FILOSOFIA

Características da filosofia ao longo da história

Características Filosofias antiga, medieval, moderna e contemporânea

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Breve resumo das principais características das filosofias antiga, medieval, moderna e contemporânea, enfatizando quais eram as preocupações dos filósofos em cada época. Essas preocupações representam, no ocidente, a aventura do pensamento humano ao longo da história. O texto utilizado na leitura está logo abaixo.

Filosofia Antiga


A filosofia surgiu na Grécia, ou melhor, nas colônias gregas da Ásia, no século VI a.C, com Tales de Mileto, e se estendeu até VI d.C, quando da derrocada do Império Romano e a ascensão do cristianismo. São mil e duzentos anos de história da filosofia greco-romana. Esse é o período da Filosofia Antiga, que representa o aparecimento das primeiras investigações puramente racionais acerca da realidade e da existência humana.

A Filosofia Antiga se divide em dois momentos importantes. O primeiro, com os pré-socráticos, os primeiros filósofos, que voltaram seu pensamento para a investigação da natureza, ou seja, para a cosmologia. O segundo momento, iniciado por Sócrates, Platão e Aristóteles, quando a filosofia se volta para o conhecimento de si mesmo, para a investigação da condição humana e para ética. Essa passagem da cosmologia para a investigação do homem ficou conhecida na Filosofia Antiga com Virada Antropológica.

Filosofia Medieval


A Filosofia Medieval foi desenvolvida principalmente — mas não exclusivamente — na Europa durante a Idade Média (do século V ao século XV). A característica principal da Filosofia Medieval é a experiência humana fundamentada na existência do sagrado. Essa perspectiva da filosofia medieval ficou conhecida como a Questão de Deus, que é a busca racional pela verdade que não se contradiz pela fé cristã.

Em grande parte, o poder da Igreja durante a Era Medieval influenciou a filosofia medieval. Seus representantes mais conhecidos foram Santo Agostinho, que afirmava que a razão, sozinha, era limitada, mas poderia ser iluminada pela fé e Santo Tomás de Aquino, que afirmava que razão e fé são independentes, mas que, quando bem aplicadas, chegam ao mesmo lugar, que é a constatação da existência de Deus.

Em um primeiro momento, no século V, a Filosofia Medieval é marcada pela Patrística, com os chamados “pais da Igreja”, influenciados pelo neoplatonismo da Filosofia Antiga, da qual Santo Agostinho fazia parte. Em um segundo momento, a partir do século IX, surge a Escolástica, marcada pela influência de Aristóteles, da qual Tomás de Aquino fazia parte.

Filosofia Moderna


A Filosofia Moderna tem uma certidão de nascimento: a publicação da obra Discurso sobre o Método em 1637, do filósofo francês René Descartes. O mundo ocidental dava sinais de mudanças com o Renascimento reagindo à forte influência da Igreja no mundo intelectual e político. Mas será a partir de Descartes que a Era Moderna inaugura o modo científico de investigação, inspirado no método cartesiano.

Nesse período, descobertas científicas e transformações políticas na Europa irão inspirar pensadores como Rousseau, Thomas Hobbes, John Locke, David Hume e Immanuel Kant, sempre baseados na forma racional e metódica que marcou a Filosofia Moderna. O iluminismo foi um dos movimentos mais marcantes desse período, seus integrantes acreditavam na disseminação do conhecimento e no enaltecimento da razão. Duas correntes filosóficas importantes da era moderna foram o Racionalismo e o Empirismo.

Filosofia Contemporânea


A Filosofia Contemporânea surge no final do século XVIII. Tem como marco a Revolução Francesa, em 1789. Engloba, portanto os séculos XVIII, XIX e XX. A chamada “Filosofia pós-moderna” foi incorporada à Filosofia Contemporânea, reunindo os pensadores das últimas décadas. Esse período é marcado pela consolidação do capitalismo gerado pela Revolução Industrial Inglesa em meados do século XVIII. Com isso, torna-se visível a exploração do trabalho humano, que é um dos temas fundamentais da Filosofia Contemporânea.

Ao mesmo tempo, se vislumbra o avanço tecnológico e científico. Destacam-se: a eletricidade, o uso do petróleo e do carvão, a invenção da locomotiva, do automóvel, do avião, do telefone, da fotografia e do cinema. Mais recentemente a internet e a tecnologia digital lançaram novos desafios para os pensadores. Esse período é marcado também por guerras e crises humanitárias, inaugurando a “crise do homem contemporâneo” e o surgimento do niilismo, ou seja, do vazio existencial.

Alguns temas importantes dos filósofos são: poder político, econômico e cultural e a investigação da linguagem. Algumas correntes de pensamento marcantes desse momento são o Marxismo, o positivismo, o humanismo e o existencialismo. Alguns filósofos simbólicos são: Friedrich Nietzsche, Schopenhauer, Hegel, Karl Marx, Jean-paul Sartre, Wittgenstein e Foucault. Os filósofos contemporâneos convocam o homem a tomar consciência de seus atos, parar de se refugiar em desculpas políticas e religiosas, assumir suas responsabilidades, valorizar a dignidade humana e lutar contra as poderosas e injustas estruturas de poder da Era Contemporânea.

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Texto adaptado por:  Alfredo Carneiro – Graduado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília.

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