{"id":2684,"date":"2018-06-10T00:29:27","date_gmt":"2018-06-10T00:29:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/?p=2684"},"modified":"2021-06-07T22:28:06","modified_gmt":"2021-06-07T22:28:06","slug":"hegel-biografia-filosofia-obras-frases","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/hegel-biografia-filosofia-obras-frases\/","title":{"rendered":"Georg W. F. Hegel &#8211; Biografia, filosofia, obras e frases"},"content":{"rendered":"<p><strong>Georg Wilhelm Friedrich Hegel<\/strong> descendia de uma linhagem de funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Na Alemanha, o funcion\u00e1rio p\u00fablico era um civil cujo senso de iniciativa e instinto de liberdade fora paralisado pelo v\u00edrus da burocracia. O pai de Hegel guardava os relat\u00f3rios das finan\u00e7as de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/W%C3%BCrttemberg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">W\u00fcrttemberg<\/a>. O emblema de sua fam\u00edlia era a rotina oficial. Nascido no dia 27 de agosto de 1770, Hegel foi mandado para a escola latina e depois para o semin\u00e1rio teol\u00f3gico em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tubinga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">T\u00fcbingen.<\/a><\/p>\n<p>Revelou-se, contudo, um med\u00edocre estudante das <em>&#8220;verdades divinas&#8221;<\/em>. Lhe Interessava muito mais os problemas do mundo. E, na verdade, muitas coisas aconteciam no mundo durante os dias de estudante de Hegel. A Fran\u00e7a instaurara o &#8220;Reino da Raz\u00e3o&#8221;. O vinho da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<\/a> chegara aos l\u00e1bios de todos os liberais na Europa inteira. Estes ergueram os chap\u00e9us em honra da liberdade, igualdade e fraternidade. Hegel plantou uma &#8220;\u00e1rvore da liberdade&#8221; na pra\u00e7a p\u00fablica de T\u00fcbingen saudando a Rep\u00fablica da Fran\u00e7a. Depois, passou a se dedicar apaixonadamente pela Filosofia.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 um fil\u00f3sofo precisa comer. Decidiu-se pelo ensino como meio de vida. Por alguns anos, mal conseguiu sobreviver como preceptor esfor\u00e7ado. Tinha um amor pela literatura grega e pela filosofia de Kant, por\u00e9m, lhe faltava dinheiro.<\/p>\n<p>Contudo, o pai morreu lhe deixando uma pequena heran\u00e7a. Hegel considerava-se agora financeiramente independente. Escreveu a seu amigo <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Friedrich_Wilhelm_Joseph_von_Schelling\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Schelling<\/a> pedindo que lhe indicasse um lugar onde pudesse estabelecer-se a fim de fruir sua heran\u00e7a. Um lugar onde houvesse bons livros e boa cerveja. Schelling respondeu: &#8220;venha para Iena&#8221;. <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Iena<\/a> era uma cidade universit\u00e1ria, na Pr\u00fassia, onde alguns dos principais jovens intelectuais da Alemanha tinham se reunido para ensinar filosofia.<\/p>\n<p><em><strong>Links sugeridos do netmundi:<\/strong><\/em><\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/category\/filosofia-moderna-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Categoria Filosofia Moderna<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2017\/renascimento-periodo-que-definiu-era-moderna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renascimento: o per\u00edodo que definiu a Era Moderna<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<h3>A Universidade de Iena e a invas\u00e3o de Napole\u00e3o<\/h3>\n<hr>\n<div id=\"attachment_2686\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/napoleao-jena.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2686\" class=\"wp-image-2686 size-content\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/napoleao-jena-600x264.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"264\"><\/a><p id=\"caption-attachment-2686\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Napole\u00e3o passando em revista a sua Guarda Imperial, por Horace Vernet. Jena, 1806.<\/strong><\/p><\/div>\n<p>Era o centro de um Renascimento cultural, um dos pontos brilhantes no qual, vindos de Paris, os raios do pensamento liberal brilhavam. Hegel foi para Iena, onde o nomearam professor da Universidade de Iena. O entusiasmo com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, contudo, come\u00e7ou a se dissipar. Muitos dos espectadores da Revolu\u00e7\u00e3o lhe haviam virado as costas, enojados, quando o Reino da Raz\u00e3o se transformou em Reino do Terror.<\/p>\n<p><strong>Uma revolu\u00e7\u00e3o que come\u00e7ara com o bom senso terminara com o genoc\u00eddio<\/strong>. Um movimento para libertar a humanidade conduzira \u00e0 ditadura de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Napole%C3%A3o_Bonaparte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Napole\u00e3o Bonaparte<\/a>. Os homens tinham sonhado um mundo melhor e mais livre. E com surpreendente rapidez viram reduzidos a cinzas os seus sonhos.<\/p>\n<p>Enquanto Hegel continuava a sua calma vida de estudos na aldeiazinha universit\u00e1ria de Iena, Napole\u00e3o a invadiu numa batalha campal destruiu o ex\u00e9rcito prussiano, colocando depois as algemas da escravid\u00e3o sobre o Estado da Pr\u00fassia. Vencera, sucessivamente, austr\u00edacos, italianos e holandeses.<\/p>\n<p>Napole\u00e3o reduziu os pr\u00edncipes da Alemanha a um estado de vassalagem e enviou um ex\u00e9rcito para a Espanha. A liberdade no continente era apenas uma lembran\u00e7a. O presente estava gravado em sangue, e o futuro, escrito nas nuvens.<\/p>\n<h3>Fuga para Baviera e aprofundamento de sua filosofia<\/h3>\n<hr>\n<div id=\"attachment_2689\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/baviera.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2689\" class=\"wp-image-2689 size-full\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/baviera.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/baviera.jpg 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/baviera-300x113.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2689\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Imagem do &#8220;Castelo do Rei Louco, na Baviera<\/strong><\/p><\/div>\n<p>Hegel fugiu para a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Baviera\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baviera<\/a>, prov\u00edncia alem\u00e3 considerada &#8220;pa\u00eds amigo&#8221;. O jovem fil\u00f3sofo aceitou o cargo de professor na Academia de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nuremberga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nuremberg<\/a>, se tornando posteriormente reitor. L\u00e1 prosseguiu em paz seus estudos por muitos anos, sonhando calmamente os seus sonhos filos\u00f3ficos. Tempos depois o pesadelo de Napole\u00e3o se converteu em mito, e o ambicioso ditador foi isolado numa obscura ilhazinha no meio do mar. E os homens tornaram-se livres de novo.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do editor:<\/strong> O texto original n\u00e3o fala do restante da vida acad\u00eamica de Hegel, por isso, cabem aqui algumas informa\u00e7\u00f5es. Hegel tornou-se reitor em&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nuremberga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nuremberg<\/a>&nbsp;em 1809, e posteriormente, em 1816, ocupou uma c\u00e1tedra na&nbsp; <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Universidade_de_Heidelberg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade de Heidelberg<\/a>. Em 1819 substituiu <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Johann_Gottlieb_Fichte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fichte<\/a> na&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Universidade_Humboldt_de_Berlim\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade de Berlim<\/a>, onde ficou at\u00e9 a sua morte.<\/em><\/p>\n<p>Hegel casou com uma senhora inteligente e requintada. Organizou sua vida e tamb\u00e9m sua filosofia. Com efeito, t\u00e3o absorto vivia em seus pensamentos que sua distra\u00e7\u00e3o se tornou lend\u00e1ria. Embora estivesse ainda no vigor da idade, andava curvado, com express\u00e3o concentrada e rosto p\u00e1lido. A ess\u00eancia de sua personalidade residia em sua vida interior.<\/p>\n<p>Jamais abandonou a atitude mental da fam\u00edlia da qual descendia. Ao pensar sobre os elementos desconhecidos na equa\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, n\u00e3o se tornou c\u00e9tico. Porque n\u00e3o era como o ingl\u00eas <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2018\/john-locke-sobre-o-entendimento-humano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">John Locke<\/a>&nbsp;nem como o escoc\u00eas <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/David_Hume\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">David Hume<\/a>. O car\u00e1ter alem\u00e3o que nele havia construiu uma filosofia da f\u00e9, e a escrupulosa exatid\u00e3o que herdara resultou na especula\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica mais complicada que o mundo j\u00e1 vira. Era um funcion\u00e1rio p\u00fablico sob a jurisdi\u00e7\u00e3o de um Deus burocr\u00e1tico.<\/p>\n<p><em><strong>Link sugerido do netmundi:<\/strong><\/em><\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2018\/john-locke-sobre-o-entendimento-humano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">John Locke \u2013 Sobre o entendimento humano<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<h3>A profunda racionalidade do mundo: &#8220;o real \u00e9 racional&#8221;<\/h3>\n<hr>\n<div id=\"attachment_2359\" style=\"width: 573px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/c\u00e9rebro-mente.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2359\" class=\"wp-image-2359 size-content\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/c\u00e9rebro-mente-563x264.png\" alt=\"C\u00e9rebro e mente\" width=\"563\" height=\"264\"><\/a><p id=\"caption-attachment-2359\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Todas as nossas ideias n\u00e3o materiais \u2014 declara Hegel \u2014 existem t\u00e3o seguramente como uma mesa ou uma cadeira.<\/strong><\/p><\/div>\n<p><strong>O mundo \u00e9 intelig\u00edvel, disse Hegel. A raz\u00e3o encontra-se no centro das coisas, sob a aparente incoer\u00eancia da superf\u00edcie<\/strong>. Os c\u00e9ticos, como Hume, haviam lan\u00e7ado a d\u00favida no esp\u00edrito dos homens e criado uma atmosfera de cinismo que produzira aventureiros sem escr\u00fapulos, como Napole\u00e3o. Quando o homem perde a f\u00e9 nos valores da vida humana, a civiliza\u00e7\u00e3o retrocede. Porque a vida \u00e9 um grande e sistem\u00e1tico esquema da verdade.<\/p>\n<p>O homem pode compreender essa verdade atrav\u00e9s de suas faculdades de racioc\u00ednio, mesmo que n\u00e3o a possa apreender por meio de suas faculdades sensoriais. Em outras palavras, lan\u00e7a Hegel, diretamente, um desafio a Hume, afinal de contas, <strong>\u00e9 poss\u00edvel ao homem conhecer as coisas al\u00e9m de sua experiencia atrav\u00e9s de sua raz\u00e3o<\/strong>. H\u00e1 dois tipos de raz\u00e3o: <strong>A raz\u00e3o pr\u00e1tica, que resolve problemas cotidianos, e a raz\u00e3o abstrata, que trata com ideias al\u00e9m de nossa experi\u00eancia f\u00edsica<\/strong>.<\/p>\n<p>E a\u00ed reside a dificuldade da quest\u00e3o \u2014 a principal diverg\u00eancia entre c\u00e9ticos e metaf\u00edsicos. <strong>Afirmam os c\u00e9ticos que s\u00f3 existem as coisas que podemos apreender por interm\u00e9dio dos sentidos<\/strong>. Os metaf\u00edsicos, por sua parte, <strong>insistem em que h\u00e1 coisas, al\u00e9m dos sentidos, que tem uma exist\u00eancia igualmente real<\/strong>. <strong>Todas as nossas ideias n\u00e3o materiais \u2014 declara Hegel \u2014 existem t\u00e3o seguramente como uma mesa ou uma cadeira.<\/strong><\/p>\n<h3>A exist\u00eancia formal e a exist\u00eancia concreta<\/h3>\n<hr>\n<div id=\"attachment_2347\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2347\" class=\"wp-image-2347 size-full\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3.png\" alt=\"Matem\u00e1tica\" width=\"600\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3.png 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/baruch-espinosa3-300x94.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2347\" class=\"wp-caption-text\">A proposi\u00e7\u00e3o de que dois e dois s\u00e3o quatro n\u00e3o existe no espa\u00e7o; n\u00e3o existe no tempo. Entretanto, existe no abstrato com tanta realidade como existe no concreto.<\/p><\/div>\n<p>Consideremos, por exemplo, a nossa ideia de quantidade. Podemos ver dois l\u00e1pis mas n\u00e3o a quantidade abstrata dois. E, no entanto, a ideia abstrata de dois existe na raz\u00e3o, t\u00e3o seguramente como os dois l\u00e1pis concretos existem no espa\u00e7o. Pois sem a exist\u00eancia de uma medida abstrata de quantidade nunca ser\u00edamos capazes de distinguir as quantidades concretas das coisas de que tratamos. <strong>H\u00e1, por conseguinte, a raz\u00e3o pura em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o pr\u00e1tica \u2014 ou, para diz\u00ea-lo de outra maneira, existe uma exist\u00eancia formal em oposi\u00e7\u00e3o a uma exist\u00eancia material<\/strong>.<\/p>\n<p>A proposi\u00e7\u00e3o de que dois e dois s\u00e3o quatro tem <strong>exist\u00eancia formal<\/strong>. N\u00e3o existe no espa\u00e7o; n\u00e3o existe no tempo. N\u00e3o existe, sequer, em nossos esp\u00edritos, pois, aconte\u00e7a o que acontecer aos nossos esp\u00edritos, permanece verdadeira a proposi\u00e7\u00e3o. <strong>Entretanto, existe no abstrato com tanta realidade como existe no concreto, como a casa do meu vizinho do lado<\/strong>. Esta \u00e9 a proposi\u00e7\u00e3o fundamental de Hegel. E sobre essa proposi\u00e7\u00e3o, ele cria sua estrutura filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>Hume afirmou que nunca podemos descobrir uma primeira causa para o mundo, ou, mesmo, um causa para coisa alguma. E Hegel concorda. Todavia, insiste ele,<strong> se n\u00e3o podemos encontrar uma causa podemos, pelo menos, encontrar uma raz\u00e3o, para as coisas<\/strong>. E apesar disso parecer como jogo de palavras, n\u00e3o o \u00e9. Uma causa \u00e9 uma for\u00e7a ativa que produz um efeito no tempo. <strong>Uma raz\u00e3o \u00e9 uma necessidade l\u00f3gica que nada tem a ver com o tempo<\/strong>.<\/p>\n<p>A causa da exist\u00eancia do mundo, concordaria Hegel com Hume, \u00e9 uma express\u00e3o sem sentido. <strong>Mas a raz\u00e3o da exist\u00eancia do mundo \u00e9 uma express\u00e3o que tem sentido<\/strong>. A raz\u00e3o do mundo tem uma prioridade l\u00f3gica independente do tempo, exatamente como um problema matem\u00e1tico tem uma prioridade l\u00f3gica sobre sua solu\u00e7\u00e3o. Existe o l\u00f3gico, t\u00e3o verdadeiramente quanto o f\u00edsico. <strong>O real \u00e9 o racional &#8212; tal \u00e9 o grito de batalha de Hegel<\/strong>.<\/p>\n<p>Links sugeridos do netmundi:<\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2012\/racionalismo-e-empirismo-uma-introducao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Racionalismo e Empirismo: uma introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2018\/leibniz-monadas-estrutura-da-realidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leibniz e as m\u00f4nadas \u2013 a estrutura da realidade<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<h3>A dial\u00e9tica de Hegel: tese, ant\u00edtese e s\u00edntese ao longo da hist\u00f3ria<\/h3>\n<hr>\n<p><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/segunda-guerra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-850\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/segunda-guerra-620x264.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"264\"><\/a><\/p>\n<p><strong>A raz\u00e3o, continua Hegel, explica-se por si mesma. O mundo \u00e9 raz\u00e3o. Pois a raz\u00e3o \u00e9 id\u00eantica \u00e0 exist\u00eancia.<\/strong> \u00c0 pergunta, &#8220;o que \u00e9 a raz\u00e3o para tudo?&#8221; Devemos responder: Tudo. Mas, desde que a exist\u00eancia inclui tudo, sustenta Hegel, compreende dentro em si tanto n\u00e3o-ser quanto o de Ser. Todas as coisas encerram em si mesmas o seu pr\u00f3prio contr\u00e1rio. <strong>\u00c9 imposs\u00edvel conceber o que quer que seja sem conceber, ao mesmo tempo, o seu contr\u00e1rio. N\u00e3o podemos pensar em finito sem pensar em infinito ou em tempo sem pensar na eternidade<\/strong>.<\/p>\n<p>Uma vaca \u00e9 uma vaca e, ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 um gato. Uma coisa \u00e9 ela mesma somente porque, ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 outra coisa. <strong>Toda tese em favor de um argumento tem a sua ant\u00edtese (seu contr\u00e1rio ou oposi\u00e7\u00e3o)<\/strong>. A vida tem a morte, e o amor, o \u00f3dio. O dia tem a noite, e a mocidade, a velhice. Mas Hegel d\u00e1 um passo al\u00e9m dessa conclus\u00e3o perfeitamente \u00f3bvia e apresenta-se com surpreendente pronunciamento. N\u00e3o somente tem um contr\u00e1rio, mas tudo \u00e9 o seu pr\u00f3prio contr\u00e1rio! A verdade \u00e9 ambos os lados. Afinal de contas, a vida \u00e9 uma luta de for\u00e7as opostas tentando combinar-se umas com outras, numa unidade mais elevada.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do editor:<\/strong> Aqui o texto come\u00e7a a delinear a dial\u00e9tica hegeliana, ideia fundamental para compreender Hegel. Ela \u00e9 composta de: tese, ant\u00edtese e s\u00edntese. Neste momento, o autor explica o que \u00e9 a tese e a ant\u00edtese, para posteriormente falar da s\u00edntese. Diferente do di\u00e1logo entre duas pessoas (como a mai\u00eautica de S\u00f3crates) este di\u00e1logo (em Hegel) ocorre na hist\u00f3ria atrav\u00e9s dos grandes conflitos, que s\u00e3o na verdade &#8220;di\u00e1logos da humanidade&#8221;.&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><strong>E essa unidade, que buscam os fil\u00f3sofos e sonham os poetas, \u00e9 conseguida apenas, com muito sangue<\/strong>. <strong>\u00c9 uma unidade nascida da guerra, da agonia e do desespero.<\/strong> \u00c9 a conc\u00f3rdia do amor que nasce da disc\u00f3rdia do \u00f3dio, o preceito da nega\u00e7\u00e3o que se traduz no preceito da afirma\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito que morre a fim de viver! Toda a natureza, portanto, \u00e9 uma reconcilia\u00e7\u00e3o de contr\u00e1rios, inclusive no homem.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do editor:<\/strong> Aqui reside uma ideia radical (ou pol\u00eamica) de Hegel. Para ele, mesmo o caos da guerra e a desgra\u00e7a das grandes trag\u00e9dias hist\u00f3ricas possuem uma racionalidade intr\u00ednseca. Nada \u00e9 de fato &#8220;irracional&#8221;; tudo \u00e9 racional e faz parte de um grande processo. Tudo est\u00e1 interligado em um grande di\u00e1logo hist\u00f3rico, uma totalidade que Hegel chamar\u00e1 de Esp\u00edrito Absoluto.&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>O homem luta contra a natureza, e, no final, morre subjugado por ela, mas somente para atingir a imortalidade. Pois, quando se entrega \u00e0 morte est\u00e1 apenas entregando o seu eu ao seu outro eu. Porque a vida \u00e9 a morte. E a natureza \u00e9 o homem. <strong>Aqui, tamb\u00e9m, debaixo da diversidade superficial apreendida pelos nossos fr\u00e1geis sentidos, h\u00e1 uma unidade profunda e movente. Nada que existe fora do homem \u00e9, realmente, diferente do homem<\/strong>.<\/p>\n<p>O mundo em torno de n\u00f3s \u00e9 o nosso outro eu. Vemos uma \u00e1rvore. A \u00e1rvore nos \u00e9 conhecida. Ela existe para n\u00f3s apenas enquanto conhecida por n\u00f3s. A sua exist\u00eancia \u00e9 inclu\u00edda na faculdade de conhecimento que existe em n\u00f3s. A sua exist\u00eancia \u00e9 parte de n\u00f3s. A nossa exist\u00eancia \u00e9 parte dela.<\/p>\n<p><strong>Se desejamos alcan\u00e7ar a verdade, n\u00e3o devemos encarar, apenas, o mundo do ponto de vista de nosso eu interior, mas devemos encarar o nosso eu interior do ponto de vista do mundo<\/strong>. \u00c9 esta a suprema prova pela qual devemos passar se quisermos seguir as leis mais altas da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Devemos considerar a n\u00f3s mesmos com completa objetividade, assim como nosso pr\u00f3prio oposto, ou ant\u00edtese. <strong>E somente ent\u00e3o estaremos preparados para a uni\u00e3o mais elevada da experiencia humana: a s\u00edntese<\/strong>. Libertados dos mesquinhos preconceitos das percep\u00e7\u00f5es de nossos sentidos, podemos respirar, agora, o ar fresco da liberdade. Nos livramos de nossa consci\u00eancia imperfeita e fr\u00e1gil, conseguimos atingir uma consci\u00eancia muito maior, a sublime e perfeita consci\u00eancia do Eu.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do Editor:<\/strong>&nbsp;A dial\u00e9tica hist\u00f3rica, ent\u00e3o, \u00e9 o resultado (s\u00edntese) do conflito ou oposi\u00e7\u00e3o de duas ideias (a tese e a ant\u00edtese). \u00c9 importante enfatizar que este di\u00e1logo \u00e9 &#8220;eterno&#8221; e c\u00edclico, ou seja, ao se chegar a uma nova s\u00edntese (uma nova ideia) ela se torna nova tese e tudo recome\u00e7a. Como exemplo de dial\u00e9tica hist\u00f3rica no Brasil, tivemos a escravid\u00e3o \u2014 que, em tese, era considerada boa para o pa\u00eds conforme a mentalidade da \u00e9poca. Posteriormente, grupos abolicionistas come\u00e7aram a se opor a isso (ant\u00edtese), o que resultou na conscientiza\u00e7\u00e3o do absurdo da escravid\u00e3o e na aboli\u00e7\u00e3o (s\u00edntese). A partir da\u00ed, novas teses surgiram, sempre aumentando a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o assunto.<\/em><\/p>\n<h3>Hegel e a vis\u00e3o filos\u00f3fica da hist\u00f3ria<\/h3>\n<hr>\n<p><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Idade-Moderna-HISTORIA-DO-MUNDO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-1415\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Idade-Moderna-HISTORIA-DO-MUNDO-600x264.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"264\"><\/a><\/p>\n<p><strong>E esse Eu (a s\u00edntese final, por assim dizer) como ent\u00e3o nos \u00e9 dado compreender, \u00e9 perfeitamente ciente de sua pr\u00f3pria unidade e de sua pr\u00f3pria for\u00e7a que abrange tudo. A Natureza eleva-se no homem para a consci\u00eancia de si mesmo<\/strong>. A liberdade humana emerge como produto da mais grandiosa luta entre as duas forcas \u2014 a natureza e o homem, o corpo e o espirito, a energia e a alma, o selvagem e o santo. Agora, Hegel transfere essa unidade, que surge atrav\u00e9s da luta e do conflito, do indiv\u00edduo para a massa, da contempla\u00e7\u00e3o do homem para a filosofia da humanidade. <strong>O fil\u00f3sofo alem\u00e3o culmina o trabalho de sua vida com uma nova vis\u00e3o sobre a historia.<\/strong><\/p>\n<p>O tema da hist\u00f3ria humana \u00e9 o desenvolvimento da liberdade humana. A historia inicia com o surgimento da consci\u00eancia no homem. Divide Hegel, em tr\u00eas fases, a sua perspectiva hist\u00f3rica. Cada fase representa um per\u00edodo do desenvolvimento na luta pela liberdade.<\/p>\n<p><strong>A primeira fase apresenta o drama do mundo oriental \u2014 China, \u00cdndia e o Oriente pr\u00f3ximo \u2014 fases iniciais de nossa civiliza\u00e7\u00e3o. A segunda fase representa o mundo dos Estados Gregos. A terceira compreende a \u00e9poca do Imp\u00e9rio Romano<\/strong>. H\u00e1, um quarto estado, ainda por vir \u2014 e aqui, o esp\u00edrito germ\u00e2nico de Hegel emerge \u00e0 superf\u00edcie \u2014 o mundo germ\u00e2nico no qual &#8220;a ideia da liberdade atingir\u00e1 a sua mais alta express\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O mundo oriental \u00e9 o lar onde se passou a inf\u00e2ncia do homem<\/strong>. Na China, baseava-se a sociedade sobre a fam\u00edlia e o Estado. O modo de religi\u00e3o que prevalecia era o culto dos ancestrais. O governo era paternal. O imperador, o grande pai amarelo que governava seus filhos com punho de ferro. Toda, puni\u00e7\u00e3o era corporal. Todo habitante da China era menor perante a lei. O espirito da China era o esp\u00edrito de uma crian\u00e7a alerta,<\/p>\n<p><strong>O esp\u00edrito da \u00cdndia era o de uma crian\u00e7a sonhadora<\/strong>. A religi\u00e3o da \u00cdndia era sombria, pante\u00edsta, abstrata. O seu Deus, fantasma sonolento do Nirvana \u2014 o Nada. O hindu levava uma vida est\u00e1tica, vegetativa. F\u00edsica, pol\u00edtica e socialmente n\u00e3o progredia.<\/p>\n<p><strong>Os persas tinham uma religi\u00e3o de luz. A sua deidade suprema era a energia solar.<\/strong> O sol p\u00f5e em movimento todos os processos do crescimento. \u00c9 a for\u00e7a do bem lutando contra as f\u00f4r\u00e7as do mal. E essa luta, observa Hegel, \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia da vida. Enquanto o homem n\u00e3o despertar de seus sonos e n\u00e3o se capacitar da oposi\u00e7\u00e3o entre o bem e o mal, nunca poder\u00e1 ter consci\u00eancia de sua miss\u00e3o de alcan\u00e7ar a liberdade espiritual.<\/p>\n<p><strong>No Egito \u2014 continua Hegel \u2014 torna-se o homem ainda mais ciente da luta din\u00e2mica entre o bem e o mal<\/strong>. Os eg\u00edpcios simbolizaram esse conhecimento no supremo enigma de sua arte nacional \u2014 a Esfinge. Luta o homem para emergir da fera. Mas n\u00e3o o alcan\u00e7a ainda. Com efeito, a Esfinge \u00e9, a um tempo, homem e fera, e ningu\u00e9m \u00e9 suficientemente s\u00e1bio para adivinhar qual das duas naturezas predomina.<\/p>\n<p><strong>Seguem-se aos eg\u00edpcios, os hebreus, que marcaram grande transi\u00e7\u00e3o na \u00e9tica do homem e na hist\u00f3ria religiosa<\/strong>. A transi\u00e7\u00e3o de uma concep\u00e7\u00e3o naturalista para uma concep\u00e7\u00e3o espiritual da moralidade. At\u00e9 ent\u00e3o haviam os homens adorado animais e estrelas. Os judeus adoravam um Deus \u00fanico e absoluto.<\/p>\n<p><strong>Veio, depois, a segunda fase do desenvolvimento humano \u2014 a civiliza\u00e7\u00e3o dos Estados gregos. &#8220;A Gr\u00e9cia \u00e9 a manh\u00e3 fresca da hist\u00f3ria humana&#8221;.<\/strong> A humanidade emergiu da inf\u00e2ncia para a mocidade. A arte, a religi\u00e3o, a filosofia e a pol\u00edtica gregas traduzem a ardente inoc\u00eancia do esp\u00edrito mo\u00e7o. Os deuses dos gregos s\u00e3o eternamente belos e imortalmente jovens. S\u00e3o humanos em sua sabedoria e em sua loucura. S\u00e3o guias perfeitos para a humanidade que luta.<\/p>\n<p>Diz Schiller, o poeta alem\u00e3o, <em>&#8220;Quando os deuses eram mais humanos, os homens eram mais divinos&#8221;<\/em>. E os gregos eram uma ra\u00e7a divina, com todo o esplendor e toda a fraqueza de suas pr\u00f3prias deidades ol\u00edmpicas. Em Atenas, governavam-se os cidad\u00e3os, membros de unia comunidade democr\u00e1tica. Mas a humanidade n\u00e3o estava, ainda, totalmente livre no mundo ateniense, pois, a maioria dos homens eram escravos. At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o surgira a ideia de liberdade como propriedade comum a todos os homens.<\/p>\n<p><strong>E depois o mundo progrediu para a terceira fase da hist\u00f3ria. O mundo grego cedeu seu lugar ao mundo romano.<\/strong> A primeira comunidade de Roma foi uma comunidade de salteadores. E &#8220;um Estado alicer\u00e7ado na for\u00e7a tem de ser sustentado pela for\u00e7a&#8221;. A evolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria romana \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do salteador romano no soldado romano. Contudo, com o crescimento do Imp\u00e9rio, surgem, para o bem da humanidade, certas for\u00e7as essenciais. Estabeleceu-se um c\u00f3digo universal de leis, o primeiro de sua esp\u00e9cie na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>O indiv\u00edduo chegara, pela primeira vez, a uma consci\u00eancia de seus direitos aos olhos da lei &#8211; ao menos formalmente<\/strong>. Na realidade, o caso era diferente. Porque, a maioria das pessoas, estavam ainda escravizadas e, para elas, a lei era letra morta.<\/p>\n<p><strong>Aparece, ent\u00e3o, uma nova f\u00f4r\u00e7a \u2014 o Cristianismo. Esta religi\u00e3o apoderou-se das massas inferiores e deu-lhes um pai em Deus, um irm\u00e3o em Cristo e um conhecimento do amor<\/strong>. E assim, ap\u00f3s a igualdade legal dos romanos, o cristianismo introduziu, uma igualdade intr\u00ednseca \u2014 o valor inerente e infinito de todos os homens.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do editor<\/strong>: Esta dial\u00e9tica hist\u00f3rica, conforme Hegel tenta demonstrar, ir\u00e1 culminar no Estado como ideia absoluta de liberdade. Servir ao Estado \u00e9, na verdade, ser livre. O individual desaparece e cede lugar a um &#8220;eu coletivo&#8221; formado por um corpo de leis e uma autoridade m\u00e1xima que organiza sabiamente a vida social.<\/em><\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 ado\u00e7\u00e3o do Cristianismo, a justi\u00e7a triunfou sobre a injusti\u00e7a, na luta hist\u00f3rica do homem pela liberdade. Os homens come\u00e7aram a enxergar, a princ\u00edpio vagamente, mas cada vez de modo mais claro \u00e0 medida que passava o tempo, a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o existente entre a justi\u00e7a e a miseric\u00f3rdia, entre a lei e o amor.<\/p>\n<p>O c\u00f3digo legal dos romanos, que foi idealizado para defender o forte contra o fraco, foi, passo a passo, transformado em novo c\u00f3digo, destinado a proteger o fraco contra o forte.<\/p>\n<p><strong>A monarquia absoluta cedeu o passo \u00e0 monarquia constitucional, os direitos legais do povo foram ampliados em direitos pol\u00edticos.<\/strong> Liberdade e democracia tornaram-se termos quase sin\u00f4nimos. Finalmente, ao trazer Hegel a hist\u00f3ria para a sua pr\u00f3pria \u00e9poca, v\u00ea diante de si uma nova s\u00edntese de liberdade emergindo do tumulto e da confus\u00e3o da rivalidade diplom\u00e1tica e militar. Essa nova liberdade, declara, surgir\u00e1 na Pr\u00fassia. Pois a Pr\u00fassia &#8220;est\u00e1 criando, rapidamente, um poderio formid\u00e1vel.<\/p>\n<p><em><strong>Nota do editor<\/strong>: Infelizmente, depois de ter pensado de forma t\u00e3o original e ampla, Hegel se conecta ao seu tempo e \u00e0 pol\u00edtica local, concluindo que sua \u00e9poca seria a consolida\u00e7\u00e3o desse grande di\u00e1logo hist\u00f3rico.&nbsp; E ir\u00e1 concluir tamb\u00e9m que o Estado \u00e9 a s\u00edntese definitiva, sendo, portanto, mais importante que o pr\u00f3prio indiv\u00edduo (que &#8220;n\u00e3o sabe o que quer&#8221;). A consequ\u00eancia ser\u00e1 o apoio de Hegel aos Estados Absolutistas. Na hist\u00f3ria da Filosofia, Marx ir\u00e1 utilizar esta ideia de Hegel para justificar&nbsp; o conflito violento revolucion\u00e1rio e a supremacia do Estado sobre o indiv\u00edduo, que perde sua liberdade, pois &#8220;liberdade&#8221; \u00e9, na verdade, ser obediente ao Estado. Hegel e seu disc\u00edpulo Marx ser\u00e3o as bases filos\u00f3ficas de muitos governos totalit\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<h3>Hegel e seu apoio aos Estados absolutistas<\/h3>\n<hr>\n<div id=\"attachment_2696\" style=\"width: 577px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/estados-absolutistas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2696\" class=\"wp-image-2696 size-full\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/estados-absolutistas.jpg\" alt=\"Estados Absolutistas\" width=\"567\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/estados-absolutistas.jpg 567w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/estados-absolutistas-300x138.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2696\" class=\"wp-caption-text\">Hegel ir\u00e1 concluir que o Estado \u00e9 a s\u00edntese definitiva, sendo, portanto, mais importante que o pr\u00f3prio indiv\u00edduo que &#8220;n\u00e3o sabe o que quer&#8221;. A consequ\u00eancia ser\u00e1 o apoio de Hegel aos Estados Absolutistas<\/p><\/div>\n<p><strong>O Estado Prussiano, reacion\u00e1rio e absolutista, sobrepujara todos os direitos do indiv\u00edduo. Hegel, contudo, acreditava ver nesse Estado o tipo mais elevado da vida de &#8220;comunidade&#8221;.<\/strong> O eu individual, declarava, precisa sacrificar tudo pelo seu eu &#8220;melhor&#8221;, o Estado. \u00c0 medida que Hegel envelhecia tornava-se ultra-conservador. Os seus primeiros dias como liberal j\u00e1 haviam ficado muito para atr\u00e1s. Emprestou o seu apoio moral a todas as medidas opressivas do rei prussiano.<\/p>\n<p>Escreveu um artigo criticando a constitui\u00e7\u00e3o inglesa, que apelidou de &#8220;floresta perversa e sem f\u00e9&#8221;. Ele substituiria o governo popular da Inglaterra pelas &#8220;institui\u00e7\u00f5es racionais&#8221; da Pr\u00fassia. <strong>Um governo, disse ele, n\u00e3o \u00e9 obrigado a expressar a vontade do povo. &#8220;O povo que nunca sabe o que quer&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Nota do Editor:<\/strong> O fil\u00f3sofo alem\u00e3o Arthur Schopenhauer tinha verdadeiro horror a Hegel. Para ele, Hegel n\u00e3o compreendeu e distorceu toda a filosofia de Immanuel Kant. Com seu estilo agressivo, Schopenhauer acusou Hegel de ser vaidoso, mentiroso e um enganador que buscava &#8220;gl\u00f3ria e emprego&#8221;, e por isso mesmo n\u00e3o seria um livre pensador, mas um pensador a servi\u00e7o do dinheiro e do Estado, que, &#8220;por n\u00e3o saber o que dizer, escrevia dif\u00edcil&#8221;. Tudo isso porque Hegel baseou sua filosofia em Kant, fil\u00f3sofo que Schopenhauer, al\u00e9m de admirar, se considerava um especialista e seu principal sucessor, despertando seus &#8220;ci\u00fames&#8221;. E principalmente por causa o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Idealismo_alem%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">idealismo alem\u00e3o<\/a>, que Schopenhauer considerava outra distor\u00e7\u00e3o p\u00f3s-kantiana, e que foi pouco abordado nesse texto.<\/em><\/p>\n<h3>A influ\u00eancia de Hegel na hist\u00f3ria<\/h3>\n<hr>\n<p><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/marx-hegel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-content wp-image-2702\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/marx-hegel-600x264.jpg\" alt=\"Marx e Hegel\" width=\"600\" height=\"264\"><\/a><\/p>\n<p>No \u00e1pice de seu pensamento pol\u00edtico, Hegel faleceu devido \u00e0 uma epidemia de c\u00f3lera, antes de conhecer como seria tratada a sua filosofia pelos seus disc\u00edpulos. O destino dela foi not\u00e1vel. Por uma parte, os homens de Estado, olhos fitos no passado, do austr\u00edaco <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Klemens_Wenzel_von_Metternich\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Metternich<\/a> aos <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Imp%C3%A9rio_Russo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">czares russos<\/a>, adotaram a filosofia de Hegel como justificativa para a sua tirania. <strong>Pois, de acordo com a dial\u00e9tica de Hegel, todo Estado deve aceitar o direito divino da opress\u00e3o que lhe pertence, como fase necess\u00e1ria na evolu\u00e7\u00e3o do governo<\/strong>.<\/p>\n<p>Por outra parte, todavia, viram os disc\u00edpulos liberais, de Hegel, em sua filosofia, uma justifica\u00e7\u00e3o para todas as revolu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o proclama Hegel o direito de conflito de toda for\u00e7a, a tese, com a sua for\u00e7a contr\u00e1ria, a ant\u00edtese? <strong>N\u00e3o sustenta ela a doutrina da mudan\u00e7a violenta por meio do conflito violento? Dessa doutrina hegeliana derivou a teoria da luta de classe de Karl Marx, pai do socialismo moderno.<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Link sugerido do netmundi:<\/strong><\/em><\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2017\/karl-marx-e-adam-smith-oposicoes-entre-marxismo-e-liberalismo-classico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Karl Marx e Adam Smith: oposi\u00e7\u00f5es entre marxismo e liberalismo cl\u00e1ssico<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<hr>\n<p><em><strong>Autor:&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Henry_T._Schnittkind\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Henry Thomas Schnittkind<\/a><\/em><br \/>\nTexto original extra\u00eddo do livro&nbsp;<strong><em>&#8220;Vida de Grandes Fil\u00f3sofos&#8221;<\/em><\/strong>, 1944, de Henry Thomas e Dana Thomas. Editora Livraria do Globo.<br \/>\nAdapta\u00e7\u00f5es, notas, links e frases &#8211; <a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/quem-sou\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alfredo Carneiro<\/a>,&nbsp;editor do netmundi.org<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/separador.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2586\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/separador.gif\" alt=\"\" width=\"397\" height=\"65\"><\/a><\/p>\n<h3><strong>Principais obras de Georg Wilhelm Friedrich Hegel<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<ol>\n<li><i><a title=\"Fenomenologia do Esp\u00edrito\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fenomenologia_do_Esp%C3%ADrito\">Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/a><\/i>&nbsp;(1807)<\/li>\n<li><i><a class=\"new\" title=\"Ci\u00eancia da L\u00f3gica (Hegel) (p\u00e1gina n\u00e3o existe)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Ci%C3%AAncia_da_L%C3%B3gica_(Hegel)&amp;action=edit&amp;redlink=1\">Ci\u00eancia da L\u00f3gica<\/a><\/i>&nbsp; (1816)<\/li>\n<li><i><a title=\"Enzyklop\u00e4die der philosophischen Wissenschaften\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Enzyklop%C3%A4die_der_philosophischen_Wissenschaften\">Enciclop\u00e9dia das Ci\u00eancias Filos\u00f3ficas (<\/a><\/i>1830)<\/li>\n<li><i><a class=\"mw-redirect\" title=\"Elementos da Filosofia do Direito\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Elementos_da_Filosofia_do_Direito\">Elementos da Filosofia do Direito<\/a><\/i>&nbsp;(1830)<\/li>\n<\/ol>\n<h3>Frases de Hegel<\/h3>\n<hr>\n<ol>\n<li><em>&#8220;O real \u00e9 racional, e o racional \u00e9 real.&#8221;<\/em><\/li>\n<li><em>&#8220;Povo \u00e9 a parte do Estado que n\u00e3o sabe o que quer.&#8221;<\/em><\/li>\n<li><em>&#8220;Nada de grande se realizou no mundo sem paix\u00e3o.&#8221;<\/em><\/li>\n<li><em>&#8220;A necessidade, a natureza e a hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o mais do que instrumentos da revela\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito.&#8221;<\/em><\/li>\n<li><em>&#8220;O Estado \u00e9 a forma hist\u00f3rica espec\u00edfica na qual a liberdade adquire uma exist\u00eancia objetiva.&#8221;<\/em><\/li>\n<li><em>&#8220;O mais alto objetivo da Arte \u00e9 o que \u00e9 comum \u00e0 Religi\u00e3o e \u00e0 Filosofia. Tal como estas, \u00e9 um modo de express\u00e3o do divino, das necessidades e exig\u00eancias mais elevadas do esp\u00edrito.&#8221;<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<h3><strong><em>Navegue pelo netmundi.org<\/em><\/strong><\/h3>\n<hr>\n<ol>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog do Editor<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Posts<\/em>&nbsp;sobre Filosofia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pensamentos de v\u00e1rios fil\u00f3sofos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Georg Wilhelm Friedrich Hegel descendia de uma linhagem de funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Na Alemanha, o funcion\u00e1rio p\u00fablico era um civil cujo senso de iniciativa e instinto de liberdade fora paralisado pelo v\u00edrus da burocracia. O pai de Hegel guardava os relat\u00f3rios das finan\u00e7as de W\u00fcrttemberg. O emblema de sua fam\u00edlia era a rotina oficial. Nascido no dia 27 de agosto de 1770, Hegel foi mandado para a escola latina e depois para o semin\u00e1rio teol\u00f3gico em T\u00fcbingen. Revelou-se, contudo, um med\u00edocre estudante das &#8220;verdades divinas&#8221;. Lhe Interessava muito mais os problemas do mundo. E, na verdade, muitas coisas aconteciam no mundo durante os dias de estudante de Hegel. A Fran\u00e7a instaurara o &#8220;Reino da Raz\u00e3o&#8221;. O vinho da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa chegara aos l\u00e1bios de todos os liberais na Europa inteira. Estes ergueram os chap\u00e9us em honra da liberdade, igualdade e fraternidade. Hegel plantou uma &#8220;\u00e1rvore da liberdade&#8221; na pra\u00e7a p\u00fablica de T\u00fcbingen saudando a Rep\u00fablica da Fran\u00e7a. Depois, passou a se dedicar apaixonadamente pela Filosofia. Mas at\u00e9 um fil\u00f3sofo precisa comer. Decidiu-se pelo ensino como meio de vida. Por alguns anos, mal conseguiu sobreviver como preceptor esfor\u00e7ado. Tinha um amor pela literatura grega e pela filosofia de Kant, por\u00e9m, lhe faltava [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2688,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[191],"tags":[341,288,289,93,94],"class_list":["post-2684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-filosofia-moderna-2","tag-filosofia-hegeliana","tag-hegel","tag-hume","tag-idealismo-alemao","tag-kant"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Georg W. F. 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