FILOSOFIA

O mundo das ideias e o alerta de Platão

O Alerta de Platão

O mundo das ideias é o tema principal que norteia a filosofia de Platão(427 a.C – 348 a.C ). Este filósofo grego, discípulo de Sócrates, tenta nos dizer que este mundo é apenas uma sombra do mundo real, e que a origem deste mundo está em outro mundo, o mundo das ideias perfeitas.

Os filósofos da natureza, também chamados de pré-socráticos, anteriores a Platão e Sócrates, se perguntavam qual a origem e o princípio das coisas. Mas suas investigações encontraram esse princípio somente no mundo físico. Tales de Mileto disse que era a água, Heráclito de Éfeso disse que era o fogo, os pitagóricos disseram que era o uno, mas sem indicar nada de transcendente. Platão, por sua vez, surge com algo original: a origem deste mundo é o mundo das ideias, um mundo transcendente e espiritual.

Mo Mito da Caverna é a mais famosa metáfora de Platão, que tenta demonstrar que este mundo é apenas uma sombra do mundo das ideias. Este mundo só pode ser atingido pela razão, que eleva o homem à contemplação da verdadeira realidade.

O Mito da Caverna é a mais famosa metáfora de Platão, que tenta demonstrar que este mundo é apenas uma sombra do mundo das ideias, que só pode ser atingido através razão que eleva o homem à contemplação da verdadeira realidade.

No entanto, desde a antiguidade, seu pensamento sofreu inúmeras interpretações e comentários da tradição filosófica. Platão não se deixa captar facilmente, sua filosofia parece impregnada de sutilezas e temas transcendentais. Pela primeira vez no pensamento ocidental um grande filósofo diz que a origem de tudo pode não estar neste mundo físico e imperfeito. O filósofo britânico Alfred North Whitehead chegou a afirmar que “o modo mais seguro de se caracterizar a tradição filosófica européia é afirmar que ela consiste numa série de notas de rodapé a Platão”.

Mas o próprio Platão faz um alerta para à posteridade, alerta esse que parece uma profecia que previu o comportamento dos muitos que tiveram contato com sua filosofia, tanto seus admiradores quanto seus críticos. Ele nos diz em sua Sétima Carta:

“Não creio que um tratado escrito e uma comunicação sobre esses temas sejam um benefício para os homens, a não ser para aqueles capazes de encontrar a verdade por si mesmos, com poucas indicações que lhes forem dadas, enquanto os outros se encheriam, alguns de um desprezo injusto e inconveniente, outros, ao contrário, de uma soberba vazia, falsamente convencidos de ter aprendido coisas magníficas”.

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org
twitter:@alfredo_mrc

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