{"id":1237,"date":"2014-04-28T01:25:18","date_gmt":"2014-04-28T01:25:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.netmundi.org\/cibercultura\/?p=1237"},"modified":"2015-05-05T19:50:29","modified_gmt":"2015-05-05T19:50:29","slug":"a-industria-cultural-de-theodor-adorno-e-max-horkheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.netmundi.org\/cibercultura\/a-industria-cultural-de-theodor-adorno-e-max-horkheimer\/","title":{"rendered":"A Industria Cultural de Theodor Adorno e Max Horkheimer"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/industria-cultural.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-430 alignleft\" alt=\"industria-cultural\" src=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/industria-cultural.jpg\" width=\"179\" height=\"221\" \/><\/a>Algumas \u00a0respostas de minha autoria sobre o texto<strong> A Industria Cultural<\/strong> de Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), ocorridas em um f\u00f3rum na Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia. Texto fundamental para compreens\u00e3o da arte e da cultura como ferramenta de domina\u00e7\u00e3o. Baixe aqui esse maravilhoso texto que, apesar de \u00a0escrito em 1947, apresentou de forma brilhante a situa\u00e7\u00e3o arte no mundo capitalista.<\/p>\n<p>Download:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.netmundi.org\/home\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Adorno-e-Horkheimer-A-ind\u00fastria-cultural.pdf\">Adorno e Horkheimer (A ind\u00fastria cultural)<\/a><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Qual opini\u00e3o adorno e horkheimer pretende criticar logo na abertura do texto? qual seria, em resumo, o contra-argumento deles em rela\u00e7\u00e3o a tal opini\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<div>Adorno apresenta a opini\u00e3o dos soci\u00f3logos de que a fragmenta\u00e7\u00e3o do feudalismo e do pr\u00e9-capitalismo mergulhou o ocidente em uma esp\u00e9cie de caos cultural. Os autores do texto pretendem combater esse argumento, uma vez que a sistematiza\u00e7\u00e3o e normatiza\u00e7\u00e3o da industria cultural apresenta uma &#8220;coer\u00eancia&#8221;. Mas ao apresnetar a face totalizadora e normatizadora da industria cultural, gerida por tabelas, falsas distin\u00e7\u00f5es, c\u00e1lculos e clich\u00eas, o contra argumento dos autores se torna tamb\u00e9m uma cr\u00edtica \u00e0 industria cultural. \u00c9 de fato pertubador ler esse texto. Pois parece at\u00e9 que o texto foi escrito hoje, e n\u00e3o em 1947. Existe uma mescla de est\u00e9tica e pol\u00edtica, e o texto se torna uma imagem do &#8220;admir\u00e1vel Mundo Novo&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<ul>\n<li><strong>como adorno e horkheimer veem a rela\u00e7\u00e3o entre todo e partes em uma sociedade marcada pela ind\u00fastria cultural<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Parece claro no texto que essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma interliga\u00e7\u00e3o complexa que, apesar das diferen\u00e7as aparentes, possuem uma coer\u00eancia \u00a0org\u00e2nica. As diferen\u00e7as entre modelos de carros, filmes, a cr\u00edtica especializada de cinema, os apartamentos &#8220;descart\u00e1veis&#8221; em nov\u00edssimas arquiteturas (que d\u00e3o aos antigos pr\u00e9dios uma apar\u00eancia de corti\u00e7os) s\u00e3o na verdade uma esp\u00e9cie de sistema (um todo) que aparentemente d\u00e1 \u00e0s partes uma apar\u00eancia de independ\u00eancia, individualidade e at\u00e9 originalidade. Aos poucos o surgimento do r\u00e1dio, televis\u00e3o e cinema s\u00e3o um contraponto com o telefone. O telefone seria algo quase an\u00e1rquico, apesar dos autores o chamarem de liberal, pois ainda mant\u00e9m certa intera\u00e7\u00e3o humana, enquanto, por exemplo, que o r\u00e1dio entrega seu conte\u00fado para uma plateia acr\u00edtica e apenas receptora. A rela\u00e7\u00e3o entre todo e partes aos poucos se torna uma esp\u00e9cie de relacionamento unilateral do sistema (ind\u00fastria cultural) com as partes, que seriam todos os componentes que fazem parte do sistema, desde os meios de comunica\u00e7\u00e3o at\u00e9 os produtos e, finalmente, o &#8220;produto final&#8221;, as pessoas.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>qual a rela\u00e7\u00e3o entre o estilo (ponto geral) e o que eles chamam de \u201cverdade negativa\u201d (ponto particular)?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Compreendi que se trata de uma rela\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica. A obra de arte e o artista devem se submeter a um estilo geral, que se identifica com a reprodutibilidade da ind\u00fastria cultural. As coisas j\u00e1 est\u00e3o postas\u00a0<em>a priori<\/em>\u00a0na ind\u00fastria cultural, e ela chega ao ponto m\u00e1ximo de substituir, nos moldes de Kant, nosso aparelho de conhecimento. O organizador dos dados de nosso aparelho cognitivo se torna a pr\u00f3pria ind\u00fastria cultural. Essa seria a nefasta fun\u00e7\u00e3o do estilo como ponto geral, um n\u00edvel de domina\u00e7\u00e3o profundo e invis\u00edvel, que d\u00e1 \u00e0s pessoas a falsa sensa\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia. Tudo isso estaria claro atrav\u00e9s de uma observa\u00e7\u00e3o acurada da cultura e do estilo de nosso tempo.<\/p>\n<p>Sobre a \u201cverdade negativa\u201d, ela seria uma caracter\u00edstica dos artistas cujas obras expressam, mesmo dentro de um estilo, uma resist\u00eancia ao estilo. Na verdade negativa o tema abordado \u00e9 mais importante que o estilo, e os grandes artistas olham o estilo com desconfian\u00e7a. A verdade negativa \u00e9 antes uma cr\u00edtica ao estilo do que uma conformidade com ele, e os grandes artistas seriam aqueles que perceberam essa normatiza\u00e7\u00e3o imperiosa na arte e usam suas obras para ir de encontro a isso, e, de certa forma, de encontro \u00e0 ind\u00fastria cultural enquanto t\u00e9cnica alienante.<\/p>\n<p>Eu arriscaria falar da obra Guernica, que retrata um bombardeio alem\u00e3o, de Picasso, como um exemplo de verdade negativa. (Ora, olhem o que aconteceu exatamente agora enquanto escrevo este texto: fui fazer uma pesquisa por \u201cpainel picasso\u201d e recebi imagens do painel do autom\u00f3vel Picasso, como que dando raz\u00e3o a Adorno) Prosseguindo: em uma lend\u00e1ria cena onde um oficial alem\u00e3o pergunta a Picasso se ele havia feito o Guernica, Picasso teria respondido: \u201cn\u00e3o, foram voc\u00eas\u201d. Em sua resposta, Picasso enfatizou o tema abordado, n\u00e3o a obra. E seu estilo era diferente e novo, mesmo que dentro do estilo chamado cubismo, que o pr\u00f3prio Picasso inaugurou.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>vejam tal passagem ainda na parte III (p. 63 do texto dispon\u00edvel no f\u00f3rum), por exemplo:<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><em>Os consumidores s\u00e3o os trabalhadores e os empregados, os lavradores e os pequenos burgueses. A produ\u00e7\u00e3o capitalista os<\/em>\u00a0<em>mant\u00e9m t\u00e3o bem presos em corpo e alma que eles sucumbem sem resist\u00eancia ao que Ihes \u00e9 oferecido. Assim como os dominados sempre levaram mais a s\u00e9rio do que os dominadores a moral que deles recebiam, hoje em dia as massas logradas<\/em>\u00a0<em>sucumbem mais facilmente ao mito do sucesso do que os bem-sucedidos. Elas t\u00eam os desejos deles. Obstinadamente, insistem na\u00a0ideologia\u00a0que as<\/em>\u00a0<em>escraviza.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>de um modo bem geral, o que quer dizer ideologia, aqui?<\/strong><\/p>\n<p>A ideia que tenho de ideologia parece estar de acordo com o que est\u00e1 expresso nesse fragmento. A ideologia atravessa, de forma invis\u00edvel, todo o sistema, como uma domina\u00e7\u00e3o que se disfar\u00e7a na cultura, na religi\u00e3o e at\u00e9 mesmo na filosofia, dando \u00e0 ideologia uma falsa validade. A ideologia tem sempre uma inten\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o, aparentemente uma domina\u00e7\u00e3o de massas.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria cultural teria assim uma ideologia impl\u00edcita ligada ao estilo de vida capitalista. No come\u00e7o do texto os autores afirmam que a ind\u00fastria cultural est\u00e1 condicionada pelos economicamente mais poderosos, que divulgam a ideia (ideologia) de que o estilo de vida capitalista (baseado no trabalho e consumo do in\u00edcio at\u00e9 o final do dia do trabalhador) \u00a0\u00e9 um estilo desej\u00e1vel e poss\u00edvel para todos, que deve ser perseguido como um fim em si mesmo. No entanto, esse desejo, incutido no dominado pela ideologia, raramente pode ser realizado, uma vez que esse poder econ\u00f4mico deseja que o trabalhador se mantenha nessa grande engrenagem do mundo capitalista.<\/p>\n<p>A ideologia cumpre, no mundo da ind\u00fastria cultural, o papel de uma cenoura que o coelho persegue mas nunca alcan\u00e7a, pois est\u00e1 presa ao coelho por uma vara, mantendo assim o coelho sempre em busca do imposs\u00edvel. Tal como os trabalhadores do mundo moderno.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Qual a rela\u00e7\u00e3o, segundo adorno e horkheimer, entre repeti\u00e7\u00e3o, divers\u00e3o e trabalho?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>O controle que a ind\u00fastria cultural exerce sobre as mentes (e os corpos) das pessoas se d\u00e1 pela divers\u00e3o; pelo entretenimento.\u00a0 O conte\u00fado expresso nas obras como cinemas e novelas s\u00e3o menos importantes que a t\u00e9cnica, que hoje chama mais aten\u00e7\u00e3o do que a mensagem da obra em si. Talvez por isso filmes com efeitos especiais sejam mais populares que filmes de produ\u00e7\u00e3o mais barata, que buscam efetuar uma cr\u00edtica ou denuncia (como os document\u00e1rios independentes de hoje). \u201cDivertir-se significa estar de acordo\u201d. \u00a0No mundo da ind\u00fastria cultural a divers\u00e3o nada mais \u00e9 que do que uma fuga da monotonia e repeti\u00e7\u00e3o do trabalho mecanizado. Acontece que at\u00e9 mesmo a divers\u00e3o do trabalhador cansado \u00e9 controlada pela industrializa\u00e7\u00e3o, que fabrica produtos de divers\u00e3o justamente para esses momentos de lazer. Tudo \u00e9 um neg\u00f3cio retroalimentado, e o trabalhador n\u00e3o cessa de produzir e de consumir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas \u00a0respostas de minha autoria sobre o texto A Industria Cultural de Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), ocorridas em um f\u00f3rum na Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia. 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