FILOSOFIA

Nietzsche: vontade de verdade e vontade de potência

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A vontade de potência é um dos conceitos centrais da filosofia de Nietzsche. É através dele que este filósofo alemão irá construir sua crítica tanto à filosofia ocidental realizada após Sócrates quanto ao cristianismo. No entanto, para entender a vontade de potência é necessário compreender seu conceito oposto: a vontade de verdade.

Vontade de verdade é desejo de fundamento

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A vontade de verdade é o desejo que motiva o homem a encontrar uma verdade eterna e imutável que estaria por trás da realidade. Mas Nietzsche acredita que a vontade de verdade tem uma intenção prática e política de nivelar os homens, normatizar a vida e reduzir o pensamento, barrando o fluxo de lembranças, vontades e desejos que sempre impulsionaram a humanidade. A vontade de verdade se revela nas religiões e na filosofia pós-socrática como um desprezo pelo mundo, fazendo o homem voltar-se para um suposto além-mundo, criando uma valorização espiritual que acaba por desligar o homem da realidade, tornando-o doente,  fraco e manipulável.

Até mesmo o ateísmo é uma vontade de verdade, uma crítica estéril a um Deus que não existe, gerando uma atividade filosófica inútil. Nietzsche nos fala que a modernidade foi tomada por uma vontade de verdade que atenta contra a vida, e que todos os valores que hoje são difundidos nas sociedades ocidentais são como doença, valores infestados de preconceitos morais que degeneram o homem. Isto fez com que o ocidente gerasse homens fracos, “humildes” e dignos de pena. A valorização do espiritual acaba por gerar uma precariedade espiritual. A vontade de verdade é, para Nietzsche, uma mentira.

Vontade de potência é desejo de viver

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Por outro lado, a vontade de potência é uma vontade de vida, não de saber a verdade da vida, mas de viver. A vontade de potência se volta para este mundo e para os fluxos de imagens fortes, individuais e primitivas que nos ligam à vida, que nos dão força, significados e objetivos. Ora, são justamente esses fluxos e essas vivências individuais que ligam o homem à vida e ao mundo.

Então, a vontade de potência considera as vivências como a vida autêntica. Pensar a vontade de potência seria aceitar e pensar a vida, esta vida de cada um de nós, que cria nossa identidade e nos liga ao mundo e ao futuro, e não a um suposto além-mundo. Exemplos de vivências primitivas podem ser nossas experiências infantis, um primeiro beijo, o filho no colo, a mulher nos braços, aquele trem de brinquedo que montei quando criança – do qual me lembro ao ver um trem de verdade. São nossas experiências poéticas, intensas, emocionantes.

O futuro da humanidade não estaria depositado nas mãos dos líderes espirituais, nem nas mãos dos políticos egoístas da democracia (que Nietzsche considera outra mentira), mas nas mãos dos homens fortes que se ligam de forma intensa ao mundo, “espíritos livres que não acreditam mais na verdade”, que aceitam sua finitude e assumem a dor e a alegria do mundo, ultrapassando simbolicamente sua condição humana. Estes são, segundo este filósofo, os super homens.  Somente estes refletem profundamente sobre o mundo à sua volta e sabem o que é bom, verdadeiro e belo. Assim falava Friedrich Nietzsche,  assim falava Zaratustra.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc