FILOSOFIA

O que é Metafísica?

O que é metafísica

O termo metafísica surgiu quando Andrônico de Rodes, filósofo grego do século I a.C, organizou quatorze manuscritos de Aristóteles que tratavam das realidades que estão “além da física”.

Esta classificação ficou conhecida como Metafísica de Aristóteles, uma das grandes obras da filosofia antiga. A palavra metaphisiké é composta pelos vocábulos gregos meta (além) e physiké (física), indicando o estudo daquilo que está além da natureza, além dos sentidos; que se ocupa do eterno, do imutável, de Deus, da alma e do mundo  — sim, mundo é também conceito metafísico.

Desde então, a metafísica foi associada ao estudo de temas imateriais ou espirituais. Entretanto, ela também será designada, ao longo da história da Filosofia, como sinônimo de conhecimento abstrato.

Platão e Aristóteles: os primeiros metafísicos


Metafísica em Platão e Aristóteles

Segundo a tradição filosófica, Platão e Aristóteles foram os primeiros a especular de forma racional sobre assuntos que estariam além da existência material.

Foram eles que iniciaram os questionamentos que hoje conhecemos tradicionalmente como metafísica, apesar de nunca terem utilizado esse termo, criado mais tarde por Andrônico.

Platão buscou demonstrar a imortalidade da alma e a existência do Sumo Bem, conforme surge de forma poética no Mito da Caverna e por toda sua obra. Aristóteles, por sua vez, desenvolveu o argumento do Motor Imóvel sobre o Ser Primeiro que move todas as coisas.

Contudo, Aristóteles discordava de seu mestre Platão quanto ao caráter transcendental de sua filosofia; não aceitava a ideia de “verdadeira realidade além desse mundo”, que lhe parecia espiritual e obscura, mas percebia a necessidade do aspecto universal e eterno do Ser.

Por exemplo: o homem, como ideia ou Ser, é algo necessário e eterno, porém, o homem como indivíduo (o Pedro, o João) não são eternos ou necessários. Para Platão, essa ideia perfeita e eterna de homem reside na “realidade verdadeira” e gera todos os homens. Aristóteles reconhece a necessidade da ideia universal, mas não diz onde, afinal, reside essa forma perfeita de homem.

Sobre a filosofia primeira — assim Aristóteles chamava a metafísica — afirmou: “Todas as filosofias serão mais úteis, mas nenhuma lhe será superior”.

A metafísica na história da Filosofia


Durante a Era Medieval, a metafísica de Platão tornou-se tema fundamental do pensamento de Agostinho (354-430). Os filósofos medievais também irão retomar as ideias de Aristóteles, motivando o debate conhecido como O Problema dos Universais — afinal, Aristóteles deixou uma “ponta solta” ao não dizer onde está o Ser universal.

Vários autores da Filosofia Moderna irão combater a metafísica enquanto saber ligado à religião, como se estabeleceu na Filosofia Medieval. René Descartes (1596 – 1650) — o mais representativo dos filósofos modernos — buscou colocar a metafísica em bases puramente racionais.

Étienne Condillac (1714 – 1780) afirmou que existe a “boa metafísica”, que trata de conceitos abstratos, e a “má metafísica”, que seria religiosa ou teológica. Voltaire (1694 – 1778) acreditava que ela irremediavelmente ficou ligada à fantasia, não ao saber racional.

Com argumentação criteriosa, Immanuel Kant (1724-1804) afirmou que nossa capacidade de conhecer limita-se ao mundo dos sentidos. Deus e a alma, por exemplo, seriam apenas ideias para se referir às coisas que não podemos conhecer; são objetos da fé, nunca da razão.

Na Filosofia Contemporânea um dos maiores combatentes da metafísica foi o filósofo alemão Friedich Nietzsche (1844-1900) que voltará sua argumentação contra Platão, afirmando que a perspectiva espiritual do filósofo grego foi uma tragédia que envenenou a Filosofia e a cultura ocidental.

Para Nietzsche, a metafísica mantém o pensamento filosófico voltado para o nada, para o vazio. Assim, o homem ficou observando fantasias, “como a galinha hipnotizada pelo giz”, conforme escreveu em Assim Falava Zaratustra.

Apesar dos ataques que a metafísica sofreu, o próprio Immanuel Kant, um de seus maiores críticos, admite que o homem tem impulso natural para a metafísica, afirmando que mesmo que todas as ciências fossem tragadas pela barbárie, a metafísica sobreviveria.

Autor: Alfredo Carneiro  //  Editor do netmundi.org

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