FILOSOFIA

Aristóteles: o maior filósofo e cientista do mundo antigo

Aristóteles - o maior cientista do mundo antigo

Aristóteles (385 – 323 a.C) deu origem ao estudo da lógica formal, enriqueceu quase todos os ramos da filosofia e fez inúmeras contribuições à ciência. Muitas de suas ideias estão atualmente superadas, todavia, mais relevante do que qualquer uma de suas teorias é a abordagem racional presente em sua obra.

Nos seus escritos estão implícitas a suposição de que todos os aspectos da vida humana e da sociedade são objetos apropriados para o pensamento; a ideia de que o universo não é cegamente controlado por acaso, magia ou vontade dos deuses, estando seu comportamento submetido às leis racionais; a crença na utilidade da investigação sistemática do mundo natural e a confiança nas observações empíricas e no raciocínio lógico.

Esse conjunto de opiniões contrárias ao tradicionalismo, à superstição e ao misticismo afetou profundamente a civilização ocidental.

Aristóteles nasceu em 384 a.C, na cidade de Estagira, na Macedônia, e seu pai era médico renomado. Aos dezessete anos de idade foi para Atenas estudar na academia de Platão, onde ficou por vinte anos, até pouco depois da morte do mestre.

De seu pai, Aristóteles pode ter adquirido o interesse pela biologia e pela “ciência prática”; com Platão, cultivou o interesse na especulação filosófica. Em 342 a.C., retornou à Macedônia na condição de preceptor do filho do rei, um menino de treze anos que se tornaria conhecido na história como Alexandre, o Grande.

Aristóteles e Alexandre, o Grande


Aristóteles e seu pupilo Alexandre. Gravura de 1866 do ilustrador francês Charles Laplant

Aristóteles orientou o jovem Alexandre durante muitos anos. Em 335 a.C., depois que Alexandre subiu ao trono, Aristóteles retornou para Atenas, onde abriu seu próprio centro de ensino, o Liceu. Permaneceu em Atenas durante os doze anos seguintes, período que corresponde à carreira de conquista militar de Alexandre, que, se não adotava seu antigo professor por conselheiro, concedia-lhe generosas quantias para financiar suas investigações no campo da biologia.

Esse foi, provavelmente, o primeiro exemplo na história de valiosas doações governamentais a um cientista com o propósito de custear pesquisas. Alexandre ainda enviava ao seu antigo professor plantas e animais exóticos de toda a Ásia.

Apesar disso, a associação com Alexandre apresentava perigos. Aristóteles opunha-se ao estilo ditatorial de Alexandre, e, quando o conquistador executou seu sobrinho, por suspeita de traição, o conquistador parece ter considerado a possibilidade de executar também o antigo mestre.

Se, entretanto, Aristóteles era muito democrático para o gosto de Alexandre, estava por demais associado a ele para merecer a confiança dos atenienses. Quando Alexandre morreu, em 323 a.C., um grupo contrário aos macedônios tomou o controle de Atenas, e o filósofo passou a ser perseguido. Lembrando-se da sina de Sócrates, setenta e seis anos antes, Aristóteles fugiu da cidade, afirmando que “não daria a Atenas uma segunda chance de pecar contra a filosofia”.

Morreu no exílio, alguns meses mais tarde, em 322 a.C., com a idade de sessenta e dois anos.

A monumental obra de Aristóteles


Busto de Aristóteles, do escultor grego Lysippos, ao lado de uma cópia  do livro Ética a Nicômaco do século XIV

A grande quantidade de trabalhos de Aristóteles é surpreendente e, ainda que só tenham sobrevivido quarenta e sete de suas obras, antigos registros lhe creditam não menos de cento e setenta livros. Além da grande quantidade de obras, causa impacto a enorme variedade de assuntos coberta por sua erudição.

Seus trabalhos constituem a enciclopédia dos conhecimentos de ciência de sua época. Aristóteles escreveu sobre astronomia, zoologia, embriologia, geografia, geologia, física, anatomia, fisiologia e sobre quase todos os outros campos do conhecimento dominados pelos antigos gregos.

Suas obras representam tanto a compilação do conhecimento já adquirido até então como descobertas feitas por assistentes que contratava para coletar dados e, naturalmente, os resultados de suas numerosas observações.

Ser especialista em todos os campos é feito incrível e algo impossível de ser repetido. Aristóteles, entretanto, alcançou até mais do que isso. Foi também filósofo original e ofereceu importantes contribuições em todas as áreas da filosofia, escrevendo sobre ética, metafísica, psicologia, economia, teologia, política, retórica e estética, educação, poesia, costumes “bárbaros” e sobre a constituição dos atenienses. Um de seus projetos de pesquisa foi o estudo comparativo de uma coleção de constituições de diferentes estados.

Talvez a obra mais importante de todo o seu trabalho tenha sido sobre a lógica, sendo Aristóteles, de modo geral, considerado o fundador desse ramo tão importante da filosofia.

E foi com certeza a natureza lógica de sua mente que lhe permitiu contribuir tanto em campos tão variados. Ele possuía o dom de organizar o raciocínio. As definições que criou, bem como as categorias que estabeleceu, forneceram a base para o pensamento posterior sobre muitos campos diferentes. Cometeu erros, naturalmente, mas é surpreendente o pequeno número de simples lapsos cometidos nessa abrangente enciclopédia do pensamento.

Aristóteles e sua influência na história do Ocidente


As obras de Aristóteles influenciaram de forma profunda a filosofia judaica e árabe, contudo, a síntese mais influente de todas foi realizada pelo filósofo cristão Tomás de Aquino, chamada Summa Theologica, inspirada na metafísica de Aristóteles.

Sua influência sobre todo o pensamento ocidental posterior foi imensa. Durante a Antiguidade e a Idade Média, suas obras foram traduzidas para o latim, sírio, árabe, italiano, francês, hebraico, alemão e inglês.

Mais tarde, os escritores gregos estudaram e admiraram seus trabalhos, o mesmo acontecendo com os filósofos bizantinos. Sua obra teve influência marcante na filosofia islâmica e, durante séculos, seus escritos dominaram o pensamento europeu.

Averróis, talvez o mais famoso filósofo árabe, tentou elaborar uma síntese do pensamento de Aristóteles para a teologia islâmica. Maimônides, o mais influente pensador judaico medieval, tentou uma síntese semelhante para o judaísmo. O trabalho mais famoso desse gênero foi, contudo, a grande Summa Theologica do filósofo cristão Tomás de Aquino. Foram muitos os estudiosos medievais profundamente influenciados por Aristóteles.

A admiração por Aristóteles tornou-se tão grande que beirou a idolatria. Nos tempos medievais, seus escritos se tornaram uma espécie de “escudo intelectual”, impedindo o desenvolvimento da pesquisa, em lugar de iluminar-lhe o caminho.

Aristóteles, que gostava de observar e pensar para satisfação própria, teria, sem dúvida, desaprovado a cega adulação que as gerações futuras prestariam a sua obra.

Algumas de suas ideias parecem extremamente reacionárias para os padrões atuais. Por exemplo, ele apoiava a escravidão, considerando-a como uma lei natural, e acreditava na inferioridade também natural das mulheres (ambas as ideias, evidentemente, refletiam os pontos de vista dominantes na época). Muitas de suas opiniões são, entretanto, extremamente modernas, como, por exemplo: “A pobreza é a origem da revolução e do crime” e “Todos os que já meditaram sobre a arte de governar a humanidade estão convencidos de que o destino dos impérios depende da educação dos jovens”.

Autor: Michael H. Hart

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