{"id":2714,"date":"2018-07-04T12:54:28","date_gmt":"2018-07-04T12:54:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/?p=2714"},"modified":"2022-01-11T19:40:47","modified_gmt":"2022-01-11T19:40:47","slug":"david-hume-principais-ideias-e-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/david-hume-principais-ideias-e-obras\/","title":{"rendered":"David Hume: principais ideias, frases e obras"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Da tradi\u00e7\u00e3o empirista brit\u00e2nica dos s\u00e9culos XVII e XVIII, David Hume \u00e9 com certeza o mais influente dos fil\u00f3sofos.<\/strong> Suas ideias exerceram uma for\u00e7a atrativa enorme na filosofia contempor\u00e2nea. David Hume nasceu em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Edimburgo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Edinburgo<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Esc%C3%B3cia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Esc\u00f3cia<\/a>, em 1711 e l\u00e1 tamb\u00e9m morreu em 1776. Desde cedo, manifestou interesse pela literatura e pela filosofia, embora sua fam\u00edlia o destinasse \u00e0 carreira jur\u00eddica. Aos 23 anos, Hume vai para a Fran\u00e7a, com a inten\u00e7\u00e3o de perseguir uma carreira liter\u00e1ria. L\u00e1, onde fica at\u00e9 1737, escreve sua primeira obra filos\u00f3fica, o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tratado_da_Natureza_Humana\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tratado da Natureza Humana<\/a>, que publica em 1739, com apenas 28 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra, longa e ambiciosa, n\u00e3o desperta qualquer interesse na comunidade liter\u00e1rio-filos\u00f3fica, frustrando as pretens\u00f5es de Hume. A fama liter\u00e1ria s\u00f3 veio anos mais tarde, quando publica, em 1741, seus Ensaios morais e pol\u00edticos. Em 1751, publica dois livros que retomam partes do Tratado de 1739: <strong>a Investiga\u00e7\u00e3o sobre o entendimento humano e a Investiga\u00e7\u00e3o sobre os princ\u00edpios da moral<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua fama liter\u00e1ria aumenta nos anos seguintes, com a publica\u00e7\u00e3o de seus Discursos pol\u00edticos, em 1752, e dos volumes dedicados \u00e0 Hist\u00f3ria da Inglaterra, que come\u00e7a a publicar em 1756.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hume coroa a evolu\u00e7\u00e3o do empirismo moderno, construindo, com sua filosofia, uma verdadeira alternativa ao racionalismo que predominava na filosofia europ\u00e9ia continental<\/strong>. Mais do que Locke, \u00e9 Hume quem permaneceu como refer\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o empirista na filosofia moderna.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De fato, at\u00e9 hoje seus argumentos s\u00e3o objeto de discuss\u00e3o e muitas de suas teses ainda s\u00e3o largamente aceitas e defendidas<\/strong>. Hume ainda \u00e9 um tipo de fil\u00f3sofo cujas ideias ainda podemos filosofar. Contudo, \u00e9 frequente vermos a filosofia de Hume ser caracterizada como uma filosofia c\u00e9tica. Para que n\u00e3o ocorram enganos quanto a isso, vejamos a participa\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ceticismo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ceticismo<\/a> em sua filosofia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O ceticismo moderado de David Hume<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceticismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"264\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ceticismo-600x264.jpg\" alt=\"Ceticismo David Hume\" class=\"wp-image-2717\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Hume, ali\u00e1s, apresentava sua filosofia como uma esp\u00e9cie de ceticismo \u2013 <strong>mas \u00e9 preciso entender bem essa alega\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o cometamos uma injusti\u00e7a<\/strong>. O ceticismo, genericamente, pode ser caracterizado como uma posi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica que defende a suspens\u00e3o do ju\u00edzo diante da impossibilidade de fixarmos crit\u00e9rios claros para distinguir o verdadeiro do falso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, dado que n\u00e3o temos como determinar quais de nossas cren\u00e7as s\u00e3o verdadeiras e quais s\u00e3o falsas (ou, alternativamente, quais delas est\u00e3o justificadas e quais n\u00e3o est\u00e3o), o melhor \u00e9 simplesmente abster-se de afirmar ou negar qualquer coisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa posi\u00e7\u00e3o, tomada ao p\u00e9 da letra, diz Hume, \u00e9 insustent\u00e1vel: quer queiramos ou n\u00e3o, tomamos posi\u00e7\u00e3o, afirmamos ou negamos diversas coisas \u2013 do contr\u00e1rio, simplesmente n\u00e3o ser\u00edamos capazes de agir, e, se n\u00e3o formos capazes de agir, simplesmente perecemos.<\/strong> Em contraste com esse ceticismo generalizado, podemos ser c\u00e9ticos com rela\u00e7\u00e3o a algumas coisas e n\u00e3o a outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns s\u00e3o c\u00e9ticos religiosos: n\u00e3o acreditam que nossas cren\u00e7as religiosas possam encontrar uma justifica\u00e7\u00e3o. Outros s\u00e3o c\u00e9ticos morais, n\u00e3o acreditando que nossas cren\u00e7as morais possam ser verdadeiras ou falsas. O ceticismo de Hume est\u00e1 voltado, sobretudo, para a metaf\u00edsica, no seu sentido tradicional, cultivado ainda pelos fil\u00f3sofos racionalistas: <strong>Hume n\u00e3o cr\u00ea que seja poss\u00edvel justificar, \u00e0 maneira dos racionalistas, as cren\u00e7as metaf\u00edsicas tradicionais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hume se esfor\u00e7a para mostrar que seu ceticismo \u00e9 moderado. Sua posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 baseada em dois pilares fundamentais: a observa\u00e7\u00e3o cuidadosa dos limites do entendimento humano e a primazia do h\u00e1bito como condutor de nossas vidas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande erro dos racionalistas, segundo Hume, \u00e9 desconhecer os limites que encerram nossa raz\u00e3o, confiando excessivamente na sua capacidade de gerar conhecimento e <strong>produzir certeza puramente baseado na l\u00f3gica, ou seja, se um argumento logicamente faz sentido, ent\u00e3o \u00e9 verdadeiro e racional<\/strong>. <strong>Esta \u00e9 a base, por exemplo, das comprova\u00e7\u00f5es racionais da exist\u00eancia de Deus entre os racionalistas e mesmo antes deles com os fil\u00f3sofos crist\u00e3os medievais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando essa esperan\u00e7a se mostra infundada, o resultado inevit\u00e1vel \u00e9 exatamente o ceticismo: frustrados, aqueles que depositaram na raz\u00e3o suas esperan\u00e7as acabam caindo justamente no ceticismo que queriam evitar. <strong>Um guia mais confi\u00e1vel \u00e9 a pr\u00f3pria natureza humana, com seus princ\u00edpios que nos inclinam a assumir uma s\u00e9rie de posi\u00e7\u00f5es e aceitar uma s\u00e9rie de cren\u00e7as indispens\u00e1veis para nossa vida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O ceticismo moderado de Hume, assim, vem associado a uma vis\u00e3o eminentemente naturalista do ser humano. Construir uma ci\u00eancia da natureza humana, ali\u00e1s, \u00e9 o grande projeto que Hume se prop\u00f5e realizar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">David Hume e a natureza do conhecimento<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/ideias-locke.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"205\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/ideias-locke.jpg\" alt=\"Locke: Ideias simples e ideias complexas\" class=\"wp-image-2637\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/ideias-locke.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/ideias-locke-300x103.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Hume aceita, como ponto de partida, o postulado empirista b\u00e1sico: \u201ctodos os materiais do pensamento derivam da sensa\u00e7\u00e3o interna ou externa\u201d. Hume chama a esses \u201cmateriais do pensamento\u201d, genericamente, de percep\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As percep\u00e7\u00f5es, por sua vez, dividem-se em impress\u00f5es e ideias<\/strong>. A diferen\u00e7a entre elas \u00e9, basicamente, uma diferen\u00e7a de for\u00e7a ou vivacidade: impress\u00f5es s\u00e3o mais fortes ou vivazes do que as ideias.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Pelo termo impress\u00e3o, entendo todas as nossas percep\u00e7\u00f5es mais vivazes, quando ouvimos, vemos, sentimos, amamos, odiamos, desejamos ou queremos. E as impress\u00f5es se distinguem das ideias, que s\u00e3o as impress\u00f5es menos vivazes das quais temos consci\u00eancia quando refletimos sobre qualquer dessas sensa\u00e7\u00f5es ou movimentos acima mencionados. (BERKELEY &amp; HUME, 1980, P. 140).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Assim, quando percebemos uma ma\u00e7\u00e3, temos uma determinada impress\u00e3o; quando nos lembramos ou, em geral, pensamos na ma\u00e7\u00e3 (sem estar em sua presen\u00e7a, por assim dizer), temos uma determinada ideia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o entre impress\u00f5es e ideias permite a Hume dar uma vers\u00e3o mais precisa do postulado empirista: <strong>o que ele quer dizer \u00e9 que todas as nossas ideias t\u00eam origem em impress\u00f5es anteriores<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso sugere tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de \u201cm\u00e9todo\u201d: devemos proceder de modo a examinar nossas ideias em busca das impress\u00f5es de que derivam. <strong>Caso n\u00e3o encontremos a impress\u00e3o original, \u00e9 porque a ideia \u00e9 vazia,<\/strong> e deve ser descartada. O pr\u00f3prio Hume faz refer\u00eancia constante a esse \u201cm\u00e9todo\u201d, e assim termina sua Investiga\u00e7\u00e3o sobre o entendimento humano:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Se tomamos nas m\u00e3os um volume qualquer de Teologia ou de Metaf\u00edsica escol\u00e1stica, por exemplo, perguntemos: Este livro cont\u00e9m algum racioc\u00ednio abstrato sobre quantidade ou n\u00famero? N\u00e3o. Cont\u00e9m algum racioc\u00ednio sobre quest\u00f5es de fato ou de exist\u00eancia? N\u00e3o. Para o fogo com ele, pois outra coisa n\u00e3o pode encerrar sen\u00e3o sofismas e ilus\u00f5es. (BERKELEY &amp; HUME, 1980, p. 204).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Essa passagem faz refer\u00eancia a uma distin\u00e7\u00e3o complementar que \u00e9 de suma import\u00e2ncia para o pensamento de Hume<\/strong>, embora n\u00e3o tenha sido ele originalmente seu inventor: estamos nos referindo \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre dois tipos de conhecimento, o que diz respeito a<strong> rela\u00e7\u00f5es de ideias<\/strong> e o que se reporta a <strong>quest\u00f5es de fato<\/strong> (essa distin\u00e7\u00e3o, de fato, j\u00e1 se encontra na discuss\u00e3o que <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2018\/leibniz-monadas-estrutura-da-realidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leibniz<\/a> faz das ideias de <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2018\/john-locke-sobre-o-entendimento-humano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Locke<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rela\u00e7\u00f5es de Ideias<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"187\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3.png\" alt=\"Matem\u00e1tica\" class=\"wp-image-2347\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3.png 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3-300x94.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ao tipo de conhecimento que chama de<strong> rela\u00e7\u00f5es de ideias<\/strong> pertencem, diz Hume, a <strong>matem\u00e1tica<\/strong> e a <strong>l\u00f3gica<\/strong>: \u201cnuma palavra, toda afirma\u00e7\u00e3o que seja intuitivamente ou demonstrativamente certa\u201d. Essas disciplinas, na caracteriza\u00e7\u00e3o de Hume, ocupam-se exclusivamente em estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre determinadas ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando os exemplos do pr\u00f3prio Hume; \u201cque o quadrado da hipotenusa \u00e9 igual \u00e0 soma dos quadrados dos dois lados \u00e9 uma proposi\u00e7\u00e3o que expressa uma rela\u00e7\u00e3o entre essas figuras. Que tr\u00eas vezes cinco \u00e9 igual \u00e0 metade de trinta expressa uma rela\u00e7\u00e3o entre esses n\u00fameros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, essas proposi\u00e7\u00f5es apenas esclarecem ou desdobram o significados dos termos que designam as ideias de \u201ctri\u00e2ngulo ret\u00e2ngulo\u201d, \u201chipotenusa\u201d, \u201csoma\u201d, \u201cquadrado\u201d, \u201ctr\u00eas\u201d, \u201cvezes\u201d, \u201ccinco\u201d, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado o significado desses termos, podemos estabelecer as rela\u00e7\u00f5es expressas naquelas proposi\u00e7\u00f5es. Duas caracter\u00edsticas dessas afirma\u00e7\u00f5es devem ser destacadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, elas implicam uma necessidade forte: dadas as ideias de \u201ctr\u00eas\u201d, da opera\u00e7\u00e3o de multiplica\u00e7\u00e3o, de \u201ccinco\u201d, de \u201cmetade\u201d e de \u201ctrinta\u201d, ent\u00e3o \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio que \u201ctr\u00eas vezes cinco\u201d seja igual \u00e0 \u201cmetade de trinta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As conclus\u00f5es a que chegamos, relacionando ideias dessa maneira, portanto, s\u00e3o absolutamente certas e necess\u00e1rias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, e essa \u00e9 a segunda caracter\u00edstica que destacamos, s\u00e3o tamb\u00e9m vazias:<strong> quando dizemos metade de trinta\u201d n\u00e3o dizemos nada que j\u00e1 n\u00e3o estivesse dito em \u201ctr\u00eas vezes cinco\u201d<\/strong>. A necessidade da proposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 ancorada, no final das contas, na identidade entre \u201ctr\u00eas vezes cinco\u201d e \u201cmetade de trinta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hume observa ainda que as rela\u00e7\u00f5es de ideias podem ser descobertas por simples opera\u00e7\u00e3o do pensamento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quest\u00f5es de Fato<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"249\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa2.png\" alt=\"Baruch Espinosa\" class=\"wp-image-2331\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa2.png 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa2-300x125.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>As proposi\u00e7\u00f5es referentes a <strong>quest\u00f5es de fato<\/strong>, diz Hume, \u201cn\u00e3o s\u00e3o verificadas da mesma forma\u201d. Proposi\u00e7\u00f5es desse tipo relacionam n\u00e3o duas ideias,<strong> mas dois fatos ou eventos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio da rela\u00e7\u00e3o entre ideias, no entanto, a rela\u00e7\u00e3o entre dois fatos ou eventos n\u00e3o pode ser descoberta pelo puro pensamento: <strong>\u00e9 necess\u00e1rio que a experi\u00eancia intervenha para que a rela\u00e7\u00e3o seja estabelecida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando \u00e9 estabelecida a rela\u00e7\u00e3o, ganhamos um novo conhecimento (aumentamos nosso conhecimento do mundo). Em compensa\u00e7\u00e3o, perdemos aquela necessidade forte que caracteriza as rela\u00e7\u00f5es de ideias: o contr\u00e1rio de uma quest\u00e3o de fato, diz Hume, \u00e9 sempre (logicamente) poss\u00edvel. Ele diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cQue o sol n\u00e3o nascer\u00e1 amanh\u00e3 \u00e9 t\u00e3o contradit\u00f3rio quanto afirmar que o sol nascer\u00e1 amanh\u00e3&#8221; (BERKELEY &amp; HUME, 1980, pp. 143-144).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>As proposi\u00e7\u00f5es que articulam rela\u00e7\u00f5es de ideias est\u00e3o, finalmente, baseadas no princ\u00edpio da contradi\u00e7\u00e3o<\/strong>. Elas tiram sua certeza do fato de que \u00e9 imposs\u00edvel, sob pena de cair em contradi\u00e7\u00e3o, pensar o contr\u00e1rio do que afirmam, quando s\u00e3o verdadeiras. <strong>E as proposi\u00e7\u00f5es que se referem a quest\u00f5es de fato? Em que se baseiam? A resposta de Hume \u00e9 que se baseiam exclusivamente na experi\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Agora, o que a experi\u00eancia nos d\u00e1? Para Hume, a experi\u00eancia nos d\u00e1 apenas eventos particulares isolados<\/strong>. Nossas ideias, originadas na experi\u00eancia, v\u00e3o ser, tamb\u00e9m, exist\u00eancias isoladas, particulares. Hume aceita, em suas linhas gerais, a cr\u00edtica que faz Berkeley das ideias abstratas. Ele diz no Tratado da natureza humana, no cap\u00edtulo em que trata das ideias abstratas:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Um grande fil\u00f3sofo (Hume est\u00e1 se referindo a George Berkeley) contestou a opini\u00e3o tradicional acerca desse ponto, afirmando que as ideias gerais n\u00e3o passam de ideias particulares que vinculamos a um certo termo, termo este que lhes d\u00e1 um significado mais extenso e que, quando a ocasi\u00e3o o exige, faz que evoquem outros indiv\u00edduos semelhantes a elas. Considero esta descoberta uma das maiores e mais valiosas feitas recentemente na rep\u00fablica das letras. (HUME, 2001, p. 41).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Temos, portanto, que todas as nossas ideias prov\u00eam de impress\u00f5es anteriores. Impress\u00f5es s\u00e3o o que temos quando temos experi\u00eancia de algo. E a experi\u00eancia nos d\u00e1 apenas exist\u00eancias isoladas. Vejamos agora o resultado da aplica\u00e7\u00e3o desse conjunto de teses a duas ideias fundamentais: <strong>a ideia de causa e a ideia de eu<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Causalidade<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/causa-efeito.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"264\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/causa-efeito-600x264.jpg\" alt=\"David Hume Causa e efeito\" class=\"wp-image-2721\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A ideia de causa \u00e9 uma das ideias fundamentais, tanto da metaf\u00edsica quanto da ci\u00eancia<\/strong>. P\u00f4r em quest\u00e3o essa ideia, portanto, implica atingir no cora\u00e7\u00e3o esses dois dom\u00ednios. Vimos que, para o projeto racionalista, tal como formulado originalmente por Descartes, <strong>o papel primordial da filosofia, ap\u00f3s o advento da ci\u00eancia moderna, \u00e9 o de colocar a ci\u00eancia sobre bases metaf\u00edsicas s\u00f3lidas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao visar um conceito t\u00e3o fundamental quanto o de causa, \u00e9 todo o projeto racionalista que se ser\u00e1 questionado<\/strong>. A nossa ideia corrente de causa, diz Hume, reduz-se \u00e0 ideia de conex\u00e3o necess\u00e1ria. A quest\u00e3o que se imp\u00f5e \u00e9 saber de <strong>que impress\u00e3o deriva tal ideia<\/strong>. Vale a pena lembrar ainda que, na tradi\u00e7\u00e3o racionalista, havia uma tend\u00eancia a identificar a rela\u00e7\u00e3o causal com a conex\u00e3o l\u00f3gica que existe, por exemplo, entre as premissas e a conclus\u00e3o de um argumento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A raz\u00e3o, para os racionalistas, \u00e9 capaz de conhecer a rela\u00e7\u00e3o entre dois eventos ou fatos da mesma forma como \u00e9 capaz de apreender a rela\u00e7\u00e3o de necessidade entre as premissas e a conclus\u00e3o de um argumento<\/strong>. Assim, n\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a significativa entre o tipo de necessidade na rela\u00e7\u00e3o entre um evento, como causa, e outro, como seu efeito, e entre um conjunto de proposi\u00e7\u00f5es em um argumento. A necessidade da conex\u00e3o entre os termos relacionados, nos dois casos, \u00e9 a mesma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hume come\u00e7a, justamente, negando isso<\/strong>. Para ele, existe uma diferen\u00e7a clara entre dois tipos de conhecimento \u2013 rela\u00e7\u00f5es de ideias e quest\u00f5es de fato \u2013 e uma das diferen\u00e7as fundamentais \u00e9 a de que, no primeiro caso, temos necessidade rigorosa (baseada no princ\u00edpio de contradi\u00e7\u00e3o), enquanto que, no segundo (baseado na experi\u00eancia), isso n\u00e3o ocorre.<\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 assim, de onde pode vir nossa ideia de conex\u00e3o necess\u00e1ria? Ela n\u00e3o pode ser derivada de uma impress\u00e3o, ou seja, da experi\u00eancia da conex\u00e3o necess\u00e1ria, dado que n\u00e3o existe tal impress\u00e3o. <strong>Em que baseamos, por exemplo, nossa afirma\u00e7\u00e3o de que \u201co sol esquenta a pedra\u201d?<\/strong> Ser\u00e1 que a baseamos no fato de que minha raz\u00e3o, examinando o conceito ou a \u201cess\u00eancia\u201d do sol, descobre que o sol necessariamente \u00e9 calor\u00edfico?<\/p>\n\n\n\n<p>Hume nega isso frontalmente: para descobrir os efeitos de algo precisamos da experi\u00eancia; n\u00e3o temos acesso aos pretensos \u201cpoderes secretos\u201d que constituem a ess\u00eancia real das coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa afirma\u00e7\u00e3o, portanto, est\u00e1 baseada unicamente na experi\u00eancia. Mas o que me d\u00e1 a experi\u00eancia? Ela me d\u00e1 apenas as impress\u00f5es associadas \u00e0 ideia de \u201csol\u201d e as impress\u00f5es ligadas \u00e0 ideia de \u201cpedra quente\u201d. <strong>N\u00e3o h\u00e1 nada na experi\u00eancia que corresponda \u00e0 ideia de \u201ccausa\u201d<\/strong>. Temos a\u00ed tr\u00eas termos: \u201csol\u201d, \u201ccausa\u201d, \u201cpedra quente\u201d. A experi\u00eancia me d\u00e1 apenas dois desses termos (<em><strong>\u201csol\u201d e \u201cpedra quente\u201d<\/strong><\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De onde vem o terceiro (\u201ccausa\u201d)?<\/strong> N\u00e3o pode vir da raz\u00e3o, visto que a raz\u00e3o s\u00f3 \u00e9 capaz de estabelecer rela\u00e7\u00f5es dedutivas, que s\u00e3o, fundamentalmente, tautol\u00f3gicas (apenas desdobram as rela\u00e7\u00f5es entre as ideias). <strong>A raz\u00e3o \u00e9 capaz apenas, por exemplo, de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre \u201ctr\u00eas vezes cinco\u201d e \u201cmetade de trinta\u201d simplesmente porque esses dois termos s\u00e3o id\u00eanticos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Agora, entre dois termos distintos, como os dados pela experi\u00eancia (\u201csol\u201d e \u201cpedra quente\u201d), a raz\u00e3o sozinha n\u00e3o pode estabelecer nenhuma rela\u00e7\u00e3o<\/strong>. A experi\u00eancia, no entanto, me d\u00e1 uma outra coisa tamb\u00e9m. Eu percebo que, sempre que encontrei uma pedra exposta ao sol por um longo tempo, ela estava quente, ou que, sempre que coloquei uma pedra sob o sol, ela esquentou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 essa conjun\u00e7\u00e3o constante entre os dois eventos que, para Hume, nos leva a passar de um a outro e esperar, quando observamos um (colocar a pedra no sol), que o outro (a pedra esquenta) logo seja tamb\u00e9m observado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A passagem da causa para o efeito n\u00e3o \u00e9 uma infer\u00eancia racional (como parecem sugerir os racionalistas), mas apenas um efeito do h\u00e1bito ou do costume de encontrar sempre dois eventos constantemente ligados. Nossa ideia de causa, portanto, se bem entendida, n\u00e3o corresponde \u00e0 ideia de conex\u00e3o l\u00f3gica e necess\u00e1ria, mas \u00e0 de conjun\u00e7\u00e3o constante.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Veja que Hume n\u00e3o quer negar que tenhamos uma ideia de causa nem que ela seja importante. Quer apenas negar que essa <strong>rela\u00e7\u00e3o entre causa e efeito<\/strong> seja caracterizada como um fundamento racional. Hume \u00e9 o primeiro a admitir que a capacidade de reconhecer ou estabelecer rela\u00e7\u00f5es causais \u00e9 fundamental para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da humanidade: \u00e9 imposs\u00edvel nos abstermos de estabelecer essas conex\u00f5es entre eventos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quer, portanto, que suspendamos nosso ju\u00edzo e paremos de tentar estabelecer rela\u00e7\u00f5es causais. <strong>Apenas quer colocar nosso conhecimento dessa rela\u00e7\u00e3o no seu devido fundamento: o h\u00e1bito ou o costume, entendido como um princ\u00edpio da natureza humana, e n\u00e3o a raz\u00e3o, entendida \u00e0 maneira dos racionalistas<\/strong>. Sua conclus\u00e3o \u00e9, em certo sentido, c\u00e9tica, de fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas seu ceticismo \u00e9 localizado: <strong>visa apenas desqualificar as especula\u00e7\u00f5es racionalistas<\/strong>, n\u00e3o o nosso conhecimento, de um modo geral. Em conex\u00e3o com essa an\u00e1lise da ideia de causa, Hume vai levantar um outro problema, que veio a ser conhecido como o <em><strong>\u201cproblema da indu\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O problema da Indu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sol-david-hume.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"264\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sol-david-hume-600x264.jpg\" alt=\"David Hume Sol\" class=\"wp-image-2733\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, aceita-se que h\u00e1 tr\u00eas maneiras como uma proposi\u00e7\u00e3o pode ser certa: ela pode ser imediatamente ou intuitivamente certa (seria esse o caso daproposi\u00e7\u00e3o A = A ); ou ela pode ser dedutivamente certa, como no caso das proposi\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas ou l\u00f3gicas; ou elas podem ser indutivamente certas, quando chegamos a elas a partir da observa\u00e7\u00e3o repetida de casos particulares, <strong>formulando determinadas generaliza\u00e7\u00f5es, que exprimem regularidades<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A indu\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo que nos permite, portanto, fazer generaliza\u00e7\u00f5es e previs\u00f5es<\/strong>. Minha observa\u00e7\u00e3o costumeira, desde que eu tenho mem\u00f3ria de que o sol nasce todos os dias pela manh\u00e3, me leva a afirmar que o sol sempre nasce de manh\u00e3 (o que \u00e9 uma generaliza\u00e7\u00e3o, exprimindo uma regularidade natural) ou que o sol nascer\u00e1 amanh\u00e3 (o que \u00e9 uma previs\u00e3o). <strong>A capacidade de fazer generaliza\u00e7\u00f5es e previs\u00f5es \u00e9, naturalmente, essencial \u00e0 ci\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que, nesse processo, parece que algo misterioso est\u00e1 envolvido. <strong>A experi\u00eancia, ela pr\u00f3pria, n\u00e3o \u00e9 suficiente para fundamentar essa passagem do particular para o geral \u2013 porque, afinal, s\u00f3 temos experi\u00eancia do particular<\/strong>. Da mesma forma, ela n\u00e3o \u00e9 suficiente para fundamentar a infer\u00eancia do passado para o futuro \u2013 porque, afinal, s\u00f3 temos experi\u00eancia do presente (e a mem\u00f3ria das experi\u00eancias passadas).<\/p>\n\n\n\n<p>Hume sugere que a passagem das observa\u00e7\u00f5es reiteradas do passado para a generaliza\u00e7\u00e3o ou para o futuro s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se houver um \u201ctermo m\u00e9dio\u201d. Para passar de (1) \u201cEm cada dia de que tenho mem\u00f3ria, o Sol sempre nasceu de manh\u00e3\u201d para (3) \u201cLogo, o Sol sempre nasce de manh\u00e3\u201d (que \u00e9 uma generaliza\u00e7\u00e3o) ou (3\u2019) \u201cLogo, amanh\u00e3 de manh\u00e3 o Sol nascer\u00e1\u201d (que \u00e9 uma predi\u00e7\u00e3o), preciso de uma premissa intermedi\u00e1ria, que est\u00e1 impl\u00edcita: (2) <strong>O futuro ser\u00e1 igual ao passado, ou ent\u00e3o, se quisermos, a natureza \u00e9 uniforme<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, segundo Hume, \u00e9 que essa segunda premissa n\u00e3o \u00e9 intuitivamente certa nem \u00e9 pass\u00edvel de demonstra\u00e7\u00e3o racional pelos dois processos de racioc\u00ednio que nos est\u00e3o dispon\u00edveis (dedu\u00e7\u00e3o e indu\u00e7\u00e3o). N\u00e3o \u00e9 dedutivamente certa porque diz respeito, afinal de contas, a uma quest\u00e3o de fato (ela n\u00e3o articula uma simples rela\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias). Nem pode ser indutivamente certa \u2013 porque, afinal, estamos fazendo refer\u00eancia a ela para, justamente, justificar a indu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A passagem do particular para o geral, que fazemos quando generalizamos ou fazemos predi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o est\u00e1 fundada na raz\u00e3o, mas no costume \u2013 que \u00e9, no final das contas, o resumo de todas as nossas experi\u00eancias. A ideia de que o costume \u00e9 que define nossas bases do conhecimento est\u00e1 totalmente contra a ideia de necessidade l\u00f3gica, que fundamenta o projeto racionalista<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mente e identidade pessoal<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/david_hume_conhecimento.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"264\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/david_hume_conhecimento-600x264.jpg\" alt=\"David Hume Conhecimento\" class=\"wp-image-2719\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A segunda ideia a que aludiremos para ilustrar a aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de Hume e seus efeitos \u00e9 a <strong>ideia de eu<\/strong>. O problema da <strong>identidade pessoal<\/strong> j\u00e1 havia sido introduzido como tema importante na filosofia por John Locke, que trata longamente dele no seu Ensaio sobre o Entendimento Humano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O problema da identidade pessoal diz respeito, em \u00faltima an\u00e1lise, aos crit\u00e9rios que n\u00f3s temos para aplicar o conceito de \u201cpessoa\u201d \u2013 em particular, para identificar, ao longo do tempo, o mesmo indiv\u00edduo como sendo a mesma pessoa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hume trata do problema da identidade pessoal em seu Tratado da Natureza Humana. O argumento come\u00e7a com a apresenta\u00e7\u00e3o de uma concep\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de eu (ou <em>self<\/em>, em ingl\u00eas), que re\u00fane algumas qualidades que Hume quer problematizar:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>H\u00e1 fil\u00f3sofos que imaginam estarmos, em todos os momentos, intimamente conscientes daquilo que denominamos EU; que sentimos sua exist\u00eancia e a continuidade de sua exist\u00eancia; e que estamos certos de sua perfeita identidade e simplicidade, com uma evid\u00eancia que ultrapassa a de uma demonstra\u00e7\u00e3o. (HUME, 2001, p. 284).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Note que, embora n\u00e3o haja, nessa passagem, nenhuma refer\u00eancia direta ao nome de Descartes, a ideia cartesiana do eu como \u201ccoisa pensante\u201d se enquadra, em linhas gerais, na caracteriza\u00e7\u00e3o de Hume. O eu, segundo essa caracteriza\u00e7\u00e3o,<strong> \u00e9 algo de que estamos a todo tempo conscientes, que sabemos existir e perdurar ao longo do tempo de forma cont\u00ednua<\/strong>, de que estamos certos de sua simplicidade em um momento determinado (simples significa sem partes, que n\u00e3o \u00e9 composto) e de sua identidade ao longo de momentos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa caracteriza\u00e7\u00e3o implica que isso que chamamos <em>eu<\/em> \u00e9 pensado como uma subst\u00e2ncia, isto \u00e9, como algo que subsiste por si mesmo, de forma independente, e que \u00e9, em si mesmo, uma esp\u00e9cie de substrato, de base onde se passa o pensamento. <strong>O eu, segundo essa caracteriza\u00e7\u00e3o, \u00e9 algo diferente de nossos pensamentos \u2013 \u00e9, na verdade, aquilo a que nossos diversos pensamentos se referem<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o que Hume se coloca, fiel a seu m\u00e9todo, \u00e9: de onde (ou seja, de que impress\u00e3o) derivamos essa ideia de eu? Hume diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Quando penetro mais intimamente naquilo que denomino meu eu, sempre deparo com uma ou outra percep\u00e7\u00e3o particular, de calor ou frio, luz ou sombra, amor ou \u00f3dio, dor ou prazer. Nunca apreendo a mim mesmo, em momento algum, sem uma percep\u00e7\u00e3o, e nunca consigo observar nada que n\u00e3o seja uma percep\u00e7\u00e3o. (HUME, 2001, p. 284).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Ou seja: quando fazemos uma introspec\u00e7\u00e3o em busca de apreender o que chamamos de eu, o que encontramos \u00e9 o fluxo de nosso pensamento, mas nada que tenha aquela simplicidade e identidade que associamos ao <em>eu<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos o pensamento, na sua diversidade, complexidade e mutabilidade, mas n\u00e3o um suposto substrato onde se passaria esse pensamento. Em determinada altura do texto, Hume compara nossa mente a um teatro, tomando o cuidado de lembrar que se trata de uma compara\u00e7\u00e3o enganosa, j\u00e1 que a mente \u00e9 como um teatro sem palco.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos modernizar a analogia, comparando a mente a um cinema, mas um cinema sem tela e sem tela. Diante da impossibilidade de encontrar essa coisa simples e cont\u00ednua a que chamamos eu, Hume prop\u00f5e uma conclus\u00e3o que pode soar desconcertante:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>As pessoas (ou os eus) \u201cn\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o um feixe ou uma cole\u00e7\u00e3o de diferentes percep\u00e7\u00f5es, que se sucedem umas \u00e0s outras com uma rapidez inconceb\u00edvel, e est\u00e3o em perp\u00e9tuo fluxo e movimento\u201d (ibid., p. 285).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mais adiante, no texto, Hume faz uma compara\u00e7\u00e3o curiosa da mente com uma rep\u00fablica ou comunidade; em todo caso, o que ele parece querer sugerir \u00e9 que <strong>a mente \u00e9 algo que possui apenas uma unidade constru\u00edda, como constru\u00edmos uma cole\u00e7\u00e3o, juntando diversas coisas ou como constitu\u00edmos uma rep\u00fablica ou sociedade pol\u00edtica<\/strong>, juntando politicamente, diversas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo que n\u00e3o haja um eu que seja como uma coisa (ainda que uma coisa pensante) ou um substrato no qual se passa o pensamento, ainda assim temos uma ideia de <em>eu<\/em> como simples e id\u00eantico. Mesmo que na mente n\u00e3o haja simplicidade nem identidade, temos uma propens\u00e3o natural a imaginar essa identidade (esse <em>eu<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hume vai tentar, ent\u00e3o, explicar como chegamos a essa ideia<\/strong>. Sua resposta consiste em mostrar que \u201ctodos os objetos a que atribu\u00edmos identidade s\u00e3o constitu\u00eddos por uma sucess\u00e3o de objetos relacionados\u201d. Com rela\u00e7\u00e3o especificamente ao problema da identidade pessoal, Hume come\u00e7a dizendo que n\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a substancial entre ele e o problema posto, em geral, pela ideia de identidade:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>A identidade que atribu\u00edmos \u00e0 mente humana \u00e9 apenas fict\u00edcia, e de um tipo semelhante \u00e0 que atribu\u00edmos a vegetais e corpos animais. N\u00e3o pode, portanto, ter uma origem diferente, devendo, ao contr\u00e1rio, proceder de uma opera\u00e7\u00e3o semelhante da imagina\u00e7\u00e3o sobre objetos semelhantes. (HUME, 2001, p. 291).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Hume pergunta: o que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de identidade? Ser\u00e1 \u201calgo que realmente vincula nossas diversas percep\u00e7\u00f5es ou apenas associa suas id\u00e9ias na imagina\u00e7\u00e3o?\u201d A resposta segue a linha da resposta que deu ao problema da conex\u00e3o necess\u00e1ria \u2014 o problema da rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, na base das previs\u00f5es e generaliza\u00e7\u00f5es que fazemos. Sua resposta:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Assim como \u201co entendimento nunca observa uma conex\u00e3o real entre objetos\u201d; assim como \u201cmesmo a uni\u00e3o de causa e efeito, quando rigorosamente examinada, reduz-se a uma associa\u00e7\u00e3o habitual de ideias\u201d, da mesma forma \u201ca identidade n\u00e3o \u00e9 alguma coisa que perten\u00e7a realmente a essas diferentes percep\u00e7\u00f5es e que as una umas \u00e0s outras; \u00e9 apenas uma qualidade que lhes atribu\u00edmos quando refletimos sobre elas, em virtude da uni\u00e3o de suas ideias na imagina\u00e7\u00e3o\u201d (HUME, 2001, p. 292).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>E o que torna poss\u00edvel essa uni\u00e3o? De onde vem, afinal, a ideia da identidade pessoal? Hume, seguindo uma sugest\u00e3o de Locke, atribui \u00e0 mem\u00f3ria o papel fundamental<\/strong>. A mem\u00f3ria, diz Hume, \u201cn\u00e3o apenas revela a identidade, mas tamb\u00e9m contribui para sua produ\u00e7\u00e3o, ao produzir a rela\u00e7\u00e3o de semelhan\u00e7a entre as percep\u00e7\u00f5es\u201d. Mais adiante, diz ainda:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cComo apenas a mem\u00f3ria nos faz conhecer a continuidade dessa sucess\u00e3o de percep\u00e7\u00f5es, devemos consider\u00e1-la, sobretudo por essa raz\u00e3o, como a fonte da identidade pessoal\u201d (HUME, 2001, p. 294).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa conclus\u00e3o \u00e9 um tanto desconcertante, mesmo para Hume. Tanto que, pouco depois, recolocando a quest\u00e3o de uma perspectiva ligeiramente diferente, vai dizer:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cA mem\u00f3ria n\u00e3o tanto produz, mas revela a identidade pessoal, ao nos mostrar a rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito existente entre nossas diferentes percep\u00e7\u00f5es\u201d (HUME, 2001, p. 294),<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Invertendo a atribui\u00e7\u00e3o que havia feito antes \u00e0 mem\u00f3ria, no que diz respeito \u00e0 identidade pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa an\u00e1lise de Hume tenta dar um golpe de miseric\u00f3rdia na ideia de subst\u00e2ncia (ou ideia de &#8220;eu&#8221;)<\/strong>. Para Descartes, a ideia de que eu me percebo como uma coisa pensante \u00e9 fundamental. Locke, com suas ambiguidades, come\u00e7a a problematizar a no\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncia em geral. Berkeley usa essas mesmas ambiguidades para rejeitar a no\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncia material.<\/p>\n\n\n\n<p>Hume, tamb\u00e9m se valendo de Locke, em alguma medida, mas tamb\u00e9m do pr\u00f3prio Berkeley, rejeita a ideia mesmo de uma coisa pensante, fechando o ciclo. <strong>Com Hume, o desafio empirista \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o racionalista chega ao m\u00e1ximo<\/strong>. Seus argumentos s\u00e3o fortes e engenhosos, e o ceticismo moderado \u00e9 suficiente para estimular alguns contra sua filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O est\u00edmulo \u00e0 reflex\u00e3o lan\u00e7ado por Hume vai ser, em especial, sentido pelo fil\u00f3sofo Immanuel Kant<\/strong>, de certa forma, vai fechar o per\u00edodo moderno na hist\u00f3ria da filosofia, atando alguns fios soltos e preparando os grandes temas da filosofia posterior. \u00c9 not\u00f3ria a afirma\u00e7\u00e3o de Kant de que a leitura da obra de David Hume lhe retirou de seu &#8220;sono dogm\u00e1tico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>BERKELEY, George; HUME, David. Tratado sobre o entendimento humano; Investiga\u00e7\u00e3o sobre o entendimento humano e outras obras. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1980.<\/li><li>LOCKE, John. Carta acerca da toler\u00e2ncia e outras obras. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1978<\/li><li>BURTT, Edwin A. As bases metaf\u00edsicas da ci\u00eancia moderna. Bras\u00edlia: UnB, 1983.<\/li><li>DESCARTES, Ren\u00e9. Discurso do m\u00e9todo, medita\u00e7\u00f5es e outras obras. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1983.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Frases de David Hume<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><em>&#8220;Os homens t\u00eam o h\u00e1bito de recorrer a princ\u00edpios invis\u00edveis para explicar as coisas que os surpreendem.&#8221;<\/em><\/li><li><em>&#8220;Relatos sobrenaturais e milagres religiosos proliferam principalmente entre as na\u00e7\u00f5es ignorantes.&#8221;<\/em><\/li><li><em>&#8220;A paix\u00e3o pela filosofia, assim como pela religi\u00e3o, s\u00e3o inconvenientes quando dirigidas com imprud\u00eancia.&#8221;<\/em><\/li><li><em>&#8220;Um cora\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrico n\u00e3o pode conceber espontaneamente a amizade e a bondade.&#8221;<\/em><\/li><li><em>&#8220;Se a filosofia for cuidadosamente cultivada por alguns, difunde-se gradualmente por toda a sociedade. O pol\u00edtico adquire mais cautela na divis\u00e3o do poder, o advogado adquire ju\u00edzos mais sutis, e o general mais aten\u00e7\u00e3o em suas manobras.&#8221;<\/em><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/category\/david-hume\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Confira aqui<\/strong><\/a> mais frases de David Hume!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Obras de David Hume<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Tratado da Natureza Humana (1739-1740)<\/li><li>Investiga\u00e7\u00e3o sobre o entendimento Humano (1748)<\/li><li>Investiga\u00e7\u00e3o sobre os Princ\u00edpios da Moral (1751)<\/li><li>Ensaios Morais, Pol\u00edticos e Liter\u00e1rios (1741-1742)<\/li><li>A Hist\u00f3ria da Inglaterra (1754-1762)<\/li><li>Quatro Disserta\u00e7\u00f5es (1757)<\/li><li>Hist\u00f3ria Natural da Religi\u00e3o (1757)<\/li><li>Di\u00e1logos sobre a Religi\u00e3o Natural<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sugest\u00f5es de leitura<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/category\/livros-para-baixar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Livros para baixar em PDF de v\u00e1rios fil\u00f3sofos<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/category\/musicas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M\u00fasicas para ouvir e baixar<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2018\/o-pensador-e-o-demonstrador-sobre-as-crencas-pessoais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Pensador e o Demonstrador \u2013 sobre as cren\u00e7as pessoais<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2018\/felicidade-definicoes-indefinicoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Felicidade \u2013 defini\u00e7\u00f5es e indefini\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas<\/a><\/li><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da tradi\u00e7\u00e3o empirista brit\u00e2nica dos s\u00e9culos XVII e XVIII, David Hume \u00e9 com certeza o mais influente dos fil\u00f3sofos. Suas ideias exerceram uma for\u00e7a atrativa enorme na filosofia contempor\u00e2nea. David Hume nasceu em Edinburgo, Esc\u00f3cia, em 1711 e l\u00e1 tamb\u00e9m morreu em 1776. Desde cedo, manifestou interesse pela literatura e pela filosofia, embora sua fam\u00edlia o destinasse \u00e0 carreira jur\u00eddica. Aos 23 anos, Hume vai para a Fran\u00e7a, com a inten\u00e7\u00e3o de perseguir uma carreira liter\u00e1ria. L\u00e1, onde fica at\u00e9 1737, escreve sua primeira obra filos\u00f3fica, o Tratado da Natureza Humana, que publica em 1739, com apenas 28 anos. A obra, longa e ambiciosa, n\u00e3o desperta qualquer interesse na comunidade liter\u00e1rio-filos\u00f3fica, frustrando as pretens\u00f5es de Hume. A fama liter\u00e1ria s\u00f3 veio anos mais tarde, quando publica, em 1741, seus Ensaios morais e pol\u00edticos. Em 1751, publica dois livros que retomam partes do Tratado de 1739: a Investiga\u00e7\u00e3o sobre o entendimento humano e a Investiga\u00e7\u00e3o sobre os princ\u00edpios da moral. Sua fama liter\u00e1ria aumenta nos anos seguintes, com a publica\u00e7\u00e3o de seus Discursos pol\u00edticos, em 1752, e dos volumes dedicados \u00e0 Hist\u00f3ria da Inglaterra, que come\u00e7a a publicar em 1756. Hume coroa a evolu\u00e7\u00e3o do empirismo moderno, construindo, com sua filosofia, [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2716,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[191],"tags":[],"class_list":["post-2714","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-filosofia-moderna-2"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>David Hume: principais ideias, frases e obras - netmundi.org<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Da tradi\u00e7\u00e3o empirista brit\u00e2nica dos s\u00e9culos XVII e XVIII, David Hume \u00e9 com certeza o mais influente dos fil\u00f3sofos. 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