FILOSOFIA

Estoicismo: introdução e principais representantes

Estoicismo - introdução e principais representantes

O fundador do estoicismo foi Zenão de Cítio (333- 262 a.C.), nascido na cidade de Cítio, ilha de Chipre. Entrou em contato com a filosofia grega mediante algumas obras de Platão, presentes de seu pai, um mercador que as conseguira em suas viagens. Zenão foi para Atenas ainda jovem para estudar filosofia. Depois de conhecer várias doutrinas, fundou sua própria escola em 306 a.C.; como não era cidadão ateniense, não podia ser proprietário de nenhum imóvel na cidade, então ministrava aulas em um pórtico. Por isso o nome “estoicismo”, oriundo da palavra grega stoá, que significa “pórtico”.

O objetivo do estoicismo é livrar o homem do sofrimento através da indiferença às paixões e o cultivo da razão. A palavra “paixão” é oriunda do grego (pathos) e significa sofrimento. O estoicismo considera paixões as emoções geradas pelos acontecimentos da vida: se são bons, nos alegramos, se são adversos, nos angustiamos. Assim, a alma voa de um lado para o outro como folha ao vento, vítima das circunstâncias que geram raiva, inveja, alegria e outros sentimentos.

As paixões são frutos da ignorância na medida em que resultam de juízos equivocados. O prazer é juízo equivocado sobre algo que pensamos ser um bem; o medo é juízo equivocado sobre algo que imaginamos ser um mal futuro; o desejo é juízo equivocado sobre algo que não possuímos.

O bem é a virtude (conhecimento) e o mal são as paixões (ignorância). O sábio é aquele que se liberta das paixões e chega à apatheia, palavra grega que significa ausência de paixões, atingindo assim a tranquilidade imperturbável.

O termo “apatia”, utilizado atualmente para referir-se à falta de entusiasmo resultante da depressão, ainda que tenha relação com o termo grego apatheia, não deve ser entendido no sentido dado pelo estoicismo.

Para o estoicismo, tudo acontece de forma determinada segundo o Logos (Razão Universal), que pode ser percebido na natureza. Não podendo alterar os acontecimentos da vida, cabe ao filósofo se refugiar na interioridade, a única verdadeira liberdade, não se importando mais com influências externas e se alinhando com o Logos que tudo dispõe e ordena da melhor forma possível.

Essa perspectiva estoica influenciou posteriormente os primeiros filósofos cristãos durante o início da Era Medieval.

Divisão da filosofia segundo o estoicismo


O estoicismo divide a filosofia em:

  • Lógica: argumentação correta dos problemas relativos ao conhecimento;
  • Física: teologia, ontologia e cosmologia;
  • Ética: o caminho prático que conduz à vida tranquila.

A ética é a parte mais importante da filosofia para os estoicos. Seu fundamento é a busca instintiva pela autopreservação, ou seja, a conservação da natureza racional do ser humano — nossa dimensão que se alinha ao Logos e dirige as escolhas sensatas.

O papel da física é informar ao homem sua natureza racional e a ética mostra como preservá-la para atingir a serenidade. A filosofia dos estoicos segue o pensamento socrático ao afirmar que a natureza humana, aquilo que diferencia o homem de todos os outros seres, é a sua alma racional.

Porém, como o homem não é constituído apenas pela razão, mas também pela sua parte biológica, os estoicos estabeleceram que é correto escolher aquilo que preserva o corpo. Aquilo que está relacionado ao corpo é “indiferente”, e pode ser “preferível” ou “não preferível”.

Por exemplo: um agasalho que protege do frio é indiferente, pois não leva a alma racional à perfeição, mas como ajuda a preservar o corpo, se torna preferível. Já aquilo que é prejudicial é indiferente e não preferível, como as paixões (frutos da ignorância).

Fases do Estoicismo


O estoicismo foi uma das escolas de maior longevidade do período helenístico; chegou até o século II d.C. A sua história pode ser dividida nos seguintes períodos:

  • Antigo pórtico (séculos IV-III a.C.): desenvolvido por Zenão e seus discípulos: Cleanto (331-232 a.C.) e Crisipo (281-208 a.C.). Das obras destes autores restaram apenas fragmentos.
  • Médio pórtico (séculos II-I a.C.): caracteriza-se pelo ecletismo com outras escolas filosóficas. Panécio (180-110 a.C.) e Possidônio (II-I a.C.) são os principais representantes e escreveram várias obras, das quais restaram fragmentos.
  • Novo pórtico (séculos I-II d.C.): a doutrina apresentada pelos estoicos deste período gira quase que exclusivamente em torno de questões morais. Sêneca (4-65 d.C.), Epicteto (50-138 d.C.) e Marco Aurélio (121-180 d.C.) são os principais representantes. Restaram muitas obras completas destes autores.

O estoicismo foi popular durante o Império Romano até o ano 529, quando o imperador Justiniano ordenou o fechamento de todas as escolas filosóficas, inclusive a Academia de Platão, pois estariam em desacordo com seu projeto de unificação do império através do cristianismo, marcando o fim da Filosofia Antiga e o início da Filosofia Medieval.

AutorAlfredo Carneiro – Graduado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília.

Sugestões de Leitura


Referência Bibliográfica


  1. DUMONT, J. P. Elementos de história da filosofia antiga. Brasília: EdUnB, 2005.
  2. REALE, G. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994b. v. 3: Os sistemas da era helenística
  3. FRAILE, G. História de la filosofia: Grécia y Roma. 7. ed. reimp. Madrid: BAC, 1997.
  4. HADOT, P. O que é a Filosofia antiga? São Paulo: Lisboa, 1999. 423 p.

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