgido o campo do que \u00e9 sagrado e do que \u00e9 profano. <\/p>\n\n\n\n<p>O sagrado envolve coisas da natureza ou da fabrica\u00e7\u00e3o humana dando-lhes um car\u00e1ter de extraordin\u00e1rio \u2014 fascinante ou atemorizante \u2014 da ordem do mist\u00e9rio, da transcend\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 o caso dos v\u00e1rios objetos ritual\u00edsticos, amuletos, obras de arte, \u00e1rvores, regi\u00f5es consideradas santu\u00e1rios, etc. Esses objetos e lugares, muito mais do que mera supersti\u00e7\u00e3o, marcam de forma clara uma rela\u00e7\u00e3o entre o mundo vis\u00edvel e o mundo invis\u00edvel e espiritual.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos o que afirma Eliade sobre isso na obra O Sagrado e o Profano:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;O homem toma conhecimento do sagrado porque este se manifesta, se mostra, como algo absolutamente diferente do profano. O homem ocidental moderno experimenta certo mal-estar diante de in\u00fameras formas de manifesta\u00e7\u00e3o do sagrado: \u00e9 dif\u00edcil para ele aceitar que, para certos seres humanos, o sagrado possa manifestar-se em pedras ou \u00e1rvores, por exemplo. Mas n\u00e3o se trata da venera\u00e7\u00e3o da pedra como pedra, de um culto da \u00e1rvore como \u00e1rvore.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Conforme o autor deixa claro, a venera\u00e7\u00e3o de itens e paisagens \u00e9 a venera\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 sagrado, ali representado simbolicamente. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o Sagrado o verdadeiro objeto de venera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o as \u00e1rvores ou as pedras, que podem ser destru\u00eddas a qualquer momento sem preju\u00edzo algum ao Sagrado, que pode se expressar de forma infinita.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O homem vive sua vida em ambiente profano, mas sua vida n\u00e3o \u00e9 completa (ou n\u00e3o faz sentido) sem a dualidade entre o Sagrado e Profano. <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assim, entre os povos chamados primitivos ou selvagens est\u00e1 demarcado de forma contrastante o mist\u00e9rio existencial enfrentado por todos os seres humanos. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento da religiosidade desses povos acaba por revelar muito sobre alguns comportamentos dos povos ditos modernos e civilizados, que muitas vezes, apesar de estranhar os costumes primitivos, &#8220;veneram&#8221; objetos como objetos (como carros, roupas, etc) como resultado de certa ang\u00fastia existencial. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa ang\u00fastia, que gera no homem moderno uma venera\u00e7\u00e3o vazia, seria uma nega\u00e7\u00e3o (ou medo) do mist\u00e9rio do mundo e da finitude da vida, que entre os povos &#8220;primitivos&#8221; \u00e9 enfrentada de forma mais natural, como um fato inerente \u00e0 toda exist\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Rudolf Otto (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rudolf_Otto\" target=\"_blank\">Rudolf Otto<\/a>, citado por Eliade, explica que a experi\u00eancia diante do Sagrado provoca pavor, pois coloca o ser humano em rela\u00e7\u00e3o com o mist\u00e9rio aterrador, mas ao mesmo tempo o lan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio fascinante, dando-lhe um sentimento de plenitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o Sagrado, Rudolf Otto afirma:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Uma coisa \u00e9 ter ideias sobre o sagrado; outra perceber e dar-se conta do sagrado como algo atuante, vigente, a se manifestar em sua atua\u00e7\u00e3o. \u00c9 convic\u00e7\u00e3o fundamental de todas as religi\u00f5es que n\u00e3o s\u00f3 a voz interior, a consci\u00eancia religiosa, o discreto sussurro do esp\u00edrito no cora\u00e7\u00e3o, o palpite e o anseio prestem testemunho a respeito do sagrado, mas que seja poss\u00edvel encontr\u00e1-lo em eventos, fatos, pessoas, em atos de auto-revela\u00e7\u00e3o, ou seja, que al\u00e9m da revela\u00e7\u00e3o interior no esp\u00edrito tamb\u00e9m haja revela\u00e7\u00e3o exterior do divino&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O mist\u00e9rio situa-se no \u00e2mbito da transcend\u00eancia, portanto numa ordem que ultrapassa o natural. O mist\u00e9rio remete o ser humano ao sobrenatural, ao campo que atuam divindades, entes, esp\u00edritos e for\u00e7as al\u00e9m do humano, mas simultaneamente em estreita rela\u00e7\u00e3o com ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O temor diante do sagrado n\u00e3o \u00e9 medo que paralisa, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 sentimento que mobiliza, que encanta e direciona o humano a experimentar o encontro com divindades e outras express\u00f5es simb\u00f3licas inerentes ao Sagrado. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse encontro se d\u00e1 e ao mesmo tempo produz atitudes, valores, representa\u00e7\u00f5es de diversas ordens (mitos, ritos, hierarquias sagradas), de modo que toda a cultura dos povos primitivos \u2014 com pouqu\u00edssimos espa\u00e7os profanos \u2014 encontra-se revestida pelo Sagrado, dando sentido existencial pleno \u00e0 todos os habitantes da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os desafios da Antropologia da Religi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Quando o antrop\u00f3logo se debru\u00e7a sobre a religi\u00e3o de um povo ou se dedica a estudar aspectos religiosos presentes em determinada cultura, ele de fato est\u00e1 se aproximando de uma pequena parcela da experi\u00eancia humana com o sagrado. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sagrado&#8221;, neste texto, refere-se \u00e0queles aspectos de todas as culturas que tentam lidar com o temor existencial provocado pelo desconhecido, nos moldes definidos por Mircea Eliade e Rudolf Otto e talvez percebido por todos os seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Efetivamente \u00e9 imenso o campo das coisas sagradas, e isso torna impratic\u00e1vel para a Antropologia da Religi\u00e3o abarcar todas as situa\u00e7\u00f5es e processos culturais contidos nesse \u00e2mbito. <\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 preciso para fins anal\u00edticos &#8220;fragmentar&#8217; o sagrado para que os estudos de campo sejam feitos; para que seja poss\u00edvel construir conhecimento. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 importante destacar que os trabalhos no campo da Antropologia da Religi\u00e3o lidam efetivamente com manifesta\u00e7\u00f5es concretas da experi\u00eancia religiosa, observ\u00e1veis e acess\u00edveis \u00e0 an\u00e1lise<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Este modo anal\u00edtico de investiga\u00e7\u00e3o, contudo, representa a pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo, que \u00e9, ele mesmo, fruto de uma sociedade baseada no modo racional e cient\u00edfico de pensar. <\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, por mais que o antrop\u00f3logo se esforce, e por tudo que foi dito aqui, suas viv\u00eancias e intui\u00e7\u00f5es mais profundas sobre o tema s\u00e3o de dif\u00edcil comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se por um lado o sagrado pode ser analisado mediante investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, por outro ele pode ser apenas vivido individualmente, desafiando  qualquer an\u00e1lise racional.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Talvez uma das principais contribui\u00e7\u00f5es da Antropologia da Religi\u00e3o seja o fato de, ao analisar os costumes de outros povos, <strong>passarmos a observar nossos pr\u00f3prios costumes<\/strong>.  <\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, esta an\u00e1lise corrobora o pensamento do fil\u00f3sofo franc\u00eas Ren\u00e9 Descartes que, em suas viagens, j\u00e1 havia percebido a import\u00e2ncia de conhecer outros povos com o intuito de conhecer melhor nossos pr\u00f3prios costumes, conforme ele deixou registrado em sua obra Discurso do M\u00e9todo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p> <strong><em>Devemos conhecer algo de outros povos para que seus costumes e cren\u00e7as n\u00e3o nos pare\u00e7am estranhos e rid\u00edculos, como fazem aqueles que nada viram. <\/em><\/strong><\/p>\n<cite>&#8211; Ren\u00e9 Descartes<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Autor<\/strong>:&nbsp;<em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.netmundi.org\/home\/quem-sou\/\" target=\"_blank\">Alfredo Carneiro<\/a>&nbsp;<\/em>\u2013 Graduado em Filosofia e p\u00f3s-graduado em Filosofia e Exist\u00eancia pela Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>ARANHA, M.; MARTINS, M. <strong>Filosofando: introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia<\/strong>. 2 ed. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2002. <\/li>\n\n\n\n<li>AUZIAS, Jean-Marie. <strong>A antropologia contempor\u00e2nea<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1978.<\/li>\n\n\n\n<li>DA MATTA, Roberto. <strong>Relativizando: Uma Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Antropologia Social<\/strong>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1989.<\/li>\n\n\n\n<li>DURKHEIM, \u00c9mile. <strong>As formas elementares de vida religiosa (o sistema tot\u00eamico na Austr\u00e1lia)<\/strong>. S\u00e3o Paulo:<br> Paulinas, 1989. <\/li>\n\n\n\n<li>ELIADE, Mircea. <strong>O sagrado e o profano: a ess\u00eancia das religi\u00f5es<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1999.<\/li>\n\n\n\n<li> ELIADE, Mircea. <strong>Mito e Realidade<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1989.  <\/li>\n\n\n\n<li> GEERTZ, Clifford. <strong>A interpreta\u00e7\u00e3o das culturas<\/strong>. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.<\/li>\n\n\n\n<li> _____________. <strong>Nova luz sobre a antropologia<\/strong>. Rio de Janeiro: Zahar, 2001 <\/li>\n\n\n\n<li> GENNEP, A. <strong>Os ritos de passagem<\/strong>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1978. <\/li>\n\n\n\n<li> EVANS-PRITCHARD, E.E. <strong>Bruxaria, Or\u00e1culos e Magia entre os Azande<\/strong>. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.  <\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Antropologia da Religi\u00e3o, em suas fases iniciais, dedicou-se ao estudo da mitologia dos &#8220;povos primitivos&#8221;. Este inicio se deu atrav\u00e9s do ponto de vista do &#8220;homem civilizado&#8221;, que entendia a si mesmo como integrante de uma cultura mais evolu\u00edda \u2014 estando os demais povos em estado de infantilidade cultural e espiritual. A pr\u00f3pria designa\u00e7\u00e3o &#8220;primitivo&#8221; j\u00e1 indicava esta vis\u00e3o depreciativa. Entretanto, com o passar do tempo, todos os povos e religi\u00f5es passaram a ser analisados e comparados pelos antrop\u00f3logos. A palavra &#8220;mito&#8221;, ent\u00e3o, pelo menos para os antrop\u00f3logos modernos, perdeu o sentido de &#8220;cren\u00e7as dos povos antigos&#8221; e assumiu a ideia de que todas as religi\u00f5es, em certa medida, possuem elementos mitol\u00f3gicos. Existe at\u00e9 uma anedota sobre mitologia quando comparada com a cren\u00e7a pessoal: &#8220;mitologia \u00e9 a religi\u00e3o dos outros&#8221;. Com o tempo, a Antropologia da Religi\u00e3o passou a evitar esse tipo de interpreta\u00e7\u00e3o, pois distorcia a realidade dos povos estudados. Apesar disso, o fen\u00f4meno religioso n\u00e3o deve ser entendido como algo superficial ou mera supersti\u00e7\u00e3o. Muito menos como cren\u00e7as de um povo menos desenvolvido, afinal, trata-se de um fen\u00f4meno universal que acompanhou todos os povos e ajudou a organizar comunidades desde o surgimento do homem no planeta. 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