{"id":2429,"date":"2018-02-10T12:20:38","date_gmt":"2018-02-10T12:20:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/?p=2429"},"modified":"2023-02-01T21:11:17","modified_gmt":"2023-02-01T21:11:17","slug":"aristoteles-biografia-filosofia-obras-e-frases","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/aristoteles-biografia-filosofia-obras-e-frases\/","title":{"rendered":"Arist\u00f3teles &#8211; Biografia, filosofia, obras e frases"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Um dia, em meados do ver\u00e3o do ano de 366 a.C apresentou-se um jovem para se matricular na Academia de Plat\u00e3o. Vinha da cidade maced\u00f4nica de Estagira. Era a imagem perfeita do requinte. Foi educado num ambiente de cultura. O pai, j\u00e1 falecido, foi m\u00e9dico na corte de Amintas, rei da Maced\u00f4nia e av\u00f4 de Alexandre. Desde a primeira inf\u00e2ncia, o jovem Arist\u00f3teles(384 a.C- 322 a.C) foi adestrado para uma vida de disciplina mental e conforto f\u00edsico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua chegada \u00e0 Academia provocou sensa\u00e7\u00e3o entre os demais estudantes, pois se tratava de um aristocrata dos aristocratas \u2014 af\u00e1vel, bizarro, gracioso, de voz branda, delicado, polido, modelo de bom proceder e de eleg\u00e2ncia no trajar. Na realidade, era algo inc\u00f4modo. Falava de forma afetada, e prestava mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas roupas \u2014 como se queixava Plat\u00e3o \u2014 do que convinha a algu\u00e9m que amasse sinceramente a sabedoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidenciava, contudo, aptid\u00f5es intelectuais incrivelmente variadas. Parecia quase imposs\u00edvel um s\u00f3 esp\u00edrito estar aberto a tantas facetas do conhecimento. Pol\u00edtica, drama, poesia, f\u00edsica, medicina, psicologia, hist\u00f3ria, l\u00f3gica, astronomia, \u00e9tica, hist\u00f3ria natural, matem\u00e1tica, ret\u00f3rica, biologia \u2014 eram estes alguns interesses de seu voraz apetite de saber.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conflitos com Plat\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/academia.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"264\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/academia-600x264.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2443\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/academia.png 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/academia-300x132.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Academia de Plat\u00e3o, de Rafael (1510)<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Certa vez, observou Plat\u00e3o que a sua Academia se compunha de duas partes \u2014 o corpo de seus estudantes e o c\u00e9rebro de Arist\u00f3teles<\/strong>. Como era de esperar, o maior mestre e o estudante not\u00e1vel estavam sempre discordando. Quando um grego se encontra com outro, especialmente num n\u00edvel de igualdade mental, o choque torna-se iminente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Nota do editor:<\/em><\/strong> A famosa pintura da Academia retrata justamente um conflito de ideias entre mestre e disc\u00edpulo. Enquanto Plat\u00e3o aponta para cima, indicando o mundo das ideias perfeitas como verdadeira realidade, Arist\u00f3teles faz um gesto para baixo que, de acordo com sua pr\u00f3pria filosofia, afirma a import\u00e2ncia da realidade, discordando que este mundo seja apenas mera sombra insignificante de um mundo perfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem e o velho fil\u00f3sofo disputavam com frequ\u00eancia, embora se adorassem. Ao morrer Plat\u00e3o em 347 a. C., tinha Arist\u00f3teles trinta e sete anos de idade. Esperava justamente ser escolhido como sucessor de Plat\u00e3o na presid\u00eancia da Academia. Todavia, foi decepcionado. Os administradores da Academia rejeitaram-no como &#8220;estrangeiro&#8221; e elegeram, em seu lugar, um ateniense.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Links sugeridos do netmundi:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2014\/a-metafisica-em-platao-e-aristoteles\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Metaf\u00edsica em Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2017\/platao-etica-do-belo-e-do-bom\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Plat\u00e3o \u2013 a \u00e9tica do Belo e do Bom<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2017\/platao-5-livros-para-baixar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Plat\u00e3o | 5 livros para baixar<\/a><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00edda de Atenas e casamento com P\u00edtia<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Irritado, procurou Arist\u00f3teles uma oportunidade para sair de Atenas. Foi convidado por um de seus antigos condisc\u00edpulos, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/H%C3%A9rmias_de_Atarneu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">H\u00e9rmias<\/a>, um pol\u00edtico que obtivera o dom\u00ednio de um grande territ\u00f3rio na \u00c1sia Menor. Almejava experimentar um governo s\u00e1bio, contanto que a sabedoria n\u00e3o lhe interferisse nas riquezas. E assim, atribuiu Arist\u00f3teles de ensin\u00e1-lo como conciliar a justi\u00e7a com a explora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Arist\u00f3teles, por\u00e9m, interessava-se apenas pela justi\u00e7a. Falhou, portanto, em sua miss\u00e3o de afastar o amigo da procura de riquezas e encaminh\u00e1-lo no sentido da equidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Conseguiu, entretanto, casar com P\u00edtia, a encantadora filha adotiva de Hermias. Apesar de am\u00e1-la, n\u00e3o rejeitou o belo dote que ela trouxera consigo. Arist\u00f3teles, como veremos, n\u00e3o era contr\u00e1rio \u00e0 prosperidade. Na verdade, considerava-a como um dos requisitos para uma vida feliz. Casou com P\u00edtia, empregou o seu dinheiro, e passou a lua de mel a catar conchinhas do mar para seus estudos cient\u00edficos. Terminada a lua de mel, voltou \u00e0 corte de H\u00e9rmias.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua estada, entretanto, foi curta. As intrigas de H\u00e9rmias haviam despertado a ira de um rei persa. Os persas, ent\u00e3o, invadiram o pa\u00eds e crucificaram o governante insensato. Mais uma vez Arist\u00f3teles ficou sem p\u00e1tria e sem emprego.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tutor de Alexandre, o Grande<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/aristoteles_alexandre.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"264\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/aristoteles_alexandre-600x264.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2440\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Arist\u00f3teles e Alexandre. Gravura de Charles Laplante.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Novamente, contudo, recebeu aux\u00edlio um amigo real. O rei Filipe da Maced\u00f4nia, pai de Alexandre, o convidou para residir em seu pal\u00e1cio como tutor de Alexandre. Por\u00e9m, quando Arist\u00f3teles voltou \u00e0 corte na qual seu pai servira como m\u00e9dico real, sentiu-se deslocado.<\/p>\n\n\n\n<p>A atmosfera maced\u00f4nica, naquele momento, n\u00e3o era adequada \u00e0 medita\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. Era uma atmosfera de ambi\u00e7\u00e3o descontrolada, b\u00e1rbaro esplendor e b\u00e1rbara vulgaridade. O rei Filipe era homem de intelig\u00eancia superior mas de baixa educa\u00e7\u00e3o. Tinha uma linguagem carregada de erros gramaticais. &#8220;N\u00e3o sou um b\u00e1rbaro,&#8221; insistia, e n\u00e3o desejava tamb\u00e9m que seu filho fosse &#8220;um b\u00e1rbaro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, queria que Alexandre se transformasse num requintado fil\u00f3sofo. Mas Alexandre era o filhote indomado de um le\u00e3o feroz. Em realidade, toda a corte parecia uma floresta de feras raivosas. Disputas, duelos, devassid\u00f5es, assassinatos \u2014 tudo isso andava na ordem do dia. Ol\u00edmpia, a esposa do rei Filipe, chegava \u00e0s raias da loucura, e seu marido e seu filho n\u00e3o lhe ficavam muito atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Num dos banquetes reais Filipe tentou apunhalar Alexandre porque o menino o insultara. E Alexandre, para que&nbsp; n\u00e3o o superassem, desferiu um ataque homicida contra o pai, mas conseguiram apart\u00e1-los. Tal era o turbulento ambiente familiar que Arist\u00f3teles fora encarregado de suavizar com a &#8220;do\u00e7ura da sabedoria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Filipe sonhava com a conquista do mundo inteiro. Entretinha-se por ora em levar a cabo a primeira parte do seu sonho imperialista \u2014 a subjuga\u00e7\u00e3o dos Estados gregos. A todos apresentou uma pol\u00edtica de &#8220;pacifica\u00e7\u00e3o&#8221; e, quando os Estados gregos se embalaram numa falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a \u00e0 vista de suas promessas insinceras, foram conquistados, um a um.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em meio a seu triunfo, Filipe foi assassinado. Alexandre, o pupilo de Arist\u00f3teles, abandonou a filosofia do mestre pelos sonhos pr\u00e1ticos do pai. Completou a campanha interrompida de Filipe contra os gregos e empreendeu, depois, a conquista do resto do mundo. Como um freio contra a pr\u00f3pria impetuosidade levou consigo o fil\u00f3sofo Cal\u00edstenes , disc\u00edpulo e sobrinho de Arist\u00f3teles.<\/p>\n\n\n\n<p>Cal\u00edstenes, todavia, n\u00e3o apaziguou a impetuosidade de Alexandre. Ao contrari\u00e1-alo, Alexandre o matou. Enfurecido ante a recusa do fil\u00f3sofo em consider\u00e1-lo um deus, ordenou que Cal\u00edstenes fosse enforcado.<\/p>\n\n\n\n<p>Viu-se de novo Arist\u00f3teles entregue aos pr\u00f3prios recursos. Fora \u00e0 Maced\u00f4nia em busca da gl\u00f3ria pol\u00edtica. Como pol\u00edtico regressava agora mais triste \u00e0 Atenas; por\u00e9m, mais s\u00e1bio como fil\u00f3sofo. Fartara-se da vida pr\u00e1tica. Daquele momento em diante iria se devotar ao estudo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisas cient\u00edficas e o surgimento do Liceu<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/liceu.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"261\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/liceu.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2460\" srcset=\"https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/liceu.png 600w, https:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/liceu-300x131.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Escola de Arist\u00f3teles, pintura de 1880 por Gustav Adolph Spangenberg<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Al\u00e9m de sua fortuna de modo algum desdenh\u00e1vel, recebera do rei Filipe a soma de oitocentos talentos para as suas investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Contratando perto de mil assistentes, enviou-os a todas as partes do mundo afim de coletar material e esp\u00e9cimes para uma vasta enciclop\u00e9dia de filosofia e ci\u00eancia. Arist\u00f3teles, todavia, era mais que um pesquisador. Era, antes de tudo, um professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Magoado ainda pela sua derrota como candidato \u00e0 presid\u00eancia da Academia, abriu uma escola rival, o Liceu \u2014 assim chamado por estar situado no bosquete dedicado a Apolo L\u00edcio, o defensor dos rebanhos contra os lobos. Ali reuniu o seu rebanho de estudantes e preparou-os para lutar contra os lobos da ignor\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela manh\u00e3, proporcionava cursos t\u00e9cnicos aos disc\u00edpulos mais adiantados e \u00e0 tarde dava aulas p\u00fablicas ao povo em geral. Seus contempor\u00e2neos nos deixaram v\u00edvido retrato de Arist\u00f3teles como conferencista: calvo e um tanto barrigudo (porque se aproximava agora dos cinq\u00fcenta anos), cuidadosa e mesmo ostentosamente vestido, as pernas finas, os olhos penetrantes e a l\u00edngua afiada.<\/p>\n\n\n\n<p>Infatig\u00e1vel por natureza, era incapaz de ficar sentado ao fazer as suas palestras, especialmente pela manh\u00e3, quando os alunos eram pouco numerosos. Conversava com eles caminhando de um lado para outro, expondo suas ideias e respondendo perguntas, e assim ganhou para o seu Liceu o apelido de escola peripat\u00e9tica \u2014 a escola dos Fil\u00f3sofos Ambulantes. At\u00e9 hoje \u00e9 a filosofia aristot\u00e9lica conhecida como o sistema peripat\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A imperfei\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico de Arist\u00f3teles n\u00e3o era devida a nenhuma imperfei\u00e7\u00e3o de seu esp\u00edrito, mas \u00e0 aus\u00eancia de instrumentos cient\u00edficos necess\u00e1rios. Sem um telesc\u00f3pio de um lado ou um microsc\u00f3pio de outro, n\u00e3o podia ele fazer ideia da vastid\u00e3o do universo nem da pequenez de suas partes. Em virtude dessa desvantagem, tem hoje a ci\u00eancia de Arist\u00f3teles interesse hist\u00f3rico, por\u00e9m n\u00e3o valor pr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota do editor<\/strong>: Apesar disso, a l\u00f3gica cl\u00e1ssica de Arist\u00f3teles \u00e9 considerada o fundamento da l\u00f3gica desenvolvida posteriormente e uma refer\u00eancia de argumenta\u00e7\u00e3o racional e demonstrativa impec\u00e1vel, qualidade at\u00e9 hoje fundamental para qualquer cientista.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Link sugerido do netmundi:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2017\/aristoteles-cientista-da-antiguidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arist\u00f3teles \u2013 o maior fil\u00f3sofo e cientista do mundo antigo<\/a><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">T\u00f3picos fundamentais da Filosofia de Arist\u00f3teles<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/aristotle-book.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"264\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/aristotle-book-620x264.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2110\"\/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Arist\u00f3teles levanta tr\u00eas t\u00f3picos que dizem respeito de modo vital tanto \u00e0 nossa gera\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 dele. Esses tr\u00eas t\u00f3picos s\u00e3o Deus, o Estado e o Homem. Qual \u00e9 a natureza de Deus? Qual \u00e9 a melhor esp\u00e9cie de governo para o Estado? E qual \u00e9 o comportamento mais desej\u00e1vel para o Homem? Estuda Arist\u00f3teles a natureza de Deus em sua Metaf\u00edsica, o governo do Estado em sua Pol\u00edtica e a moral e felicidade do homem em sua \u00c9tica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Deus ou o Motor Im\u00f3vel<\/h3>\n\n\n\n<p>No sistema filos\u00f3fico de Arist\u00f3teles n\u00e3o \u00e9 Deus o criador do universo mas a causa de seu movimento. Porque o criador \u00e9 um sonhador, e um sonhador \u00e9 uma personalidade insatisfeita, alma que anseia por algo que n\u00e3o existe, ser infeliz que busca a felicidade \u2014 em suma, criatura imperfeita que aspira \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Mas Deus \u00e9 perfeito e, sendo perfeito, n\u00e3o pode ser insatisfeito ou infeliz. N\u00e3o \u00e9, portanto, Criador mas o Motor do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas que esp\u00e9cie de Motor? A essa pergunta responde Arist\u00f3teles que Deus \u00e9 o Motor Im\u00f3vel do universo. Toda e qualquer outra fonte de movimento no mundo, seja uma pessoa, seja uma coisa, seja um pensamento, \u00e9 um motor e \u00e9 tamb\u00e9m movido por algo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa sorte, o arado move a terra, a m\u00e3o move o arado, o c\u00e9rebro move a m\u00e3o, o desejo de alimento move o c\u00e9rebro, o instinto da vida move o desejo de alimento, e assim por diante. Em outras palavras, a causa de todo movimento \u00e9 o resultado de outro movimento qualquer. O amo de todo escravo \u00e9 escravo de algum outro amo. O pr\u00f3prio tirano \u00e9 escravo de sua ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus, no entanto, n\u00e3o pode ser resultado de nenhuma a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode ser escravo de amo nenhum. \u00c9 a fonte de toda a a\u00e7\u00e3o, o amo de todos os amos, o instigador de todo o pensamento, o Motor Im\u00f3vel do mundo. Al\u00e9m disso, Deus n\u00e3o se interessa pelo mundo, muito embora o mundo&nbsp;se interesse por Deus. Pois interessar-se significa sujeitar-se a uma emo\u00e7\u00e3o, deixar-se mover por preces ou impreca\u00e7\u00f5es, ser capaz de modificar o pr\u00f3prio esp\u00edrito em virtude das a\u00e7\u00f5es, desejos ou pensamentos alheios \u2014 em suma, ser imperfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Deus \u00e9 sem paix\u00e3o, imut\u00e1vel, perfeito. Move o mundo como um amante move o objeto amado. Passa pela rua uma linda mulher. Perdida em pr\u00f3prios pensamentos, traz os olhos fixos no ch\u00e3o. N\u00e3o olha Para ningu\u00e9m. Mas todos a contemplam. A presen\u00e7a da sua beleza fez com que todos os olhares se voltassem,&nbsp;emocionou todos os cora\u00e7\u00f5es, gerou pensamentos em todos os esp\u00edritos. Tal \u00e9 a natureza da beleza de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem ser movido, <em>&#8220;produz movimento dentro de todos n\u00f3s por ser amado.&#8221;<\/em>&nbsp;Esse Deus aristot\u00e9lico, amado amado por todos os homens, e indiferente a seus destinos, \u00e9 um Ser Supremo, frio, impessoal e, do nosso ponto de vista religioso moderno, totalmente insatisfat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse Deus mais se assemelha \u00e0 energia dos cientistas do que ao Pai Celestial dos poetas. O esp\u00edrito humano, divorciado de toda emo\u00e7\u00e3o, pode ser capaz de conceber tal governante desinteressado do universo. Todavia, o cora\u00e7\u00e3o humano, com a sua carga de tristeza e a sua capacidade de compaix\u00e3o, insiste sobre um Deus que mais seja um amigo no c\u00e9u do que uma algo destitu\u00eddo de amor, como nas especula\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas de um fil\u00f3sofo grego.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edtica<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma por uma, o fil\u00f3sofo grego estudou as v\u00e1rias formas de governo j\u00e1 experimentadas no mundo antigo: a ditadura, a monarquia, a oligarquia (governo dos poucos) e a democracia. Reconhece seus pontos fortes e fracos. De todas as formas de governo, a pior \u00e9 a ditadura, pois subordina os interesses de todos, \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es de um s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma de governo mais desej\u00e1vel, por outro lado, \u00e9 aquela que <em>&#8220;permite a cada homem, seja quem for, exercitar as suas melhores habilidades e viver o mais agradavelmente os seus dias&#8221;.<\/em> Tal governo, seja qual for seu nome, ser\u00e1 sempre um governo constitucional. Qualquer governo sem constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 tirania, seja ele o de um s\u00f3, ou o de uns poucos, ou o de muitos homens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Nota do Editor:<\/em><\/strong> O pr\u00f3prio Arist\u00f3teles escreveu a constitui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias cidades-Estado da gr\u00e9cia antiga.<\/p>\n\n\n\n<p>A vontade irrefreada de um punhado de plutocratas ou de uma horda de prolet\u00e1rios, \u00e9 exatamente t\u00e3o tir\u00e2nica quanto a vontade irrefreada de um s\u00f3 homem. A ditadura de uma classe n\u00e3o \u00e9 melhor que a ditadura de um indiv\u00edduo. Partindo desse ponto, passa Arist\u00f3teles a descrever o que considera um tipo perfeito de governo n\u00e3o ditatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o seria esse governo como a Rep\u00fablica de Plat\u00e3o \u2014 comunista. A posse comum da propriedade resultaria em cont\u00ednuas incompreens\u00f5es, contendas e crimes. Isso destruiria a responsabilidade pessoal. <em>&#8220;Pelo que \u00e9 de todos, ningu\u00e9m se interessa.&#8221;<\/em> A responsabilidade comum significa a neglig\u00eancia individual. <em>&#8220;Toda a gente inclina-se a fugir de uma obriga\u00e7\u00e3o quando espera que outro a desempenhe.&#8221;<\/em>&nbsp;N\u00e3o se pode esperar socializar os bens humanos assim como n\u00e3o se pode esperar socializar a natureza humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Advoga, Arist\u00f3teles, o desenvolvimento particular do car\u00e1ter de cada homem e a posse privada da propriedade de cada homem. Mas como o car\u00e1ter particular de cada homem deve ser dirigido para o bem estar p\u00fablico, assim deve a propriedade privada de cada homem ser empregada para uso p\u00fablico. <em>&#8220;E a tarefa principal do legislador consiste em criar em todos os homens essa disposi\u00e7\u00e3o cooperativa.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Cabe inteiramente ao legislador a obriga\u00e7\u00e3o de prover ao interesse p\u00fablico por meio de altru\u00edstica reciprocidade dos interesses privados dos cidad\u00e3os. Para esse fim n\u00e3o deve haver distin\u00e7\u00e3o entre as classes dos dirigentes e a classe dos dirigidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, todos os cidad\u00e3os deveriam, igualmente, governar e ser governados, com a cl\u00e1usula geral de que <em>&#8220;os velhos s\u00e3o os mais indicados para governar, e os jovens para obedecer.&#8221;<\/em>&nbsp;A classe dirigente h\u00e1-de preocupar-se vitalmente com a educa\u00e7\u00e3o dos jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>E essa educa\u00e7\u00e3o h\u00e1 de ser, a um tempo, pr\u00e1tica e ideal. N\u00e3o deve proporcionar, apenas, aos cidad\u00e3os adolescentes os meios de prover \u00e0 sua subsist\u00eancia, mas deve tamb\u00e9m ensin\u00e1-los como viver de acordo com os meios de que disp\u00f5em.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Nota do editor:<\/em><\/strong> Arist\u00f3teles considerava os jovens incapazes de decis\u00f5es pol\u00edticas, observando que a pol\u00edtica gira em torno dos fatos da vida, sendo os jovens inexperientes nesses fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, o Estado assegurar\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o de uma cidadania esclarecida, pr\u00f3spera, cooperativa e satisfeita. Acima de tudo, devem os dirigentes ter por objetivo o contentamento dos dirigidos. Contentamento por meio da justi\u00e7a. Porque somente dessa maneira poder\u00e3o evitar revolu\u00e7\u00f5es. <em>&#8220;Nenhum homem sensato sofrer\u00e1 um governo injusto se puder escapar-lhe ou derrub\u00e1-lo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um governo injusto se assemelha o fogo que esquenta at\u00e9 ao ponto de explos\u00e3o. Est\u00e1 destinado, mais cedo ou mais tarde, a redundar em viol\u00eancia. Julgada do ponto de vista da imparcialidade com respeito aos cidad\u00e3os, <em>&#8220;parece a democracia ser mais segura e menos exposta \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o do que qualquer outra forma de governo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses que mais facilmente explodir\u00e3o em rebeli\u00f5es s\u00e3o os governados por ditadores. <em>&#8220;A ditadura&nbsp;\u00e9 a forma mais fr\u00e1gil de governo.&#8221;<\/em> O objetivo do governo, escreve Arist\u00f3teles, \u00e9 garantir o bem estar dos governados. E assim traduz-se em \u00e9tica a pol\u00edtica: O Estado existe para o homem, e n\u00e3o o homem para o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Link sugerido do netmundi.org:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2017\/a-republica-de-platao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Rep\u00fablica e o governo ideal de Plat\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c9tica e Felicidade<\/h3>\n\n\n\n<p>Mesmo numa vida breve e no meio do infort\u00fanio, \u00e9 poss\u00edvel a um homem nobre ser feliz. A alma nobre pode ensinar a insensibilidade ao sofrimento, a qual \u00e9, em si mesma, uma virtude. Em outras palavras, podemos, alguma vez, alcan\u00e7ar a felicidade renunciando a ela. Al\u00e9m disso, nenhum homem pode ser chamado infeliz se procede de acordo com a virtude.<\/p>\n\n\n\n<p>A felicidade, para Arist\u00f3teles, consiste na realiza\u00e7\u00e3o de boas obras de acordo com a virtude. O \u00fanico homem completamente feliz \u00e9 o <em>&#8220;que age de conformidade com a virtude completa e \u00e9 suficientemente dotado de riquezas, sa\u00fade e amizades, n\u00e3o por um per\u00edodo transit\u00f3rio, mas durante a vida inteira.&#8221; <\/em>E isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel, mesmo para aquele que nasce rico, se der a cada coisa sua justa medida. Arist\u00f3teles chamou esta atitude de &#8220;\u00c1urea mediocridade&#8221;, como veremos mais adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se a felicidade \u00e9 o resultado da virtude, que \u00e9 ent\u00e3o a virtude? Para os antigos, n\u00e3o significava esta palavra, como hoje para n\u00f3s, apenas excel\u00eancia moral. Significava qualquer excel\u00eancia. Um general competente mas impiedoso seria, em Atenas, considerado como o soldado virtuoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a palavra grega para virtude, <em>arete<\/em>, derivava de Ares, o deus da guerra. O que entendemos atualmente por virtude tem sua origem na tradu\u00e7\u00e3o latina de <em>arete&nbsp;\u2014 virtus<\/em>, que significa virtude ou qualidade. Uma pessoa virtuosa, na filosofia de Arist\u00f3teles, era uma pessoa que possu\u00edsse coragem f\u00edsica, compet\u00eancia t\u00e9cnica e virtuosidade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>A essas tr\u00eas qualidades, acrescenta Arist\u00f3teles um quarto requisito para felicidade: a nobreza moral. Essa excel\u00eancia completa, portanto, era preciosa ao &#8220;guerreiro feliz&#8221; de Arist\u00f3teles no campo de batalha da vida. Arist\u00f3teles sintetizou essa m\u00faltipla excel\u00eancia em sua famosa doutrina da &#8220;\u00c1urea mediocridade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O homem feliz, o homem virtuoso, \u00e9 aquele que preserva a &#8220;\u00c1urea mediocridade&#8221; entre os extremos das a\u00e7\u00f5es insensatas. \u00c9 o que navega no caminho do meio entre os perigos que amea\u00e7am arruinar-lhe a vida. Em cada obra, em cada pensamento, em cada emo\u00e7\u00e3o, pode um homem cumprir mais do que deve, cumpri-lo insuficientemente ou cumpri-lo com justeza (este \u00faltimo, o ideal).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, partilhando os seus bens com outras pessoas, pode ser extravagante, o que \u00e9 ultrapass\u00e1-lo, avarento, o que \u00e9 cumpri-lo imperfeitamente, ou ser sensato, o que \u00e9 cumpri-lo com justeza. Ao enfrentar os perigos da vida pode ser um homem temer\u00e1rio, covarde ou bravo. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comida ser\u00e1 glut\u00e3o, abst\u00eamio ou moderado. Em todos os casos, o meio racional de vida consiste em nada fazer de mais nem de menos, por\u00e9m adotar o meio termo.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem virtuoso \u00e9 aquele que d\u00e1 a cada coisa a justa medida. Age <em>&#8220;nos momentos certos, em rela\u00e7\u00e3o aos objetos certos e \u00e0s pessoas certas, com o motivo certo e da maneira certa.&#8221;<\/em> Ir\u00e1 observar, em suma, em todos os tempos e em todas as condi\u00e7\u00f5es, a &#8220;\u00c1urea mediocridade&#8221;. N\u00e3o ser\u00e1 nem med\u00edocre de fato e nem far\u00e1 muito mais do que deve.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois \u00e9 a &#8220;\u00c1urea mediocridade&#8221; a estrada real da felicidade. E tendo pavimentado a estrada da felicidade descreve, agora, Arist\u00f3teles, o homem ideal, digno de ser feliz. O homem ideal, o cavalheiro aristot\u00e9lico, <em>&#8220;n\u00e3o se exp\u00f5e desnecessariamente ao perigo mas est\u00e1 preparado, por ocasi\u00e3o das grandes crises, para dar a pr\u00f3pria vida, se preciso for. Sente prazer em fazer favores a outros homens, mas envergonha-se quando outros lhe fazem favores. Pois, como \u00e9 ind\u00edcio de superioridade prestar um favor, \u00e9 tamb\u00e9m vergonha receb\u00ea-lo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa falta de ego\u00edsmo, entretanto, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma forma mais alta de ego\u00edsmo, um ego\u00edsmo esclarecido. A boa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um ato de auto-sacrif\u00edcio, mas de autopreserva\u00e7\u00e3o. Pois um homem n\u00e3o \u00e9 uma criatura individual. \u00c9 uma criatura social. Toda boa obra \u00e9 um investimento: est\u00e1 destinada, mais cedo ou mais tarde, a ser retribu\u00edda com juros.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O homem ideal, por conseguinte, \u00e9 altru\u00edsta porque \u00e9 s\u00e1bio&#8230; N\u00e3o fala mal dos outros, nem sequer&nbsp;dos inimigos, a n\u00e3o ser que o fa\u00e7a diretamente a eles&#8230; N\u00e3o guarda rancor e sempre esquece as inj\u00farias&#8230; Em resumo, \u00e9 um bom amigo para os outros porque \u00e9 o melhor amigo de si mesmo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00daltimos anos<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O retrato do cavalheiro ateniense \u00e9, na realidade, o autorretrato de Arist\u00f3teles. Delicado, imperturb\u00e1vel e s\u00e1bio, continuou a apontar aos seus semelhantes o caminho m\u00e9dio da seguran\u00e7a, situado entre a temeridade da conquista, de um lado, e a covardia da submiss\u00e3o, de outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os tempos andavam desarticulados. Os atenienses n\u00e3o se encontravam predispostos a prestar ouvidos \u00e0 sabedoria. Acusaram Arist\u00f3teles de ser um espi\u00e3o dos maced\u00f4nios. N\u00e3o esqueceram o fato dele ter sido o professor de Alexandre. Quanto ao pr\u00f3prio Alexandre, este tamb\u00e9m se tornara hostil a Arist\u00f3teles. A sabedoria e a guerra eram dois inimigos irreconcili\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A modera\u00e7\u00e3o, a calma, a &#8220;\u00c1urea mediocridade&#8221; \u2014 essa era uma doutrina perigosa demais para ser ouvida entre os ru\u00eddo das armas dos conquistadores. Alexandre j\u00e1 matara Cal\u00edstenes, sobrinho de Arist\u00f3teles, e muito provavelmente Arist\u00f3teles n\u00e3o iria considerar Alexandre um deus, fato que matou Cal\u00edstenes. E assim, viu-se o suave fil\u00f3sofo cercado de perigos de ambos os lados.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses perigos foi eliminado quando Alexandre morreu em conseq\u00fc\u00eancia de uma bebedeira. Mas o outro perigo, nascido da suspeita dos atenienses, continuou a crescer constantemente at\u00e9 que, por fim, foi Arist\u00f3teles amea\u00e7ado de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrando-se do destino de S\u00f3crates, saiu Arist\u00f3teles da cidade antes que fosse tarde demais. N\u00e3o queria proporcionar aos atenienses <em>&#8220;uma segunda oportunidade de pecar contra a filosofia&#8221;<\/em>. Morreu o fil\u00f3sofo um ano depois de sua partida de Atenas. Pouco antes de sua morte escreveu um testamento breve no qual libertava seus escravos. Foi a primeira proclama\u00e7\u00e3o de alforria na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Link sugerido do netmundi.org:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/filosofia\/2012\/o-julgamento-de-socrates\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O julgamento de S\u00f3crates<\/a><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><em><strong>Autor:&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Henry_T._Schnittkind\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Henry Thomas Schnittkind<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Do livro, <em>&#8220;Vida de Grandes Fil\u00f3sofos&#8221;<\/em>, 1944. <em>Tradu\u00e7\u00e3o de Ot\u00e1vio Mendes Cajado<\/em>. Adapta\u00e7\u00f5es, notas, links e frases de Arist\u00f3teles inclu\u00eddas pelo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/quem-sou\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">editor<\/a> do netmundi.org.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas do editor<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>DUMONT, J. P.&nbsp;<strong>Elementos de hist\u00f3ria da filosofia antiga<\/strong>. Bras\u00edlia: EdUnB, 2005<\/li>\n\n\n\n<li>HADOT, P.&nbsp;<strong>O que \u00e9 a Filosofia antiga?<\/strong>&nbsp;S\u00e3o Paulo: Lisboa, 1999.<\/li>\n\n\n\n<li>LA\u00caRTIOS, D.&nbsp;<strong>Vida e doutrinas dos fil\u00f3sofos ilustres<\/strong>. Bras\u00edlia: Ed UnB, 1997.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Frases de Arist\u00f3teles<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><em>&#8220;Todos os seres humanos, naturalmente, desejam o conhecimento.&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>&#8220;Somos aquilo que fazemos repetidamente.&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>&#8220;Nos jogos ol\u00edmpicos, n\u00e3o s\u00e3o os homens mais belos e os mais fortes que vencem, mas o que competem. Assim tamb\u00e9m as coisas boas e nobres da vida s\u00f3 s\u00e3o conquistadas pelos que agem retamente.&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>&#8220;Os bens que se relacionam com a alma s\u00e3o os bens no mais pr\u00f3prio e verdadeiro sentido do termo, e os bens da alma s\u00e3o os pensamentos.&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>&#8220;O homem que n\u00e3o se alegra com as a\u00e7\u00f5es nobres n\u00e3o \u00e9 sequer bom.&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>&#8220;A felicidade \u00e9 a melhor, mais nobre e mais agrad\u00e1vel coisa do mundo&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>Cada homem julga bem apenas as coisas que conhece, assim, um homem instru\u00eddo a respeito de um assunto \u00e9 bom juiz apena nesse assunto.&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>&#8220;A grandeza n\u00e3o consiste em receber honras, mas em merec\u00ea-las.&#8221;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;O homem que vive s\u00f3 ou \u00e9 fera ou \u00e9 Deus.&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;Um jovem n\u00e3o \u00e9 bom entendedor de pol\u00edtica, pois n\u00e3o tem experi\u00eancia dos fatos da vida.&#8221;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><em>Mais frases de Arist\u00f3teles e outros fil\u00f3sofos retiradas diretamente de suas obras. Aqui no netmundi.org:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/category\/aristoteles\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Frases de Arist\u00f3teles<\/strong><\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/category\/socrates\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Frases de S\u00f3crates<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/category\/epicuro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Frases de Epicuro<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/pensamentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pensamentos de grandes fil\u00f3sofos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Principais Obras<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong><em>Nota do editor<\/em>:<\/strong> Boa parte das obras de Arist\u00f3teles foram classificadas e nomeadas s\u00e9culos ap\u00f3s sua morte. Andr\u00f4nico de Rodes, por exemplo, foi um dos grandes compiladores de Arist\u00f3teles e cunhou o termo &#8220;metaf\u00edsica&#8221; para se referir aos manuscritos do fil\u00f3sofo grego que travavam de Deus e da Alma. O pr\u00f3prio Arist\u00f3teles nunca utilizou esse termo, chamava de &#8220;filosofia primeira&#8221; a investiga\u00e7\u00e3o das coisas transcendentais. Muitas obras de Arist\u00f3teles&nbsp;\u2014 como as conhecemos&nbsp;\u2014 foram o resultado do trabalho v\u00e1rios organizadores. As mais conhecidas s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Constitui\u00e7\u00f5es (incluindo a constitui\u00e7\u00e3o de Atenas)<\/li>\n\n\n\n<li>Di\u00e1logos<\/li>\n\n\n\n<li>Da Monarquia<\/li>\n\n\n\n<li>Alexandre<\/li>\n\n\n\n<li>Os costumes dos b\u00e1rbaros<\/li>\n\n\n\n<li>Hist\u00f3ria Natural<\/li>\n\n\n\n<li>Organon, ou O instrumento do racioc\u00ednio correto<\/li>\n\n\n\n<li>Da Alma<\/li>\n\n\n\n<li>Ret\u00f3rica<\/li>\n\n\n\n<li>L\u00f3gica<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9tica a Eudemo<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9tica a Nic\u00f4maco<\/li>\n\n\n\n<li>F\u00edsica<\/li>\n\n\n\n<li>Metaf\u00edsica<\/li>\n\n\n\n<li>Pol\u00edtica<\/li>\n\n\n\n<li>Po\u00e9tica<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><em>Para um \u00edndice completo das obras de Arist\u00f3teles, consulte:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Corpus_aristotelicum\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corpus aristotelicum<\/a><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><em>Links sugeridos do netmundi.org:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2017\/aristoteles-16-livros-para-baixar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arist\u00f3teles | 16 livros para ler e baixar<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2017\/platao-5-livros-para-baixar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Plat\u00e3o | 5 livros para baixar<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/2017\/22-livros-da-colecao-os-pensadores-para-baixar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores | 22 livros para baixar<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia, em meados do ver\u00e3o do ano de 366 a.C apresentou-se um jovem para se matricular na Academia de Plat\u00e3o. Vinha da cidade maced\u00f4nica de Estagira. Era a imagem perfeita do requinte. Foi educado num ambiente de cultura. O pai, j\u00e1 falecido, foi m\u00e9dico na corte de Amintas, rei da Maced\u00f4nia e av\u00f4 de Alexandre. Desde a primeira inf\u00e2ncia, o jovem Arist\u00f3teles(384 a.C- 322 a.C) foi adestrado para uma vida de disciplina mental e conforto f\u00edsico. Sua chegada \u00e0 Academia provocou sensa\u00e7\u00e3o entre os demais estudantes, pois se tratava de um aristocrata dos aristocratas \u2014 af\u00e1vel, bizarro, gracioso, de voz branda, delicado, polido, modelo de bom proceder e de eleg\u00e2ncia no trajar. Na realidade, era algo inc\u00f4modo. Falava de forma afetada, e prestava mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas roupas \u2014 como se queixava Plat\u00e3o \u2014 do que convinha a algu\u00e9m que amasse sinceramente a sabedoria. Evidenciava, contudo, aptid\u00f5es intelectuais incrivelmente variadas. Parecia quase imposs\u00edvel um s\u00f3 esp\u00edrito estar aberto a tantas facetas do conhecimento. Pol\u00edtica, drama, poesia, f\u00edsica, medicina, psicologia, hist\u00f3ria, l\u00f3gica, astronomia, \u00e9tica, hist\u00f3ria natural, matem\u00e1tica, ret\u00f3rica, biologia \u2014 eram estes alguns interesses de seu voraz apetite de saber. Conflitos com Plat\u00e3o Academia de Plat\u00e3o, de Rafael (1510) Certa [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[192],"tags":[],"class_list":["post-2429","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-filosofia-antiga-2"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Arist\u00f3teles - Biografia, filosofia, obras e frases - netmundi.org<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Foi educado num ambiente de cultura. O pai, j\u00e1 falecido, foi m\u00e9dico na corte de Amintas, rei da Maced\u00f4nia e av\u00f4 de Alexandre. 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