{"id":2772,"date":"2018-08-06T13:17:18","date_gmt":"2018-08-06T13:17:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/?p=2772"},"modified":"2018-08-08T10:40:38","modified_gmt":"2018-08-08T10:40:38","slug":"rene-descartes-biografia-filosofia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/rene-descartes-biografia-filosofia\/","title":{"rendered":"Ren\u00e9 Descartes &#8211; Biografia, filosofia, obras e frases"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ren\u00e9 Descartes (1596- 1650) nasceu com o estigma da fragilidade<\/strong>. Sua m\u00e3e\u00a0 morreu de tuberculose poucos dias ap\u00f3s o nascimento dele. Os m\u00e9dicos disseram a seu pai que o garoto tamb\u00e9m estava destinado a uma sepultura precoce, porque herdara a p\u00e1lida complei\u00e7\u00e3o e a tosse de sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>O pai, funcion\u00e1rio, p\u00fablico em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Poitiers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Poitiers<\/a>, entregou-o \u00e0 guarda de uma ama que o afastava dos jogos e brinquedos das outras crian\u00e7as da aldeia. Como resultado desse excesso de cuidados, cresceu com um esp\u00edrito &#8220;feminino&#8221; \u2014 dedicado, introspectivo, distante.<\/p>\n<p><strong>O pai chamava-o &#8220;o meu filosofozinho&#8221;<\/strong>. Aos oito anos, entrou para a escola dos jesu\u00edtas de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/La_Fl%C3%A8che\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>La Fl\u00e8che<\/em><\/a>, onde os mestres continuaram a encoraj\u00e1-lo na imobilidade do corpo e no exerc\u00edcio do esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Permitiam-lhe ficar na cama at\u00e9 mais tarde, para que pudesse meditar sobre seus estudos ao passo que, os outros meninos, eram obrigados a recitar em aula as suas li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como resultado dessas horas extraordin\u00e1rias de lazer, n\u00e3o somente se mantinha em dia com os estudos que lhe eram prescritos, como tamb\u00e9m conseguia adquirir grande quantidade de conhecimentos adicionais.<\/p>\n<p>Era, especialmente, apaixonado pela leitura dos cl\u00e1ssicos, <strong><em>&#8220;a fim de empreender jornadas mentais&#8221;, como dizia, &#8220;pelo passado e travar conversa\u00e7\u00e3o com os homens mais nobres de outras \u00e9pocas.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<h3>Juventude e ingresso na vida militar<\/h3>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_2788\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/guerra-dos-80-anos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2788\" class=\"size-content wp-image-2788\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/guerra-dos-80-anos-600x264.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2788\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>A Tomada de Breda, obra de Diego Vel\u00e1zquez de 1634. Na \u00e9poca de Descartes, a Holanda lutava pela sua independ\u00eancia contra a Espanha. Esta obra representa a derrota da cidade holandesa de Breda para o ex\u00e9rcito espanhol.<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Deixou a escola dos jesu\u00edtas aos dezesseis anos e empreendeu, ent\u00e3o, uma jornada f\u00edsica pelo presente. Foi a Paris onde fez amizade com alguns rapazes superficiais de sua idade.<\/p>\n<p>Aprendeu a frequentar jantares, a beber e a jogar. Era especialmente feliz no jogo, uma vez que baseava os seus palpites \u2014 como lhe observaram os amigos\u00a0\u2014 <strong><em>&#8220;mais sobre os seus conhecimentos misteriosos de matem\u00e1tica do que sobre as leis do azar.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Deixara para tr\u00e1s o estigma tuberculoso, e ficou agradavelmente surpreendido ao encontrar-se de posse tanto de um corpo sadio como de um esp\u00edrito brilhante.<\/p>\n<p>Deliciou-se tanto, na verdade, com o descobrimento de sua sa\u00fade que, por algum tempo, negligenciou as suas atividades mentais em benef\u00edcio de suas atividades f\u00edsicas.<\/p>\n<p>Na primavera de 1617 (com a idade de vinte e um anos) alistou-se no ex\u00e9rcito do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Maur%C3%ADcio,_Pr%C3%ADncipe_de_Orange\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pr\u00edncipe Maur\u00edcio de Orange<\/a> nos <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pa%C3%ADses_Baixos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pa\u00edses-Baixos<\/a>. Todavia, n\u00e3o era ele soldado por instinto.<\/p>\n<p>Apreciava o ex\u00e9rcito como escola de exerc\u00edcio, mas n\u00e3o gostava dele como instrumento de guerra. &#8220;Os meus impulsos militares&#8221;, disse, &#8220;eram devidos a um aquecimento ocasional do f\u00edgado, que passou com o tempo.&#8221;<\/p>\n<p>Recusando-se a receber o pagamento de soldado, foi desobrigado dos deveres militares. Evitava sempre que poss\u00edvel a luta ativa.<\/p>\n<p>Durante toda a sua vida, com efeito, sempre a evitou \u2014 fosse no campo de batalha f\u00edsico, fosse no campo de batalha das ideias. <strong>N\u00e3o era a coragem, uma das virtudes de Descartes<\/strong>.<\/p>\n<p>Durante dois anos conservou um interesse de amador pela vida militar, reunindo-se sucessivamente aos ex\u00e9rcitos holand\u00eas, b\u00e1varo e h\u00fangaro \u2014 e depois voltou as costas ao militarismo para mergulhar em suas medita\u00e7\u00f5es. <strong>Porque &#8220;uma s\u00fabita torrente de luz&#8221; surgiu em 1619<\/strong>.<\/p>\n<h3>In\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas<\/h3>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_2793\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-portraid.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2793\" class=\"wp-image-2793 size-full\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-portraid.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-portraid.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-portraid-300x131.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2793\" class=\"wp-caption-text\"><strong><em>Retrato de Ren\u00e9 Descartes. \u00f3leo sobre tela de Frans Hall. Esta pintura veio a se tornar a imagem mais famosa do fil\u00f3sofo franc\u00eas.<\/em><\/strong><\/p><\/div>\n<p>&#8220;Nesse ano fui visitado por um sonho que veio de cima. Ouvi o estrondo de um trov\u00e3o, era o Esp\u00edrito da Verdade que descia para se apossar de mim&#8221;.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, orou a Deus para que lhe concedesse a luz. Pois a sua vida, a partir de ent\u00e3o, deveria ser dedicada \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o da verdade.<\/p>\n<p><strong>Procurou-a por dez anos, viajando de pa\u00eds a pa\u00eds, estudando as pessoas, lendo livros, agarrando-se, ansioso, aos fios partidos do infinito e tentando segui-los at\u00e9 \u00e0 sua origem<\/strong>, anotando o resultado de seus estudos em seus livros de apontamentos.<\/p>\n<p>Depois, aos trinta e tr\u00eas anos, recolheu-se na Holanda, <strong><em>&#8220;para que, no sil\u00eancio e na solid\u00e3o, organizar seus pensamentos num todo consistente.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Isolou-se, completamente afastado do mundo, ocultando, at\u00e9 dos pr\u00f3prios amigos, o local de sua resid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Encontrara, acreditava, um fragmento da verdade<\/strong>. Escreveu esse fragmento nas p\u00e1ginas do seu primeiro livro <em><a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Trait%C3%A9_du_monde_et_de_la_lumi%C3%A8re\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Le Monde<\/a><\/em> (O Mundo ou Tratado da Luz) \u2014 e depois n\u00e3o permitiu que fosse publicado, porque teve medo.<\/p>\n<p>Afirmara, nesse livro, a teoria revolucion\u00e1ria de estar a Terra em movimento, e lembrou-se da persegui\u00e7\u00e3o que haviam sofrido outros fil\u00f3sofos e cientistas \u2014 <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2012\/giordano-bruno-o-martir-da-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tommaso_Campanella\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Campanella<\/a>\u00a0\u2014 homens que tinham ousado proclamar teorias revolucion\u00e1rias semelhantes.<\/p>\n<p>Para proteger-se contra qualquer tenta\u00e7\u00e3o de publicar o manuscrito, remeteu-o para um local distante do pa\u00eds.<\/p>\n<p>E foi apenas depois de sua morte que esse livro apareceu, e mesmo ent\u00e3o, somente em parte.<\/p>\n<p>Contudo, apesar de sua timidez moral \u2014 timidez devida, talvez, aos cuidados excessivos que recebera na inf\u00e2ncia \u2014 <strong>destinava-se, Descartes, a revolucionar o pensamento do mundo<\/strong>.<\/p>\n<h3>Descartes e a filosofia que revolucionou a Era Moderna<\/h3>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_2314\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Descartes-draw.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2314\" class=\"wp-image-2314 size-content\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Descartes-draw-600x264.png\" alt=\"Percep\u00e7\u00e3o da Realidade\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2314\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Desenho feito por Ren\u00e9 Descartes, retratando uma de suas investiga\u00e7\u00f5es sobre o corpo humano. Para ele, tanto nosso corpo quanto o mundo tinham um aspecto mec\u00e2nico. Esta perspectiva ficou conhecida como mecanicismo cartesiano.<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>C\u00e9tico por natureza e conformista por educa\u00e7\u00e3o, desenvolveu uma nova esp\u00e9cie de filosofia, um templo de f\u00e9 edificado com o material da d\u00favida. Para podermos compreender a natureza de sua filosofia, observemos \u00e0s duas m\u00e1ximas \u00e9ticas que Descartes fixou para a dire\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida:<\/p>\n<ol>\n<li><em>&#8220;Seguir os meus pensamentos aonde quer que me conduzam. Nisto devo proceder como os viajantes que, vendo-se perdidos numa floresta, sentem que devem continuar a caminhar o mais retamente poss\u00edvel, numa dire\u00e7\u00e3o, sem divergir para a direita ou para a esquerda. Dessa maneira, se n\u00e3o chegarem exatamente onde pretendem chegar, atingir\u00e3o, por fim, ao menos, um lugar onde, provavelmente estar\u00e3o melhor do que no meio da floresta.&#8221;<\/em><\/li>\n<li><em>&#8220;Obedecer \u00e0s leis de meu pa\u00eds, aderir \u00e0 religi\u00e3o de meus pais e seguir os costumes dos homens mais s\u00e1bios com os quais possa eu entrar em contato.&#8221;<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em><strong>Seguindo essas duas m\u00e1ximas, conseguiu Descartes desenvolver um sistema de pensamento que o distinguiu como &#8220;o pai da filosofia moderna.<\/strong><\/em>&#8221;<\/p>\n<p>Essa filosofia \u2014 como vem explicada em seu <strong>Discurso sobre o M\u00e9todo<\/strong> e em suas <strong>Medita\u00e7\u00f5es<\/strong> \u2014 baseia-se no princ\u00edpio da ci\u00eancia. O pr\u00f3prio Descartes chamava-lhe <em><strong>o m\u00e9todo da matem\u00e1tica aplicado \u00e0 filosofia<\/strong><\/em>. Tal m\u00e9todo inicia com a suposi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de que <strong><em>n\u00e3o devemos aceitar nada como verdadeiro<\/em><\/strong>. Vejamos o que nos diz o pr\u00f3prio Descartes:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Penetramos o reino da f\u00edsica e da metaf\u00edsica com esp\u00edrito pesquisador. Nem acreditamos nem deixamos de acreditar. Somos, apenas, neutros. Desejamos que as coisas nos sejam demonstradas. Entramos pela porta do ceticismo na tesouraria do mist\u00e9rio. E o que encontramos nessa tesouraria? Em princ\u00edpio, nada. Tudo \u00e9 obscuro. Somos como pessoas perdidas numa floresta. N\u00e3o hesitemos, por\u00e9m. Caminhemos diretamente para a frente, duvidando, examinando, verificando, procurando a verdade. Acima de tudo, devemos duvidar de tudo. Como eu desejasse entregar-me inteiramente \u00e0 procura da Verdade, cuidei que me fosse necess\u00e1rio rejeitar como absolutamente falso o que quer, que pudesse conter, a meu ju\u00edzo, a menor parcela de incerteza. E j\u00e1 que todos os pensamentos e imagina\u00e7\u00f5es que nos ocorrem quando acordados s\u00e3o os mesmos que podem acudir-nos enquanto dormimos, sem que nenhum deles seja, ao mesmo tempo, verdadeiro, determinei estabelecer que tudo quanto jamais entrara em meu esp\u00edrito n\u00e3o era mais verdadeiro que as ilus\u00f5es dos meus sonhos.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Todavia, esse mesmo sonhar leva Descartes \u00e0 sua primeira realidade. Pois o sonhar requer um sonhador. <em><strong>&#8220;O fato de eu pensar revela-me a exist\u00eancia de algo que pensa.&#8221; <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 esse algo? Sou eu! <strong><em>Cogito, ergo sum. Penso, logo existo!<\/em><\/strong> A minha pr\u00f3pria d\u00favida demonstra a minha exist\u00eancia de duvidador. De outra maneira, nem a pr\u00f3pria d\u00favida poderia existir. E assim, conduz o ceticismo a uma certeza: <strong>&#8220;Eu existo!&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Mas quem sou eu? A essa pergunta, d\u00e1, Descartes, uma resposta simples e l\u00f3gica. Sou aquilo que duvida. Em outras palavras, sou uma, coisa, pensante, ou um esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>Posso duvidar que eu tenha um corpo ou que exista um mundo material onde vivo. N\u00e3o posso, contudo, duvidar de minha d\u00favida nem da exist\u00eancia do meu pensamento<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Afirma ent\u00e3o Descartes no Discurso do M\u00e9todo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Disto deduzo que sou uma subst\u00e2ncia cuja natureza toda consiste em pensar. Esse &#8220;eu&#8221;, isto \u00e9, a alma pela qual sou o que sou, \u00e9 inteiramente distinta do meu corpo e \u00e9 at\u00e9 mais f\u00e1cil de ser conhecida do que o corpo; e mesmo, se o corpo n\u00e3o existisse, n\u00e3o deixaria, a alma, de ser o que \u00e9.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>E assim, pelo simples processo de pesquisar tudo, inclusive a exist\u00eancia do corpo, alcan\u00e7a, Descartes, estabelecer uma coisa \u2014 <strong>a exist\u00eancia da alma<\/strong>.<\/p>\n<p>Conduziu-nos, Descartes, \u00e0 tesouraria do mist\u00e9rio atrav\u00e9s da porta do ceticismo. Era esta, contudo, uma porta girat\u00f3ria, que nos fez andar \u00e0 roda num remoinho vertiginoso, dando-nos, apenas, um vislumbre de nossa pr\u00f3pria natureza refletida no espelho obscuro. Pois, tal \u00e9 a natureza da metaf\u00edsica, o estudo das <em>&#8220;realidades \u00faltimas&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do Editor<\/strong>:\u00a0 O estudo da metaf\u00edsica, devido \u00e0 sua natureza abstrata, nos conduz a pensamentos e conclus\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o iguais para todos. N\u00e3o por acaso as religi\u00f5es ao redor do mundo, por exemplo, possuem cren\u00e7as diferentes uma das outras, variando de local para local. A ci\u00eancia, contudo, baseada na experi\u00eancia e no teste (pelo menos a ci\u00eancia tradicional) tende \u00e0s mesmas conclus\u00f5es entre cientistas de pa\u00edses diferentes, que utilizam as mesmas bases cient\u00edficas. Segundo Descartes, a Filosofia tinha o mesmo problema da religi\u00e3o, ent\u00e3o, ele pretendia colocar a Filosofia (e a pr\u00f3pria ci\u00eancia de seu tempo) nessas mesmas bases matem\u00e1ticas e racionais. E conseguiu, fundando assim n\u00e3o apenas a Filosofia Moderna mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria mentalidade da Era Moderna, que n\u00e3o acredita em nada que n\u00e3o seja provado cientificamente.<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8220;Sou uma coisa pensante&#8221;, afirma Descartes. Mas para pensar, \u00e9 necess\u00e1rio ser. Sou, portanto, um ser, um esp\u00edrito vivo. Esta \u00e9 a primeira coisa que eu, que iniciei duvidando de tudo, posso conceber clara e distintamente como verdadeira.<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9, pois, o primeiro fato estabelecido \u2014 o meu esp\u00edrito vivo. Haver\u00e1 outros fatos estabelecidos, isto \u00e9, coisas que posso conceber, clara e distintamente, como verdadeiras?<\/p>\n<p><strong>Sim, replica Descartes. H\u00e1 dois fatos: a presen\u00e7a de meu corpo, e a exist\u00eancia de Deus<\/strong>. Meu corpo, como posso ver claramente, \u00e9 uma subst\u00e2ncia. \u00c9 uma subst\u00e2ncia material, assim como minha alma \u00e9 uma subst\u00e2ncia pensante.<\/p>\n<p><strong>A coisa chamada <em>&#8220;eu&#8221;<\/em>,\u00a0 consiste de duas partes distintas \u2014 a m\u00e1quina que se move, ou corpo, e a aquilo que pensa, ou alma.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nota do Editor:<\/strong> <em>\u00a0Esta forma cartesiana de fazer filosofia baseada no ceticismo e na verifica\u00e7\u00e3o criteriosamente l\u00f3gica e racional tornou-se a base da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Tamb\u00e9m a ideia de que o mundo \u00e9 como uma gigantesca engrenagem mec\u00e2nica, bastando para isso aplicar o m\u00e9todo correto para compreend\u00ea-lo, \u00e9 tamb\u00e9m uma ideia de Descartes.<\/em><\/p>\n<p><strong>Esta filosofia de m\u00e1quina e alma \u00e9 conhecida como o sistema dual\u00edstico<\/strong> \u2014 isto \u00e9, o sistema que divide o mundo em duas entidades separadas, o corpo e o esp\u00edrito. Serve, pois, de base para as duas grandes correntes filos\u00f3ficas divergentes dos tempos modernos \u2014 <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2012\/racionalismo-e-empirismo-uma-introducao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o empirismo e o racionalismo<\/a>.<\/p>\n<p>Descartes estabeleceu ele, em seguida, a realidade de seu esp\u00edrito e a presen\u00e7a de seu corpo. Logo depois, conclui pela exist\u00eancia de Deus:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;O que quer que eu conceba muito clara e distintamente \u00e9 verdadeiro. Refletindo sobre o fato de que a a incerteza nos assalta, compreende que exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 perfeita. Mas de onde aprendi a pensar que existe algo perfeito? Obviamente, de alguma natureza que, na verdade \u00e9 mais perfeita do que eu \u2014 uma natureza que tem, dentro em si, todas as perfei\u00e7\u00f5es de que eu possa fazer ideia \u2014 numa palavra, Deus.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Somente aquilo que \u00e9 perfeito pode ser atribu\u00eddo a Deus. N\u00e3o pode haver imperfei\u00e7\u00e3o nele. A d\u00favida, a inconst\u00e2ncia, a tristeza, a c\u00f3lera, o \u00f3dio \u2014 n\u00e3o s\u00e3o atributos de Deus, j\u00e1 que s\u00e3o qualidades cuja aus\u00eancia nos faria mais felizes. Isto \u00e9, s\u00e3o qualidades imperfeitas, a marca da humanidade e n\u00e3o da divindade.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do Editor:<\/strong> Esta ideia de Descartes ficou conhecida como &#8220;argumento da marca impressa&#8221;, que afirma que n\u00e3o somos uma &#8220;tabula rasa&#8221;, ou apenas uma folha de papel em branco onde a experi\u00eancia escreve. Para Descartes n\u00f3s possu\u00edmos ideias inatas, e entre elas, a ideia de Deus, de onde vem nossa ideia de perfei\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma das ideias fundamentais do Racionalismo, uma das principais correntes filos\u00f3ficas da Filosofia Moderna.<\/em><\/p>\n<p>Este fato da exist\u00eancia de um Deus perfeito \u2014 afirma Descartes. \u2014 &#8220;iguala, em certeza, os fatos demonstrados da geometria.&#8221; Deus \u00e9 a ideia de perfei\u00e7\u00e3o que conduz os nossos passos imperfeitos. <strong>Este \u00e9, portanto, o retrato da humanidade feito por Descartes \u2014 um corpo mec\u00e2nico tendo dentro uma alma guiada pela ideia de perfei\u00e7\u00e3o (ou a ideia de Deus)<\/strong>.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do Editor:<\/strong> Posteriormente alguns fil\u00f3sofos chamaram esta ideia de &#8220;fantasma na m\u00e1quina&#8221;, tornando-se assim um conceito popular e fruto de muitos debates filos\u00f3ficos sobre a alma e o corpo.<\/em><\/p>\n<h3>A vida cotidiana e a filha de Descartes<\/h3>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_2784\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-office.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2784\" class=\"size-content wp-image-2784\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-office-600x264.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2784\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o de Ren\u00e9 Descartes em seu escrit\u00f3rio. Autor desconhecido.<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Era, para Descartes, tarefa relativamente f\u00e1cil permitir que fossem, os seus passos, guiados para a luz atrav\u00e9s do caminho da contempla\u00e7\u00e3o tranquila, pois n\u00e3o o afligia a luta econ\u00f4mica pela exist\u00eancia. <strong>Quando o pai morreu, herdou rendimento suficiente para levar uma vida de conforto. Nunca se casou<\/strong>.<\/p>\n<p>O curso de sua vida seguia em pregui\u00e7osa corrente, isenta de acontecimentos not\u00e1veis. Comia bem, dormia bem\u00a0\u2014 ainda dormia at\u00e9 tarde, pela manh\u00e3 \u2014 e vivia bem.<\/p>\n<p>De vez em quando, fazia viagens ao exterior, mas a maior parte do tempo ficava em casa e &#8220;conversava&#8221; com os amigos por meio de sua correspond\u00eancia.<\/p>\n<p>Dizia-lhes de seus descobrimentos filos\u00f3ficos, do &#8220;prazer que experimentava na solid\u00e3o de sua resid\u00eancia,&#8221; de sua boa sorte em escapar \u00e0s v\u00e1rias doen\u00e7as que afligiam &#8220;a maioria da humanidade&#8221;.<\/p>\n<p>Assim passava os seus dias indolentes, meditativos e, &#8220;amando a vida e n\u00e3o temendo a morte&#8221;.<\/p>\n<p>Na realidade, considerava-se agora (com a idade de quarenta e quatro anos) &#8220;mais distante da morte que quando mo\u00e7o&#8221;. A sua sa\u00fade e os seus dentes, escrevia aos amigos, eram excelentes: havia mais de trinta anos que &#8220;nada sofria que pudesse ser chamado enfermidade&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Foi, ent\u00e3o, que recebeu o primeiro golpe real em sua vida. Fizera-se pai de uma crian\u00e7a ileg\u00edtima, Francine, que ele passou a adorar acima de tudo<\/strong>. Planejava lev\u00e1-la para a Fran\u00e7a, onde poderia ser educada como &#8220;uma senhora distinta,&#8221; quando ela, subitamente, morreu.<\/p>\n<p>Refere-nos o seu bi\u00f3grafo <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Adrien_Baillet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adrien Baillet<\/a>, que &#8220;ele chorou pela crian\u00e7a de tal forma que a ideia da eternidade podia, alguma vez, ser extinguida pela dor do momento&#8221;.<\/p>\n<p>Entretanto, ap\u00f3s o seu sofrimento recolheu-se de novo \u00e0 cidadela de seus pensamentos. Comprou uma bela propriedade agr\u00edcola pouco distante de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Leida\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leiden<\/a> e apenas a &#8220;duas horinhas&#8221; do mar.<\/p>\n<p><strong>Servido por &#8220;uma quantidade suficiente de criados bem escolhidos,&#8221; sentava-te em seu escrit\u00f3rio octogonal, olhando para um velho jardim pitoresco e sonhando os seus sonhos c\u00e9ticos.<\/strong><\/p>\n<p>Era a perfeita figura de um fil\u00f3sofo \u2014 pequeno, magro, a cabe\u00e7a grande, os cabelos pretos chegando quase \u00e0s sobrancelhas, p\u00e1lido, um len\u00e7o de seda preta para proteger a garganta contra o frio e um casaco preto. Para complementar esta pequena estatueta filos\u00f3fica, trazia um\u00a0sorriso enigm\u00e1tico nos l\u00e1bios e uma luz misteriosa no olhar.<\/p>\n<p>Ao sair de casa colocava uma cabeleira e cal\u00e7ava meias de l\u00e3 sobre os cal\u00e7\u00f5es. Porque temia o efeito da menor mudan\u00e7a de temperatura sobre &#8220;a herdada fraqueza&#8221; de seu peito. Em virtude do medo dessa fraqueza pulmonar, passou a ficar cada vez mais em casa, \u00e0 medida que envelhecia.<\/p>\n<h3>O convite da Rainha Cristina da Su\u00e9cia<\/h3>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_2781\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Descartes-e-Rainha-Cristina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2781\" class=\"wp-image-2781 size-content\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Descartes-e-Rainha-Cristina-600x264.jpg\" alt=\"Descartes e Rainha Cristina\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2781\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Pintura do s\u00e9culo XVIII , de Pierre Louis Dumesni, retratando uma aula de Ren\u00e9 Descartes \u00e0 rainha Cristina (no canto \u00e0 esquerda, de cabelos escuros). Museu Nacional de Versalhes.<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Foi, portanto, com mistas emo\u00e7\u00f5es que recebeu uma carta da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cristina_da_Su%C3%A9cia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rainha Cristina da Su\u00e9cia<\/a>, convidando-o para morar em seu pa\u00eds e ensinar-lhe Filosofia.<\/p>\n<p><strong>O clima da Su\u00e9cia era tanto ou mais severo que o da Holanda<\/strong>. Poderia ser perigoso demais para a sua sa\u00fade. Mas, de outro lado, o favor de uma rainha n\u00e3o era de se desprezar, nem mesmo por parte de um fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p>E a Rainha Cristina era uma mulher que geralmente conseguia o que queria. Tendo perdido seu pai <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gustavo_II_Adolfo_da_Su%C3%A9cia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gustavo Adolfo<\/a>, com a idade de seis anos, tivera uma educa\u00e7\u00e3o masculina, pois o Rei Gustavo expressara, ao morrer, o desejo de que o seu pa\u00eds <strong><em>&#8220;fosse governado por uma rainha que agisse como homem e n\u00e3o por um rei que governasse como uma mulher&#8221;<\/em><\/strong>. E Cristina, em verdade, governava como um homem.<\/p>\n<p>Desdenhava as delicadezas do trajar. Uma cabe\u00e7a desgrenhada sem coroa, saias curtas e camisas, sapatos rasos de saltos baixos \u2014 tal era a sua indument\u00e1ria cortes\u00e3.<\/p>\n<p>Mas o seu car\u00e1ter era firme como o a\u00e7o, e o seu corpo t\u00e3o forte como o car\u00e1ter. Comia pouco, dormia pouco e exercitava-se como um soldado que se preparasse para a luta.<\/p>\n<p>Era capaz de galopar dez horas sobre um cavalo sem se cansar, era capaz de suportar o calor e o frio com igual indiferen\u00e7a e atirava com precis\u00e3o mortal, fosse a p\u00e9, fosse a cavalo.<\/p>\n<p>Em adi\u00e7\u00e3o \u00e0s suas proezas f\u00edsicas, tinha tamb\u00e9m um esp\u00edrito multiforme. <strong>H\u00e1bil linguista, conversava fluentemente em sueco, franc\u00eas, italiano, espanhol e alem\u00e3o\u00a0\u2014 isso, sem mencionar o latim e o grego<\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00e3o se contentava com tinturas de ci\u00eancias, e possu\u00eda um genu\u00edno amor \u00e0 Filosofia. Unindo esta not\u00e1vel combina\u00e7\u00e3o de nervos e m\u00fasculos, havia nela uma vontade indom\u00e1vel.<\/p>\n<div id=\"attachment_2803\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rainha-cristina-suecia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2803\" class=\"size-full wp-image-2803\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rainha-cristina-suecia.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rainha-cristina-suecia.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rainha-cristina-suecia-300x115.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2803\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Rainha Cristina da Su\u00e9cia, \u00f3leo sobre tela de S\u00e9bastian Bourdon. Sec. XVII<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Reiteradamente recusou-se, Descartes, a aceitar-lhe o convite. Enviou-lhe cartas cheias de enjoativa lisonja, assegurando-lhe que &#8220;Sua Alteza Real fora mais criada \u00e0 imagem de Deus que o resto da humanidade.&#8221;<\/p>\n<p>Ela pedia-lhe, contudo, que Descartes aceitasse do privil\u00e9gio de &#8220;esquentar-se aos raios do sol de sua Graciosa Presen\u00e7a.&#8221; A honra ser convidado pela rainha era esmagadora.<\/p>\n<p>No entanto, &#8220;depois de vinte anos de solid\u00e3o, e j\u00e1 n\u00e3o sendo jovem, solicito a Vossa Alteza Real que me poupe a desnecess\u00e1ria fadiga da jornada.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Mas Sua Alteza Real n\u00e3o tencionava poup\u00e1-lo. Decidira trazer o c\u00e9lebre fil\u00f3sofo para o seu &#8220;pa\u00eds de ursos entre rochas de gelo.&#8221; E conseguiu. Em Setembro de 1649 partia Descartes para a Su\u00e9cia. E tamb\u00e9m para a morte.<\/strong><\/p>\n<h3>\u00daltimos dias de Ren\u00e9 Descartes<\/h3>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_2795\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/castelo-das-tres-coroas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2795\" class=\"wp-image-2795 size-full\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/castelo-das-tres-coroas.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/castelo-das-tres-coroas.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/castelo-das-tres-coroas-300x118.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2795\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Castelo das Tr\u00eas Cor\u00f4as, em Estocolmo, Su\u00e9cia. Pal\u00e1cio Real onde morava a Rainha Cristina, local dos \u00faltimos dias de Ren\u00e9 Descartes.<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Quando de sua chegada a Estocolmo, encontrou Descartes, n\u00e3o somente a severidade do clima sueco como, tamb\u00e9m a teimosia de vontade de Cristina. Entendendo a rainha que o seu esp\u00edrito era mais receptivo \u00e0 Filosofia nas primeiras horas da manh\u00e3, insistia para que Descartes chegasse ao pal\u00e1cio antes do nascer do sol, todos os dias.<\/p>\n<p>Essa jornada pelas nevascas rigorosas do inverno do norte foi demasiado para um fil\u00f3sofo acostumado ao luxo de demoradas medita\u00e7\u00f5es matutinas numa cama quente. <em><strong>&#8220;Neste pa\u00eds&#8221; queixava-se ele, &#8220;o sangue gela na veia como a \u00e1gua nos rios.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Suportou essa vida durante algumas semanas apenas. Uma manh\u00e3, em meados do inverno, ao caminhar para o pal\u00e1cio, apanhou fort\u00edssimo resfriado.<\/p>\n<p>Dois dias depois, declarou-se a pneumonia. A rainha mandou-lhe um m\u00e9dico alem\u00e3o mas Descartes n\u00e3o confiou nele. Quando o m\u00e9dico se ofereceu para sangr\u00e1-lo, exclamou: &#8220;O senhor n\u00e3o derramar\u00e1 nenhuma gota de sangue franc\u00eas!&#8221;<\/p>\n<p><strong>Quando, finalmente, se submeteu \u00e0 sangria era tarde demais. Em 11 de Fevereiro de 1650 Descartes murmurou no leito: &#8220;S\u00e3o horas da alma levantar-se, sou uma alma viva em busca da Verdade.&#8221; E logo depois, faleceu.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong>Autor:\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Henry_T._Schnittkind\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Henry Thomas Schnittkind<\/a><\/em><br \/>\nTexto original extra\u00eddo do livro\u00a0<strong><em>\u201cVida de Grandes Fil\u00f3sofos\u201d<\/em><\/strong>, 1944, de Henry Thomas e Dana Thomas. Editora Livraria do Globo.<br \/>\nAdapta\u00e7\u00f5es, links e notas inclu\u00eddas pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/quem-sou\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">editor<\/a> do <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">netmundi.org<\/a><\/p>\n<h3>Outras Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h3>\n<hr \/>\n<ol>\n<li>DESCARTES, Ren\u00e9. <strong>Discurso do m\u00e9todo, medita\u00e7\u00f5es e outras obras<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1983.<\/li>\n<li>BURTT, Edwin A. <strong>As bases metaf\u00edsicas da ci\u00eancia moderna<\/strong>. Bras\u00edlia: UnB, 1983.<\/li>\n<li>DESCARTES, Ren\u00e9. Medita\u00e7\u00f3es sobre Filosofia Primeira. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2004<\/li>\n<li>THOMAS, Henry. <strong>Vida de Grandes Fil\u00f3sofos<\/strong>, xx: Editora Globo, 1944<\/li>\n<\/ol>\n<h3>Texto complementar: O M\u00e9todo de Descartes<\/h3>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_1407\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/descartes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1407\" class=\"wp-image-1407 size-content\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/descartes-600x264.jpg\" alt=\"Ren\u00e9 Descartes\" width=\"600\" height=\"264\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1407\" class=\"wp-caption-text\"><strong><em>A forma de pensar do homem moderno \u00e9 cartesiana, ou seja, tudo deve passar por um m\u00e9todo, ser explicado e avaliado racionalmente para, somente ent\u00e3o, fazer parte do conjunto de nossas cren\u00e7as.<\/em><\/strong><\/p><\/div>\n<p><strong>A filosofia de Descartes pretende separar o conhecimento seguro do incerto. Ou de tornar s\u00f3lidas nossas cren\u00e7as para que atinjam o\u00a0<em>status<\/em>\u00a0de conhecimento<\/strong>.<\/p>\n<p>De todas as disciplinas com que teve contato, diz ele,\u00a0<strong>apenas a matem\u00e1tica, \u201cpor causa da certeza e da evid\u00eancia de suas raz\u00f5es\u201d, mostrou-se promissora<\/strong>.<\/p>\n<p>O exemplo a ser seguido \u00e9 o da matem\u00e1tica, que apresentava as caracter\u00edsticas necess\u00e1rias de uma ci\u00eancia segura e certa, servindo de modelo e par\u00e2metro. <strong>Baseado nessa ideia, desenvolveu seu m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.<\/strong><\/p>\n<p>Este m\u00e9todo que amplia gradativamente o conhecimento \u00e9 tamb\u00e9m conhecido como <strong>D\u00favida Met\u00f3dica<\/strong>.<\/p>\n<p>Os passos a seguir est\u00e3o descritos na obra <strong>Discurso sobre o M\u00e9todo<\/strong>, e constituem sua parte mais conhecida. Contudo, a D\u00favida Met\u00f3dica n\u00e3o se resume a estes passos,\u00a0<strong>pois corresponde (de forma mais ampla) a uma postura criteriosa de investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.<\/strong><\/p>\n<h2>O m\u00e9todo de Descartes:<\/h2>\n<ol>\n<li>Jamais aceitar como verdadeira coisa alguma que n\u00e3o estivesse t\u00e3o clara \u00e0 minha mente que n\u00e3o restasse d\u00favidas de sua verdade.<\/li>\n<li>Dividir cada dificuldade em tantas partes quanto o poss\u00edvel e necess\u00e1rio para resolv\u00ea-las.<\/li>\n<li>Organizar meus pensamentos, iniciando pelos assuntos mais f\u00e1ceis e simples e progredindo gradativamente at\u00e9 os mais complexos.<\/li>\n<li>Fazer, para cada caso, enumera\u00e7\u00f5es e revis\u00f5es at\u00e9 que estivesse certo de n\u00e3o ter omitido nada.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por fim, Descartes afirma a f\u00e9 em seu m\u00e9todo:\u00a0<em><strong>\u201cAgindo assim, n\u00e3o existir\u00e3o (verdades) t\u00e3o distantes que n\u00e3o possam ser alcan\u00e7adas, nem t\u00e3o escondidas que n\u00e3o sejam descobertas\u201d<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo cartesiano, como pode ser observado acima, \u00e9 apenas uma lista de quatro etapas. Descartes inaugurou uma nova forma de pensar e investigar o mundo que influenciou de forma decisiva a Filosofia Moderna e o m\u00e9todo cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>Nossa forma atual de pensar \u00e9 ainda cartesiana, ou seja, tudo deve passar por um m\u00e9todo, ser explicado e avaliado racionalmente para, somente ent\u00e3o, fazer parte do conjunto de nossas cren\u00e7as<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor: <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/quem-sou\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alfredo Carneiro<\/a><\/p>\n<h3>Frases de Ren\u00e9 Descartes<\/h3>\n<hr \/>\n<p><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-cogito.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-2807\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-cogito.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-cogito.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-cogito-300x115.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<ol>\n<li><strong><em>\u00a0&#8220;Penso, logo existo.&#8221;<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio que ao menos uma vez na vida voc\u00ea duvide, tanto quanto o poss\u00edvel, de todas as coisas.&#8221;<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>&#8220;Tomei a decis\u00e3o de fingir que todas as coisas que est\u00e3o em minha mente n\u00e3o s\u00e3o mais reais que as ilus\u00f5es de meus sonhos.&#8221;<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>&#8220;Achei melhor modificar antes meus desejos do que a ordem do mundo.&#8221;<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>&#8220;N\u00e3o existindo possibilidade de diferenciar as opini\u00f5es verdadeiras, devemos adotar as mais prov\u00e1veis.&#8221;<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>&#8220;O excesso de leis d\u00e1 desculpas ao v\u00edcio. Um Estado \u00e9 muito melhor organizado quando, possuindo poucas leis, elas s\u00e3o rigorosamente observadas.&#8221;<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>&#8220;\u00c9 bom saber alguma coisa dos costumes dos outros povos, para que melhor julguemos os nossos e n\u00e3o achar que tudo o que contraria nossos h\u00e1bitos seja rid\u00edculo, como fazem aqueles que nada viram.&#8221;\u00a0<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li><em><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Confira mais frases do fil\u00f3sofo franc\u00eas aqui no netmundi:<\/span>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/category\/descartes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Descartes &#8211; Pensamentos &amp; imagens<\/a>.<\/strong><\/em><\/li>\n<\/ul>\n<h3>Livros de Descartes<\/h3>\n<hr \/>\n<ul>\n<li><em>Regras para a dire\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, 1628<\/em><\/li>\n<li><em>O Mundo ou Tratado da Luz, 1633<\/em><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/descartes-discurso-do-metodo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Discurso sobre o m\u00e9todo,\u00a01637<\/em><\/a><\/li>\n<li><em>Geometria, 1637<\/em><\/li>\n<li><em>Medita\u00e7\u00f5es Metaf\u00edsicas, 1641<\/em><\/li>\n<li><em>Princ\u00edpios de Filosofia, 1644<\/em><\/li>\n<li><em>As Paix\u00f5es da Alma, 1649<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<h3><strong><em>Navegue pelo netmundi.org<\/em><\/strong><\/h3>\n<hr \/>\n<ol>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog do Editor<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Posts<\/em> sobre Filosofia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pensamentos de v\u00e1rios fil\u00f3sofos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<h3>Leituras sugeridas<\/h3>\n<hr \/>\n<ol>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/category\/filosofia-moderna-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Categoria Filosofia Moderna do netmundi<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2018\/baruch-espinosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baruch Espinosa \u2013 \u201cTudo existe em Deus\u201d<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2017\/nicolau-copernico-do-heliocentrismo-a-filosofia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nicolau Cop\u00e9rnico: do heliocentrismo \u00e0 Filosofia Moderna<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2013\/o-que-e-metafisica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O que \u00e9 Metaf\u00edsica?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2012\/racionalismo-e-empirismo-uma-introducao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Racionalismo e Empirismo: uma introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ren\u00e9 Descartes (1596- 1650) nasceu com o estigma da fragilidade. Sua m\u00e3e\u00a0 morreu de tuberculose poucos dias ap\u00f3s o nascimento dele. Os m\u00e9dicos disseram a seu pai que o garoto tamb\u00e9m estava destinado a uma sepultura precoce, porque herdara a p\u00e1lida complei\u00e7\u00e3o e a tosse de sua m\u00e3e. O pai, funcion\u00e1rio, p\u00fablico em Poitiers, entregou-o \u00e0 guarda de uma ama que o afastava dos jogos e brinquedos das outras crian\u00e7as da aldeia. Como resultado desse excesso de cuidados, cresceu com um esp\u00edrito &#8220;feminino&#8221; \u2014 dedicado, introspectivo, distante. O pai chamava-o &#8220;o meu filosofozinho&#8221;. Aos oito anos, entrou para a escola dos jesu\u00edtas de La Fl\u00e8che, onde os mestres continuaram a encoraj\u00e1-lo na imobilidade do corpo e no exerc\u00edcio do esp\u00edrito. Permitiam-lhe ficar na cama at\u00e9 mais tarde, para que pudesse meditar sobre seus estudos ao passo que, os outros meninos, eram obrigados a recitar em aula as suas li\u00e7\u00f5es. Como resultado dessas horas extraordin\u00e1rias de lazer, n\u00e3o somente se mantinha em dia com os estudos que lhe eram prescritos, como tamb\u00e9m conseguia adquirir grande quantidade de conhecimentos adicionais. Era, especialmente, apaixonado pela leitura dos cl\u00e1ssicos, &#8220;a fim de empreender jornadas mentais&#8221;, como dizia, &#8220;pelo passado e travar conversa\u00e7\u00e3o com os [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2773,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[191],"tags":[],"class_list":["post-2772","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-filosofia-moderna-2"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Ren\u00e9 Descartes - Biografia, filosofia, obras e frases - netmundi.org<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A m\u00e3e de Ren\u00e9 Descartes morreu de tuberculose poucos dias ap\u00f3s o nascimento dele. 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